A cachaça conquistou reconhecimento nos EUA. E aqui? - Mapa da Cachaça
Verallia

A cachaça conquistou reconhecimento nos EUA. E aqui?

11 de 04 de 2012

Obama reconhece a Cachaça como produto brasileiro, o que pode ajudar a exportar para os EUA. É motivo para comemorar, mas vou segurar minha empolgação.

Começamos esta semana com uma grande notícia: o acordo entre Dilma e Obama para que os EUA reconheçam a cachaça como produto tipicamente brasileiro, e diferente do Rum, ou Brazilian Rum, como chamavam por lá. Este é uma excelente conquista, e talvez um grande impulso também, visto que algumas marcas de Cachaça podem se animar em preparar um produto bem feitinho para exportar para os EUA e, com isto, alavancar o mercado interno. Infelizmente, não vou poder continuar a coluna apenas com este assunto tão importante para o mundo da cachaça. Desculpem minha falta de empolgação completa, mas ainda falta muito a ser feito pela nossa bebida.

As outras notícias da semana explicam minha postura. “Brasileiro está tomando mais uísque”, diz o Estadão. E, para completar: “Mas tem de ser escocês”. Segundo a reportagem de segunda-feira (09 de abril), a nova classe média tem visto o whisky importado um “luxo acessível”, e tem impulsionado as vendas do setor, que no ano passado alcançaram o equivalente a mais de R$250 milhões de reais. Recorde histórico para o whisky.

Como se não bastasse, a segunda notícia da semana, dada pelo Estado de Minas do dia 7 de abril, “comemora”: Produtor de Cachaça lança vodka. Foram investidos mais de R$1 milhão de reais em uma bebida cujo foco é competir com as marcas importadas, e atingir o jovem. O grupo responsável é a tradicional Ypióca.

Poizé. A festa está feita. As marcas de whisky cada vez investem mais no Brasil. E a gente, nas bebidas que julgamos mais gourmet e elegantes. Nesta semana estive em uma livraria, na seção de gastronomia e bebidas, e pude notar o aumento das publicações envolvendo o Chá – uma bebida pela qual o interesse tem aumentado notadamente. Reportagens, lojinhas novas, “drinks” (não alcoólicos) e marcas “bonitinhas” têm surgido cada vez mais no cenário. Desde que eu lancei meu livro (De Marvada a Bendita), o assunto “chá” já se propagou bastante. Tudo bem, o chá não é alcoólico e não “compete” com a cachaça ou qualquer outra bebida. Mas é só um exemplo de como a dupla mídia + investimento consegue colocar um assunto em pauta de forma rápida e eficiente. No meio dele, também houve a febre do Aperol, e até um barulhinho sobre o Vinho Verde. E eu me pergunto: e a cachaça? Porque, num mesmo período de tempo, ainda não vemos nada tão expressivo sobre a cachaça?

Qualquer desavisado que leia este post poderia pensar: está na cara então que a cachaça não tem nada de muito mais interessante para oferecer. Eu pergunto: será mesmo?ç

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PUBLICADO POR:

Comentários

  1. Felipe

    abril 11, 2012

    Sou Produtor de Cachaça artesanal em MG e achei sua matéria muito interessante.
    Primeiramente, o whisky tem tradição de luxo no Brasil desde sempre, a melhora da economia em geral acho que explica o fato do brasileiro consumir mais da bebida. 90% dos alambiques no brasil são pequenos e não dispõem de capital para investimentos em mídia como grandes marcas de whisky e vodka o fazem o que reforça ainda mais o consumo. A cachaça já alcançou um melhora significativa no que diz respeito a espaço de mercado, atinge hoje todas as classes sociais, dentro e fora do país, porém o produto não é visto, na minha opinião, como estratégico para geração de emprego e renda dentro da brasil por parte do Governo.
    Os alambiques em quase sua totalidade se localizam no interior, sendo o norte de Minas por exemplo a( região mais pobre do estado), uma das maiores concentrações deles no brasil, e não se vê uma política fiscal consistente para incremento da atividade. Fabrica de cachaça no brasil não pode ser enquadrada no regime de tributação Simples do governo federal. Cachaça paga 50% de imposto! Não estamos falando de grandes corporações quem empregam milhares de pessoas, mas sim de produtores que localizados em zonas rurais brasil afora que poderiam estar gerando empregos no campo, e não estão porque as altas cargas de impostos muitas vezes matam o negócio ou pior eles decidem partir para a clandestinidades.

  2. Mauricio Maia

    abril 11, 2012

    É Renato, compartilho seu sentimento. Sou assinante do Estadão e quando vi essa matéria sobre o whisky, deu vontade de voltar para a cama… Doeu no estômago.
    Também fico contente com o reconhecimento da cachaça no mercado norte-americano, mas acho que isso é mais a correção de um erro técnico e fiscal, do que um ganho efetivo.
    Ainda temos um enorme preconceito interno – aqui mesmo no Brasil – com a cachaça (veja o caso do whisky) e devemos lutar ferozmente contra isso. Porém não é “fugindo” para os EUA que vamos ganhar essa briga. Mas talvez isso ajude. Abraço.

  3. Renato Figueiredo

    abril 11, 2012

    Muito bom, Mauricio, concordo muito com você. Minha esperança é de que esta notícia possa “aquecer” um pouco os investimentos na bebida, e servir como um empurrãozinho; abrir mais uma janela. Só que, claro, como você mesmo falou no teu blog (http://www.ocachacier.com/mm/?p=1177), é necessário focar no VALOR e não apenas na quantidade.
    Grande abraço!

  4. Renato Figueiredo

    abril 11, 2012

    Pois é, Felipe, você toca em pontos importantíssimos – que é o apoio do governo aos pequenos produtores e regiões. A Cachaça é importante para a economia destas pequenas regiões, no entanto, há pouca atenção a ela. É um trabalho imenso que temos, realmente, pela frente, mas é legal ver que aos pouquinhos todo mundo está tomando consciência disto. Forte abraço!

  5. Steve Luttmann

    abril 11, 2012

    concordo também Renato.

    eu acho que isso é uma etapa importante para Cachaça e para Brasil. as vezes, precisa uma coisa ‘fora’ de valoriza que tem ‘dentro,’ e finalmente podemos explicar correctamente nos EUA o que é Cachaça sem falando ‘Brasilian Rum.’ eu estou aqui todo dia em NY, brigando os whiskys e os vodkas e explicando porque a Cachaça é uma coisa bem especial…neste reconhecimento vai ajudar muito de estabelecer Cachaça aqui ‘fora’…

    eu nao sei porque brasileiros nao valorizem a cachaça mais – é realmente uma coisa especial. pode ser que pessoas sempre valorizam que esta valorizado de fora?

    mas com mais valorização de fora, eu espero que brasileiros vai começar de entender que a Cachaça é realmente especial, tao especial como qualquer whisky ou vodka importado. culturalmente e sensorialmente.

    neat, on the rocks, or in any cocktail you want….

    um abraço para voces (it’s finally spring in NYC!!!)

  6. Raphael

    dezembro 3, 2015

    Boa noite Steve.

    Sou fabricante e tenho interesse em introduzir e explorar meu produto. Tem excelente qualidade e preço.
    Caso tenha interesse favor entrar em contato pelo +5531973303127 watsh app.

    Obrigado

  7. Renato Figueiredo

    abril 11, 2012

    Hi, Steve!
    Thanks a lot for your comment, I’m glad you enjoyed the text.

    I’m really a great fan of Leblon’s campaign, I’ve mentioned it earlier in this blog, and I’m really happy that now USA has finaly agreed into that matter we all so much wanted.

    And, yes, I totally agree w you about what you say, and I also think that we, brazilians, tend to put value in what comes from abroad. But that can change when Brazil becomes best seen from abroad, too. Perhaps when foreing people put value on us (and our product), we start to do the same! That’s what I most hope this deal could bring.

    Hope you’ll enjoy the spring w great caipirinhas! Since you’re at the flowers season, have you tried the one with rose syrup yet? I had, and, coincidentally or not, I’ve used Leblon during the prep. Very good, specially with some lemon zest to break the sweetness of the syrup!

    Best!
    Renato.

  8. Roberto Santiago

    abril 12, 2012

    Renato, o brasileiro tem preconceito com a cachaça. É raro encontrar uma carta de cachaça em bares e restaurantes onde a bebida é comercializada. Pelo lado do produtor, percebe-se muitos na clandestinidade concorrendo deslealmente com os formais. Neste caso, deve-se a falta de fiscalização do poder público. Em Minas Gerais especular-se a existência de cerca de 8 mil produtores, mas somente cerca de 400 são são formalizados. O reconhecimento da cchaça como produto original do Brasil pelo governo norte-americano é um fato positivo. Abre novas perspectivas de mercado. Inicialmente, os produtores industriais saem na frente pois já possuem infraestrutura para exportação. Já os pequenos produtores artesanais terão que se adaptar ao exigente mercado nore-americano. As associações de produtores terão importante papel nesse processo.

  9. Renato Figueiredo

    abril 12, 2012

    Caro Roberto,
    Obrigado por levantar pontos tão importantes. Com certeza, o papel das associações é crucial para o sucesso dos pequenos produtores. Vamos torcer para que saibamos aproveitar bem estas novas oportunidades.
    Forte abraço!

  10. Alexandre

    abril 15, 2012

    Renato,
    Minha bebida é o whisky. Tenho até um site a respeito: http://www.singlemalt.com.br
    Mas adoro a nossa Cachaça também.
    Volte e meia eu deixo de comprar uma garrafa de whisky para abrir espaço no meu bar para nossa Cachaça.
    Desculpa minha ignorância quanto a Cachaça, mas vou tentar fazer um paralelo com a indústria de whisky que conheço bastante (já visitei quase todas as destilarias da bebida na Escócia e no EUA).
    Acho que falta basicamente 2 coisas com a Cachaça:
    1 – Legislação que estabeleça o que é Cachaça e como ela deva ser produzida.
    Como esta a legislação? Foi aprovada? Esta em vigor?
    Lembro que existiam umas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura. Mas acho que os produtores não eram obrigados a seguí-la.
    Scotch Whisky e Bourbon tem uma legislação específica que ajuda o consumidor a entender o produto e a ter idéia da qualidade que ele deva esperar da bebida.
    Apesar da legislação amarrar o produtor, ela beneficia a identificação do produto e o entendimento dos seus parâmetros de qualidade.
    2 – Surgimento de um mercado de Cachaças Premium. Enquanto não vermos Cachaças mais envelhecidas e com uma embalagem bonita e moderna, o produto será encarado como inferior por parte dos consumidores.
    Não dá para esperar que o mercado internacional, por exemplo, leve a sério uma Anísio Santiago que é vendida em uma simples garrafa de Cerveja da década de 60.
    O importante não é apenas o líquido que está dentro da garrafa, mas também a forma de apresentação desse líquido. Os produtores de whisky da Escócia e principalmente do Japão entenderam muito bem esse aspecto da indústria. No Japão a embalagem chega a ser até mais importante que o produto em si (um aspecto cultural).
    Tudo bem que não precisamos exagerar na beleza e sofisticação no início, mas já está mais que na hora dos nossos produtores de Cachaça prestarem um pouco mais de atenção aos detalhes. E o Diabo está exatamente nos detalhes.
    Abraços,
    Alexandre.

  11. Renato Figueiredo

    abril 15, 2012

    Caro Alexandre! Muito obrigado pelos comentários. Muito interessante seu site; fico feliz também que tenha curiosidade e abra espaço para Cachaça!
    Suas observações são bastante pertinentes; concordo com o que você coloca no ponto 2, sobre o marketing e o mercado das Cachaças Premium; é mais ou menos nesse intuito que trabalhamos também.
    Quanto à Legislação, já existem algumas leis que definem o que é Cachaça; no entanto falta muito no quesito apoio ao pequeno produtor, fiscalização de qualidade e associação de classe.
    Não sei como é exatamente o Whisky nos EUA, creio que a indústria seja muito forte por lá, mas o que tenho notado, com a maior parte das bebidas é que fortes Associações são importantíssimas para alavancar o mercado. Mas muitos produtores ainda não se atentaram para isto, uma pena.
    Obrigado pela visita e o comentário.
    Abraços,
    Renato.

  12. Khalil Tocci

    abril 16, 2012

    Renato,
    Muito interessante seu alerta. Mas mesmo com todos esses fatos, entendo que houve um avanço para o universo da cachaça. Como um consumidor apenas, poderia não festejar a notícia do reconhecimento de denominação típica pelo EUA, porque um aumento da demanda externa implica num aumento de preços para o consumidor Brasileiro. Sei que não vai tardar para o produtor da cachaça de qualidade fixar seus preços internos a partir do preço de exportação. Por outro lado o consumidor interno também ganhará porque o produtor que quiser se adequar ao exigente mercado externo terá que investir em tecnologia e marketing adequado, melhorando a qualidade da cachaça para nós consumidores.
    Seria interessante também que a partir desse avanço, nós Brasileiros, tivéssemos uma informação por parte dos produtores nos seus rótulos, do que é cachaça, cachaça-envelhecida, cachaça premium e cachaça composta. Já está mais do que na hora, por uma questão de justiça, ter informações completas e corretas nos rótulos dos produtores de cachaça. Assim determina a lei. Por que é tão difícil fazer os produtores assumirem nos seus rótulos a identidade dos seus destilados ?
    Tomara que junto do inevitável e justo possível aumento preços da nossa deliciosa cachaça tenhamos nos rótulos das mesmas as informações corretas sobre o destilado engarrafado e que essas informações não sejam apenas para o mercado externo.
    Ler num rótulo a palavra cachaça para um álcool de cana que ficou anos sendo modificado dentro de um barril ou para o mesmo álcool totalmente modificado por ervas é uma agressão, uma mentira, uma injustiça com os produtores sérios.
    Forte abraço, Renato.

  13. Renato Figueiredo

    abril 18, 2012

    Caro Khalil,
    Muito obrigado pelo comentário, concordo com muitos de seus argumentos e alertas, e agradeço, inclusive, a iniciativa de postá-los aqui.
    Com certeza, uma melhor especificação do produto vendido com o nome de Cachaça é necessário; e, mais ainda, ao meu ver, aquela que diferencia uma Cachaça de alambique de qualidade de outros exemplares menos “cuidadosos” ou “trabalhados”.

    Quanto a escalada de preços, acho que será natural e esperado que, junto a uma melhora na média de qualidade e investimentos na produção de boas cachaças, esta escalada será esperada. Mas não acho que este acordo será responsável por um exorbitante aumento de preços, embora você tenha feito uma boa observação e um alerta! De qualquer forma, temos todas as condições para produzir boas cachaças para todos os gostos, e bolsos!

    Forte abraço!
    Renato.

  14. Leandro Espinoza

    abril 25, 2012

    Renato,
    Lendo os comentários, deixo minhas considerações:
    1 – As exportações de cachaça estão estagnadas há mais de 7 anos. Vejam os dados do IBRAC, menos de 1% de nossa produção é exportada.
    2 – O reconhecimento americano é muito importante mas nosso maior mercado internacional é a Europa, especificamente a Alemanha. Lembro que o continente europeu enfrenta (ainda) uma crise econômica e que não tem aumentado o volume de suas importações.
    3 – O “reconhecimento” americano na verdade é um acordo. Eles reconhecem a cachaça como produto exclusivo e genuinamente brasileiro e nós reconhecemos como legitimamente americanos os uísques Bourbon e Tenessee.
    E olha o uísque aí de novo…
    4 – Conforme bem frisou Felipe, no primeiro comentário deste post, o primeiro passo para qualquer reação do setor é a mudança do tratamento fiscal e tributário do governo brasileiro para com os pequenos e médios produtores, os quais, sem sobra de dúvida, produzem as melhores cachaças e são diretamente responsáveis pela geração de renda em comunidades onde a presença do Estado deixa muito a desejar.
    5 – Acredito muito que compete àqueles que têm o conhecimento a responsabilidade por mudanças. Vejo que no Mapa da Cachaça temos a participação de excelentes profissionais que de alguma forma estão envolvidos com o setor. Ações concretas podem ser elaboradas aqui, em conjunto, para promoção adequada da cachaça e verdadeiro estímulo ao setor.

    Abraço

    Leandro Espinoza
    Químico e especialista em tecnologia de produção de cachaça

  15. Renato Figueiredo

    abril 26, 2012

    Caro Leandro!
    Fico contente com seus frequentes comentários tão construtivos e informativos.
    Você lembra bem o fato do “reconhecimento” ser sim um acordo, e dar valor também ao Bourbon Americano. Mas creio que podemos comemorar também; o mercado alemão realmente é nosso maior consumidor, mas o americano não é ruim não. Agora, concordo completamente com o que você diz em relação ao regime tributário e apoio do governo; é disto que precisamos. Obrigado por acompanhar a coluna e o MdC. Sua participação garante o que você afirma no ponto 5!
    Forte abraço!
    Renato Figueiredo.

  16. ronildo palheta

    outubro 21, 2012

    Olá Renato sou garçom e bartender e a oito anos atuo como professor dos mesmos cursos no Senac de Belém do Pará, formado em Instrutor de Restaurante pelo Centro Universitário Campus Campos do Jordão-SP. Tenho estudado sobre a nobre bebida brasileira que é a nossa cachaça. Em minhas pesquisas sobre o assunto passei a degustar algumas amostras e confesso a minha alegria em descobrir que temos um ótimo produto a ser trabalhado desde que com muita responsabilidade, ainda não li seu livro, mas assim que o encontrar terei o maior prazer em mergulhar em sua obra, pois, estou muito interressado sobre o assunto. Um grande abraço e conte comigo e com certeza com um grupo de vinte e um instrutores de dezeseis estados que integraram a turma a qual tive o prazer de ter feito parte no ano passado.

Seleção de Cachaças

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