As madeiras usadas para armazenar e envelhecer cachaça

Navegue pelas diferentes madeiras usadas no processo de envelhecimento da cachaça

AMBURANA (AMBURANA CEARENSES)

  • Nomes populares: Imburana, umburana, cerejeira, cumaru-do-ceará, amburana-de-cheiro, cumaru-de-cheiro
  • Risco de extinção: Em perigo: risco alto de extinção a curto prazo.
  • Descrição sensorial: Cor dourada ou âmbar cristalino em tonéis de baixo volume (200 litros), após um ano. Em dorna de grande volume apresenta cor amarelo-pálido. Aromas e sabores de baunilha, cravo, canela e outras especiarias, dependendo do volume, tempo de maturação e se o barril passou ou não por tosta. Muito marcante, a amburana em poucos dias já aporta características sensoriais. É uma madeira muito perfumada (baunilha, canela), oferecendo aromas florais (flores brancas) e amadeirados – é necessário atenção para a intensidade não comprometer o equilíbrio sensorial – bebidas com muita presença de amburana tem aquele aroma característico de “armário de vó”. Quando tostada, entrega muita doçura, especiarias e suavizando sua intensidade tânica.

AMENDOIM (PTEROGYNE NITENS TUL.)

  • Nomes populares: amendoim- bravo, madeira- nova, viraró, pau-de- amendoim, óleo-branco, carne-de- vaca, bassourinha, sucupira e vilão.
  • Risco de extinção: Quase ameaçada. Sem risco, mas medidas precisam ser tomadas para sua conservação.
  • Descrição sensorial: Não se trata, aqui, do amendoim comestível, mas de uma árvore brasileira de grande porte. Sua madeira era amplamente usada na fabricação de tonéis para armazenar cachaça, por ser uma boa alternativa às dornas de inox, mas por estar ameaçada de extinção, restringiu- se o uso para a produção de novas barricas. A madeira é geralmente escolhida para armazenamento, sendo raro encontrar barris de pequeno porte (menos de 700 litros) para envelhecimento. O destilado armazenado em amendoim preserva as características da cachaça pura, agregando qualidade e deixando- o mais aveludado. Se envelhecido, ganha coloração amarelo-pálido e sabor levemente adocicado e sensação de boca cheia, favorecendo a salivação e percepção de acidez agradável. É mais usada pelos produtores de São Paulo, Paraty e Minas Gerais.

ARARIBÁ (CENTROLOBIUM TOMENTOSUM)

  • Nomes populares: araribá- vermelha, araribá-rosa, araruva, putumuju
  • Risco de extinção: Pouca probabilidade de extinção com as atuais condições.
  • Descrição sensorial: Na cachaça armazenada, dá cor amarelo-pálido e leve buquê de flores e vegetal. Quando tostada traz aromas de frutas vermelhas (morango). É uma das madeiras que mais confere oleosidade ao destilado por ser rica em glicerol, componente natural desejável. Mais usada para produção de dornas de envelhecimento no Sul do Brasil, onde alguns produtores lançaram interessantes blends que mesclam o araribá com o carvalho europeu.

BÁLSAMO (MYROCARPUS FRONDOSUS)

  • Nomes populares: Pau-bálsamo, cabriúva, bálsamo- caboriba, pau-de-óleo e cabriúna- preta
  • Risco de extinção: Pouca probabilidade de extinção nas condições atuais.
  • Descrição sensorial: Em barris novos, chega em tons âmbar-avermelhados e sabores amadeirado e vegetal. Nas cachaças envelhecidas por muitos anos em tonéis antigos e de grande volume, a cachaça assume uma cor dourada com tons esverdeados e aromas intensos, trazendo notas herbáceas e de especiarias, como anis, cravo e erva-doce, e também a sensação de picância e adstringência ao destilado. Madeira muito usada para envelhecimento de cachaça no norte de Minas Gerais, como a famosa cidade de Salinas, onde o bálsamo traz muita especiaria (rico em eugenol), frutado e tânico. É uma madeira resinosa, que, assim como a amburana, merece atenção e períodos mais curtos de envelhecimento acelerado para não ficar intragável. Sua tosta reduz a intensidade tânica e eleva seu dulçor em equilíbrio com as especiarias (cravo)

CARVALHO EUROPEU (QUERCUS PETRAEA) E CARVALHO AMERICANO (QUERCUS ALBA)

  • Nomes populares: Existe uma árvore brasileira chamada popularmente de carvalho-do- brasil, no entanto, trata-se de uma planta diferente (Roupala montana).
  • Risco de extinção: Pouca probabilidade de extinção nas condições atuais.
  • Descrição sensorial: De acordo com os registros do Mapa da Cachaça, o carvalho europeu é a madeira mais usada no envelhecimento do destilado brasileiro. As cachaças apresentam variações de tons que vão do amarelo-pálido ao mogno e aromas mais sutis e temperados, lembrando amêndoa, e adocicados, contribuindo com textura e adstringência. Já o carvalho americano tende a dar sabores mais evidentes ao destilado, geralmente trazendo coco e baunilha. Considerando que a maior parte do carvalho utilizado para envelhecer cachaça é de barris reformados ou de segunda mão, a obtenção de coloração mais forte pode estar baseada no uso de caramelo, que além da cor aporta, artificialmente, doçura.

CASTANHEIRA (BERTHOLLETIA EXCELSA)

  • Nomes populares: castanha-do-pará, noz- amazônica, noz- boliviana, tocari e tururi.
  • Risco de extinção: Vulnerável: risco alto de extinção a médio prazo.
  • Descrição sensorial:  A castanheira é conhecida popularmente como “o carvalho brasileiro” por ser rica em vanilina, trazendo aromas associados a junção do tostado com baunilha, chocolate e caramelo. Após tosta reduz também sua intensidade vegetal de madeira nova e enriquece a percepção sensorial de castanhas. A castanheira está em extinção e tem seu corte proibido – fique atento de comprar apenas de tanoeiros com certificação. Durante muitas gerações, a castanheira vem sendo utilizada como fonte de renda e alimento; sua semente, a castanha-do-pará, é consumida e serve como matéria-prima de outros produtos. Na cachaça, a madeira agrega tons amarelados intensos e aromas e sabores que se assemelham aos do carvalho europeu. Quando a tosta do barril é intensa, a cachaça apresenta dulçor significativo. 
 

FREIJÓ (CORDIA GOELDIANA)

  • Nomes populares: freijó, frei- jorge, freijó- branco, freijó-preto, freijó-rajado, freijó- verdadeiro e louro-freijó.
  • Risco de extinção: Informação não encontrada.
  • Descrição sensorial:  A madeira é muito utilizada para a maturação de aguardente pelos produtores do Norte e do Nordeste, principalmente da Paraíba, em substituição às dornas de aço-inoxidável. No armazenamento, conserva as características das cachaças puras, não agregando cor ou aromas. A maioria das dornas são de grande porte, concebendo pouca ou nenhuma coloração. Quando a tosta do barril é intensa, a cachaça apresenta dulçor significativo. 
 

GRÁPIA (APULEIA LEIOCARPA)

  • Nomes populares: amarelinho, garapeira, gema-de- ovo, jataí- amarelo e muirajuba.
  • Risco de extinção: Vulnerável: risco alto de extinção a médio prazo.
  • Descrição sensorial:  As cachaças envelhecidas em grápia apresentam intensidade de cor, sendo uma das madeiras que mais agregam coloração ao destilado. Vem sendo usada desde o século passado por vinicultores no Sul do Brasil. Na cachaça, é mais utilizada na produção de blends com outras madeiras, agregando adocicado e toques terrosos.

JEQUITIBÁ-BRANCO (CARINIANA ESTRELLENSIS)

  • Nomes populares: pau-jequitibá-rei, estopeiro, estopa, cachimbeiro, coatinga, bingueiro, mussambê – vermelho, jequitibá- cedro, estopa, jequitibá- grande, pau- caixão, pau- carga, congolo-de- porco e caixão.
  • Risco de extinção: Quase ameaçada: Sem risco, mas medidas precisam ser tomadas para sua conservação.
  • Descrição sensorial: Madeira comum para a fabricação de barris ou dornas de grande volume para armazenamento de cachaça. É muito utilizada por produtores do Sudeste; em especial, Minas Gerais e São Paulo – é também a árvore-símbolo desse estado. Assim como o amendoim, não confere cor, aromas ou sabores pronunciados ao destilado, sendo pouco usada em barris para envelhecimento de cachaça. Muitas cachaças antes de envelhecer em carvalho maturam antes em dornas de jequitibá-branco. 

JEQUITIBÁ-ROSA (CARINIANA LEGALIS)

  • Nomes populares: jequitibá- vermelho, jequitibá- cedro, estopa, jequitibá- grande, pau- caixão, pau- carga, congolo-de- porco e caixão.
  • Risco de extinção: Em perigo: risco alto de extinção a curto prazo.
  • Descrição sensorial: Cor, aromas e sabores pronunciados ao destilado se envelhecido em barris de pequeno porte. Pela presença de vanilina, que agrega notas de baunilha à cachaça, é considerada a madeira nacional que mais se assemelha ao carvalho americano. Ao contrário do jequitibá-branco, o jequitibá-rosa traz cor, aromas e sabores pronunciados ao destilado. Assim como o jequitibá- branco, é mais utilizado pelos produtores de cachaça no Sudeste. 

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