Quando tiver um tempinho, veja essa reportagem no link abaixo que saiu esses dias sobre a branquinha. Muito interessante e completa, e eu gostei muito dela. No entanto, quando você for assisti-la, vai notar que ela começa falando da Cachaça com muitas imagens “para baixo” (pessoas bêbadas, em cenários muito populares, etc.).

SBT: Cachaça cai cada vez mais no gosto dos Brasileiros

Uma rápida busca no YouTube vai resultar também em várias dessas imagens, algumas delas nem brasileiras são mas que atrelam a Cachaça ao estado de embriaguez dos indivíduos nelas relatados. Alcoolismo, descontrole, beber em excesso são atitudes combatíveis e que trazem muitos males para nós. Outra coisa, por incrível que pareça, asfalto, rua, e trânsito são partes de vários destes vídeos – e eu acho isso particularmente perigoso.

Embora tudo isso seja um truísmo, uma verdade óbvia, continuamos a produzir, veicular e divulgar esse imaginário atrelado à bebida nacional – seja em nossas redes sociais, seja em nosso papo de bar, sejam naquelas piadinhas que ainda persistem envolvendo a bebida.  O tabu continua sendo alimentado, às vezes por querer, às vezes sem querer. O que eu acho é que, quando formos falar da Cachaça – sejamos jornalistas, publicitários, escritores, chefs, produtores, divulgadores ou, principalmente, apreciadores – nós precisamos fornecer uma abordagem mais inédita. Que tal sermos representantes de uma nova voz?

Precisamos tomar cuidado para não resvalar para este imaginário antigo: o velho, o alcoólatra, o excesso, o “popularesco”. Ficar repetindo ou divulgando esse discurso forte na sociedade, mesmo que falemos depois que a Cachaça está sendo valorizada (como é o caso dessa reportagem e de muitas outras), torna difícil, para quem ouve, realmente acreditar no que vem pela frente. As imagens negativas podem trazer à memória fortes lembranças, e essas muitas vezes podem ser mais expressivas do que a nova imagem que se pretende criar. Lembrar a todo momento que um tabu está aí nem sempre ajuda na tarefa de esquecer que ele algum dia existiu.

Foto de abertura: usuário diogro do Flickr, sob licença CC.

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  • Felipe
    julho 6, 2011 at 9:04 pm

    Oi Renato. Acredito no seu ponto apresentado. Mas por outro lado, o brasileiro é mundialmente conhecido por usar da comicidade e da graça para tratar de si mesmo e dos seus problemas. Ou seja, o brasileiro sabe tirar sarro da própria cara. Você acha que esse aspecto deve ser desvinculado quando falamos de Marketing e Cachaça? Tem como ser politicamente incorreto quando tratamos do destilado brasileiro?

  • JOSÉ EUGÊNIO DE FARIA
    julho 7, 2011 at 3:46 pm

    Olá Renato, como sempre você foi brilhante em suas palavras ! Realmente nós que somos do ramo da Cachaça temos que nos fazer respeitar e trabalharmos para acabar com esse preconceito que ainda existe em relação á nossa querida Cachaça de Alambique.

    José Eugênio de Faria
    Dir. Com. Cachaça Alegria dos Currais de Minas

  • renato
    julho 9, 2011 at 1:49 pm

    Felipe,
    Eu acho que você levanta um ponto muito interessante da cultura brasileira, e muito genuíno. Acho essa despretensão do brasileiro muito gostosa e muito verdadeira se quer saber. No entanto, eu acho que o que a gente faz com a Cachaça não é bem isso: está mais para o resvalar em “piadinhas” negativas do que para um aspecto cultural louvável. Para mim, elas se parecem muito com as piadas voltadas para as minorias, sabe? Mais depreciativas do que engrandecedoras. Na minha visão acho que falta ainda mostrar que temos realmente a consciência de que a Cachaça é uma boa bebida e que pode ser consumida de modo mais interessante. O excesso de piadas, e imagens para baixo, ao meu ver, ainda nao mostra isso. Mas, de novo, vc tem razao no que afirma em relação a nossa identidade. Isso é legal, mas podia ser usado de formas mais construtivas, eu penso.

  • renato
    julho 9, 2011 at 1:52 pm

    Olá, José Eugênio!
    Mais uma vez, obrigado pelas palavras e apoio! Não faria sentido escrevermos aqui se não tivéssemos quem se dedicasse à Cachaça de qualidade, não é mesmo!
    Um abraço,
    Renato.

  • Hércules
    agosto 3, 2011 at 11:01 am

    Parabéns pelo texto Renato. O que se divulga em torno da cachaça é preconceito, e não a pitoresca ironia brasileira. Interessante é que a maioria dos desastres advêm do consumo de outra bebidas pelas classes média e alta. Acredito que, à medida que o País for se desenvolvendo, e a estima do nosso povo se elevar, se cumprirá o vaticínio do jurista Sobral Pinto, que previu a cachaça como a bebida mais apreciada do planeta. Claro que para ser utilizada como aperitivo, ou caipirinha, com moderação, não como panacéia para problemas psíquicos.

  • […] Mudando o Imaginário da Cachaça de um “jeito Cachaça” […]

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