Os estrangeiros estão investindo em cachaça

Vamos lembrar de grandes marcas brasileiras? Havaianas, da Alpargatas. Casa Bahia. Guaraná Antártica e cerveja. E outras menos óbvias como Boticário, Habib’s e Caloi. Todas marcas duradouras, ainda contemporâneas, e que estão até hoje fazendo grande sucesso aqui dentro e, algumas vezes até lá fora. Sabe o que elas têm em comum, além de serem ‘brasileiras’? Todas foram fundadas, ou co-fundadas, por executivos estrangeiros radicados aqui.

A história do Brasil foi construída pela mão de muitos brasileiros, é fato, mas brasileiros esses que também parecem ter contado com gente de fora para valorizar sua própria cultura e, principalmente, capacidade. Comecei a notar esse “fenômeno” já no mundo da fotografia. Nomes como Pierre Verger, Thomaz Farkas (!): sempre uma pronúncia difícil ao falar de algo super brasileiro. Houaiss (o dicionário): tem muito estrangeiro envolvido quando o assunto é Brasil.

E o que isso tem a ver com Cachaça? “Tem a ver que o seguinte”: quando ‘cheguei’ no universo da Cachaça de repente me deparei com um fenômeno parecido – estrangeiros estavam investindo mais tempo e esmero na divulgação e valorização da Cachaça do que nós próprios brasileiros. Isso pode parecer uma grande ameaça, principalmente para quem vê a história do Brasil com os olhos que eu vejo, que enxergam um país vendido ao exterior, aberto ao capital estrangeiro, e pouco cuidadoso ou preocupado com suas riquezas. Falar em “estrangeiro” é sempre uma grande ameaça.

Alguns exemplos do que está acontecendo a gente conta nessa série de artigos chamados de Marketing da Cachaça.

No entanto, temos que prestar atenção e sermos, talvez, mais cuidadosos em relação a isso. Existem marcas de Cachaça lideradas por executivos estrangeiros, tais como Cachaça Cabana, Cachaça Leblon, Água Luca e uma por mim recém descoberta Soul, que têm feito um interessante trabalho de marketing pela brasileirinha. Será que mais vale uma marca 100% nacional que exporta seu produto a granel, quase como uma commodity, para ser vendido no exterior com outra marca, ou uma marca “pseudo-nacional” como algumas dessas, fundada por não brasileiros, mas que valorizam mais do que nós próprios a cultura brasileira?

Não acho que todas as campanhas e iniciativas sejam válidas (vocês verão posts ainda sobre isso), mas também acho que temos excelentes trabalhos sendo feitos aí. Acho que é louvável, e temos muito a aprender com eles. Nem que seja para entender  que quem enxergou a oportunidade primeiro foram eles. Mas ainda há tempo de dizer que o Brasil também sabe fazer sozinho. Que o digam Luiz Seabra (Natura), Amador Aguiar (Bradesco), Rogério Farias (Troler), Edson Moura (baterias Moura). Ou o pessoal da Germana, Sapucaia, Armazem Vieira, Canarinha, Rochinha, Serra Preta, Dona Beja, Santo Grau, Tabaroa, Nêga Fulô, Volúpia, Casa Bucco, da Tulha, Maria Izabel, Magnífica, Claudionor, Vale Verde, Havana e até da… Weber Haus.

 

Em tempo: Weber Haus é o nome de uma marca de Cachaça produzida no sul do país. Mas tem nome quase tão complicado como Houaiss! E todas as outras não são escolhidas aleatoriamente: tratam-se de todas as marcas que, como a última, fizeram bonito e foram selecionadas no Ranking Playboy da Cachaça de 2009.

Foto: Ana Carmen, usuária Flickr, sob licensa Creative Commons.

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  • Alexandre
    julho 16, 2011 at 11:18 am

    Gostei muito das colocações. Acontece em muitos setores e inclusive cada vez mais nas cachaças. Temos que mostrar as pessoas, através de todos os meios a questão para enriquecer a discussão e não deixar marcas genuinamente nacionais serem esquecidas por força do marketing, puro e simples.
    Temos que considerar a história num produto tão brasileiro como a cachaça, embora saibamos que o marketing é sempre parte importante desse trabalho, mas o conteúdo deve ser analisado. Abraço a todos!

  • Alexandre
    julho 16, 2011 at 11:21 am

    O que vale mesmo é uma marca 100% nacional, que não vende seu produto a granel e sabe agregar valor… mas existe um grande trabalho pela frente no mercado para mostrar ao consumidor isso. Ele também precisa saber.

    • mapadacachaca
      julho 16, 2011 at 1:06 pm

      Oi Alexandre, aqui no Mapa da Cachaça queremos mostrar isso para os consumidores. É não é tão dificil, já que é a cachaça é um produto tão rico de história, cultura e sabor! Não deixe de visitar o http://www.guia.mapadacachaca.com.br – estamos mapeando as histórias dos alambiques. É um cadastro gratuíto e colaborativo.

  • Carlos Alberto Pereira da Silva
    novembro 16, 2011 at 7:53 pm

    RENATO estou em pleno acordo com voce quando sua fala transmite a força representativa da cachaça artesanal,falo isso com um pouco de conhecimento de familia venho de familia produtora de refrigerantes, groselha e cachaça. e atualmente estou aposentado e iniciei em meu Sitio o fabrico de cachaça temos que valorizar aquilo que é feito com bastante responsabilidade e capricho a alta qualidade do produto vai ser o carro chefe do produto e o marketing é o nosso cliente que comentará com os demais que ainda não obtiveram o produto. Continue nesse seu proposito de enaltecer nossa cachaça pois é um orgulho de todos os brasileiros.

  • Renato Figueiredo
    junho 8, 2012 at 5:41 pm

    Caro Carlos Alberto,
    Muito obrigado pelo comentário e boa sorte em sua empreitada na valorização da nossa bebida!
    Renato Figueiredo.

  • Gabriel Ilário Lopes
    fevereiro 5, 2013 at 7:17 pm

    Ótima colocação. Precisamos aprender muito com os “estrangeiros”, mas nunca tentar “transplantar” os valores e a cultura de fora. Sou sommelier de cervejas e vejo a “invasão” da cultura cervejeira no Brasil. Uma cultura que, quando estudada e observada a fundo, revela uma íntima relação com a história de países como Alemanha, Bélgica e Reino Unido. A raíz da cultura cervejeira está lá, na história desses países e, por mais que se produza cerveja de qualidade no Brasil, dificilmente teremos o mesmo cenários que na Europa. Até os EUA, que vivem um boom de micro-cervejarias têm um panorama diferente do europeu. Desse mundo da cerveja podemos tirar boas lições: admitir a cachaça como um bem cultural brasileiro; compreender a relação da cachaça com nossa história. Se, na Alemanha, o costume é consumir cerveja na própria cidade em que ela foi produzida, aqui, podemos incentivar e valorizar o consumo da cachaça dos vários alambiques que nossas cidades têm. Embora isso já aconteça (aqui no Vale do Paraíba-SP, praticamente toda cidade tem um ou mais alambiques), é preciso institucionalizar essa cultura, mostrá-la como um dos nossos elementos culturais. E, nesse movimento, valorizaremos o consumo de qualidade da bebida: cachaças bem feitas, consumidas com consciência e moderação e afastaremos os tantos estigmas que a bebida carrega. Vamos divulgar os diferentes tipos de cachaça, suas possibilidades gastronômicas, as diferentes sociabilidades que se podem realizar em torno da bebida…enfim, divulguemos a CULTURA CACHACEIRA.

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