Cachaça Colombina reedita primeiro blend de madeiras da Coleção Chita em comemoração ao centenário da marca

Cachaça Colombina Chita Vinho

Criada para a comemoração dos cem anos da marca mineira, a cachaça Colombina Chita envelhecida em jatobá e amburana terá edição extra com apenas 300 garrafas.

O jatobá, quem diria, madeira consagrada da Cachaça Colombina, deixou o parol da Fazenda Canjica, em Alvinópolis (MG), para se juntar a outras espécies num processo de renovação de tradições. Não que o sistema de armazenamento do alambique centenário tenha sido aposentado, ao contrário, segue firme em uso.

O que o produtor, Luciano Souto, percebeu é que mudanças no processo de fabricação e envelhecimento da cachaça podem significar melhorias, sem que para isso seja preciso perder a identidade ou se afastar da história. Assim, ele decidiu expandir os usos do jatobá, para conquistar outros públicos, transformando a madeira símbolo da Colombina na anfitriã de novos casamentos entre madeiras e cachaças.

Antigo Parol - cachaça Colombina
Parol de jatobá
Antigo alambique da colombina
Alambiques de cobre
Alambique moderno de fogo indireto da cachaça Colombina

Colombina Blend dos 100 anos: blend exclusivo de jatobá e amburana

A Coleção Chita na versão vinho é o lote inaugural de uma série criada para a comemoração dos cem anos da marca mineira artesanal, celebrados em 2020. O blend foi lançado, inicialmente, junto a um kit colecionável com três garrafas de 375ml que incluía as consagradas Colombina 10 anos e Colombina Cristal. A versão limitada agradou tanto que o alambique decidiu soltar uma edição extra, exclusiva do blend.

 
Veja mais: Mulheres, paróis e um mercador – os 100 anos da cachaça Colombina

O novo lote da Colombina Blend dos 100 anos chega com apenas 300 garrafas, até pelo pequeno volume produzido, mas mostra a vontade da marca em conceber produtos diferenciados. A cachaça passou por barris novos de jatobá e amburana, num processo de envelhecimento que levou um ano.

A escolha das madeiras e da proporção para compor essa primeira criação contou com o auxílio do mestre de adega, Marcelo Pardin, que assina outros cinco blends colaborativos e ainda inéditos da Colombina, com lançamentos previstos para o segundo semestre. Todos criados a partir do desejo de aproximar diferentes produtores e perfis de cachaça dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.

“Sabíamos que não seria um blend tão simples. O jatobá e a amburana são duas madeiras muito valentes que apresentam uma gama de sabores intensos. Estudamos meses para chegar ao equilíbrio perfeito e ficamos muito satisfeitos com o resultado”.

Luciano Souto, produtor da Cachaça ColombinA

Coleção comemorativa de 100 anos da Cachaça Colombina

Luciano conta que o desafio na hora da blendagem foi destacar cada madeira, sem que uma predominasse sobre a outra. O resultado mostra camadas de sabores que ora se ressaltam, ora se complementam. De saída, a amburana surge em toda sua potência. Abre o aroma e fecha a experiência, deixando o dulçor do jatobá brincar na boca antes de se despedir. A Coleção Colombina Chita Vinho harmoniza bem com frutas secas e doces. O produtor recomenda o consumo para sobremesa ou ainda acompanhado de cervejas escuras.

Identidade visual da Colombina Blend dos 100 anos

À primeira vista, o que chama a atenção é a tonalidade intensa do líquido que se sobressai dentre as outras cachaças da marca Colombina, algumas das quais com até mais tempo na madeira. A longevidade e o tamanho dos paróis (grandes reservatórios retangulares) não permitem uma transferência tão acentuada como a entregue pelos tonéis novos, de 700 litros.

Edição Especial Colombina Chita Vinho
Selo em cera destaca o centenário da cachaça Colombina

A cor também influenciou na identidade visual da garrafa que mistura os tons de vermelho, vinho e dourado. Baixa, transparente e de boca larga com uma rolha fora do padrão, o modelo foi escolhido para ressaltar as características do blend e marcar o começo de uma nova era da Colombina.

A reverência ao passado também está presente no selo de 100 anos que lembra os antigos lacres em cera que fechavam correspondências. A tampa ainda é revestida de tecido chita, que dá nome à coleção, uma justa homenagem à cidade onde o alambique está estabelecido e também à origem da família produtora, ligada à produção têxtil.

A marca Colombina foi criada em 1920 por um mercador que percebeu uma oportunidade de negócio com a cachaça. Ele comprava a produção de alambiques locais, estandardizava a bebida e depois distribuía sob o mesmo rótulo. Entre os fornecedores, estava o alambique do Canjica, que era tocado à época por duas mulheres.

Veja mais: O que é uma cachaça estandardizada?

Nos anos de 1990, e com a fazenda do Canjica já sob nova direção, a história foi recuperada e a marca reativada. Desde então, essa é a primeira vez que a Colombina trabalha com uma cachaça que mistura madeiras. Até então, o alambique só havia experimentado blends dentro das nuances entregues pelo próprio jatobá.

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Ana Paula Palazi

Ana Paula Palazi

Jornalista, repórter, especialista em jornalismo científico e cachaceira. Atualmente, misturando comunicação, cachaça e percepção pública da C&T num mestrado pela Unicamp

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