Rótulo da Cachaça Kamulaia - Mapa da Cachaça
Verallia

Rótulo da Cachaça Kamulaia

A designer Mariana Jorge analisa o rótulo da cachaça Kamulaia. O rótulo dessa cachaça faz referencia a grandiosa contribuição do negro à cultura nacional.

Garrafa da Cachaça Kumalaia

 

Projeto: Identidade visual e rótulo para cachaça Kamulaia
Guanhães – MG
Fabricante: COPERCACEN | Cooperativa dos Produtores de Cachaça e Derivados de Cana-de-açúcar do Centro-nordeste de Minas Gerais Ltda.
Ano de criação: 2005
Designer: Luiz Henrique Diniz Miranda, Fonte 31 design, Belo Horizonte – MG, 1967
Técnica de ilustração: desenho aquarelado com tratamento digital no Photoshop
Técnica de impressão: Off set

Kamulaia era o nome dado para a cachaça pelos escravos da região de Guanhães, Minas Gerais. Justa e adequada homenagem, já que umas dos mitos da origem da cachaça relata que foram eles, os escravos africanos, que deram início à produção do destilado brasileiro. A temática africana, no nome e design do rótulo, é mais uma prova da infinidade de temas que permeiam o universo da cachaça.

A cachaça Kamulaia, marca de pequenos produtores organizados na Cooperativa dos Produtores de Cachaça de Alambique e Derivados de Cana-de-açúcar do Centro Nordeste Mineiro – a Coopercacen – ganhou prêmio de melhor embalagem para exportação na Fispal Nordeste 2005 . E atraiu a atenção dos comerciantes que vislumbraram uma boa presença na gôndola, dada sua originalidade. “Ela não é nada tradicional, não se parece com os rótulos de cachaças mineiras que temos no mercado.” conta a gerente-geral da Coopercacen Fátima Aguilar.

O rótulo e embalagem da cachaça Kamulaia foram desenvolvidos pelo designer mineiro Luiz Henrique Diniz, da Fonte 31, com orientação e apoio do extinto projeto Via Design do Sebrae. Luiz Henrique  ressalta o trabalho do Sebrae, que na intermediação entre agências e pequeno produtor, ajuda na conscientização da importância de um trabalho feito por especialistas.

O rótulo anterior tinha como imagem uma tela do pintor Jean Baptiste Debret em que escravos movimentam uma moenda. Esta imagem revela uma visão negativa, equiparando o ser humano ao animal e que precisa ser combatida por aqueles que trabalham com a produção de um produto autenticamente brasileiro. O rótulo anterior foi criticado por movimentos de valorização do Negro, que convenceu o produtor a desvincular a marca desta imagem. “Para extrair o suco da cana, usavam-se engenhocas de madeira (moendas) movidas por animais, pelos escravos ou pela força da água.”

Tela de Jean Baptiste Debret

Tela de Jean Baptiste Debret

O novo rótulo, do designer Luiz Henrique Diniz, referencia a grandiosa contribuição do negro à cultura nacional, ainda observando a temática estruturada nos escravos africanos do período colonial.

A extensa pesquisa inicial foi fundamental no projeto e, segundo o designer, a etapa mais demorada: incluiu horas de estudo em livros de arte e até uma pesquisa de campo em Ouro Preto, em busca do repertório visual da rica cultura africana. Observou-se estamparia, pintura mural, cerâmica e a arte acadêmica, entre outras.

Fragmentos de tecido com lindas padronagens inspiraram o designer a criar o rótulo que remete à estamparia africana. A etapa seguinte tratou de adaptar a arte para o suporte gráfico, com o desafio de não perder o traço humano ao digitalizá-la. A rusticidade está presente também na tipografia manuscrita e desenhada exclusivamente para a cachaça Kamulaia.

O resultado é um rótulo que apresenta um conceito visual pouco explorado no universo imagético da cachaça, com embasamento conceitual e originalidade apurados.

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