A cachaça precisa do branding
Verallia

A cachaça precisa do branding

23 de 04 de 2015

Branding

Vimos muitas marcas de cachaça realizarem ações nos últimos tempos para tentar abrir as portas do mercado internacional. Product Placement, mudanças no rótulo e na linguagem visual e verbal, entre outras ações de marketing, são exemplos do que as marcas têm feito para atingir este mercado – e sair da posição de bebida barata de qualidade inferior para um destilado nobre, como o whiskey e a vodka. Porém, apenas ações de marketing não são suficientes para mudar profundamente uma imagem  e inserir um produto que tem cinco séculos de história em um ambiente totalmente novo. Para chegarmos a estes mercados é preciso mais que marketing; é preciso branding.

Em sua mais simples definição, branding é o trabalho de gestão estratégica de uma marca. É identificar, melhorar e alinhar a personalidade da marca ao seu comportamento, comunicação e estratégia de negócio. Um bom exemplo da ação do branding sobre uma marca é o das Havaianas. Uma sandália de tiras de borracha que era associada a trabalhadores e a preços baixos que se reinventou, se reposicionou no mercado e, atualmente, é uma das marcas mais lembradas no mundo quando se fala de Brasil. O sucesso é tanto que um par das sandálias pode ser encontrado por preços que variam de R$15 a R$1.500. O segredo desta mudança? Branding, visão estratégica e paciência – afinal, não se muda um posicionamento do dia pra noite. Em sua tese de doutorado em design pela PUC, Gabriela Botelho afirma que “a gestão da marca Havaianas conseguiu por diversas ações estratégicas, em menos de duas décadas, transformar a imagem de produto de consumo popular, sem significado erudito, uma imagem de marca originada no Brasil, que enaltece as qualidades do país, unindo os brasileiros”. Alguma semelhança com o caso da cachaça?

Em entrevista ao Brasil Econômico, Ignacio e Tomás Osborne, herdeiros da empresa familiar Osborne – que recentemente adquiriu 51% da Natique, empresa brasileira produtora da cachaça Santo Grau, falam sobre a internacionalização da cachaça marca e sobre a importância do branding no processo de popularizar a bebida em outros países. “Quando se fala em uma bebida espirituosa, como é a cachaça, é preciso fazer um intenso trabalho de branding para abrir esses mercados que só conhecem a cachaça de baixa qualidade utilizada para misturas. São pelo menos cinco anos de trabalho”, diz Ignacio sobre a entrada da bebida no mercado espanhol.

Com o objetivo de abrir novos mercados, a cachaça Cuca Fresca contratou um garoto propaganda com grande visibilidade no mercado norte-americano. O rapper, ator e produtor Snopp Dogg apresenta a cachaça para o gigante mercado dos EUA com uma propaganda que fortalece a mensagem do: seja diferente, inove, quebre as regras – uma proposta de branding que foge do carnaval, samba e futebol.

Enquanto algumas marcas trabalham na reinvenção de si mesmas, outras surgem já com todos os esforços apontados na direção do mercado internacional, como é o caso da cachaça Zeca. Criada pela família Matos, mineira e com quatro gerações de cachaceiros, a marca cachaça Zeca foi desenvolvida e lançada pela FutureBrand – uma das maiores agências de branding do mundo. Além de toda a estratégia – finalidade, proposta, posicionamento de marca e valores fundamentais traduzidos em uma identidade e design voltados ao público estrangeiro – o fato de uma agência de branding lançar sua própria marca de cachaça nos mostra que, sim, a tendência é que estratégia e posicionamento sejam essenciais na construção da cachaça como bebida nobre e de reconhecimento internacional.

Branding para a valorização da cachaça 

O Mapa da Cachaça é um exemplo de planejamento e aplicação do branding, pois tem como objetivo valorizar e reposicionar a cachaça de alambique. Não se trata de publicidade, marketing ou venda, mas de estudos, estratégias, ações e a utilização de diversas ferramentas para apresentar a cachaça – ao mundo e principalmente ao próprio Brasil – como um produto que representa a história e cultura do nosso país.

E você, acha que a gestão estratégica das marcas é importante para o futuro do mercado de cachaça? Deixe sua opinião nos comentários.

Anúncios

PUBLICADO POR:

youtube google-plus facebook twitter instagram user filter list