Linha do tempo da cachaça - Mapa da Cachaça
Ethylica

Linha do tempo da cachaça

A origem milenar do cultivo da cana-de-açúcar e dos processos de destilação foi o ponto de partida de uma trajetória marcada pelo colonialismo europeu – muitos séculos se passaram para que a cachaça, enfim, se transformasse de moeda de troca a elixir de celebração.

Navegue pelos séculos de história que fazem da cachaça um dos destilados mais antigos da América e uma das bebidas mais ricas do mundo.

Linha do Tempo da Cachaça

500 a.C.

Primeiros indícios de destilação

Indícios de destilação de caldo de cana-de-açúcar fermentado em vasos de barro no Paquistão.

722-804 d.C

Geber e os vapores inflamáveis

Primeira referência documentada sobre os “vapores inflamáveis” contendo vinho fervente e sal em Kitab ikhraj mafi al-quwwa ila al-fi`l do alquimista Jabir ibn Hayyan, também conhecido pelo nome latinizado de Geber.

1394-1469

Cana e aguardente nas colônias portuguesas

Durante o reinado de D. Henrique I a cana-de-açúcar trazida da Ásia começa a ser cultivada nas colônias portuguesas, mais especificamente na Ilha da Madeira. Há inclusive indícios de produção de aguardente de cana nas colônias portuguesas.

1502

Cana de açúcar no Brasil

As primeiras mudas da cana-de-açúcar começam a ser trazidas para o Brasil pelo explorador português Gonçalo Coelho.

1516

Itamaracá, primeiro engenho de açúcar no Brasil

Com a crise do comércio no Oriente e as enormes despesas com a manutenção do império português, D. Manuel, rei de Portugal, incentiva a criação de engenhos no Brasil. Pedro Capico, em Pernambuco, na feitoria de Itamaracá, constrói o primeiro engenho de que se tem registro no Brasil.

1512

Engenho na Bahia

É instalado o primeiro engenho em Porto Seguro (BA).

1531

Martim Afonso funda a Vila de São Vincente

A expedição de Martim Afonso de Souza funda a Vila de São Vicente, dando início ao plantio de cana, e são construídos os engenhos Madre de Deus, do Governador e de São João.

1550

Primeira menção escrita de destilado de cana

Al-Antaki, alquimista do Cairo, menciona a fabricação do “araq de cana-de-açúcar e de uva”. (Al-Antaki, Dawud, al-Tadhkira, Cairo, 1282 H, p. 132-134)

1585

Cresce o número de engenhos de açúcar pelo Brasil

Contabilizam-se 192 engenhos no Brasil.

1622

Primeira prova documentada sobre a origem da cachaça

Na Bahia, no livro de contas do Engenho de Nossa Senhora da Purificação de Sergipe do Conde, entre os dias 21 de junho de 1622 e 21 de maio de 1623, foi relatada no cálculo de despesas “Hua canada de augoa ardente para os negros da levada por v 480”.

1629

Ciclo do Açúcar no Brasil

Os números de engenho avançam pelo litoral brasileiro e chegam a 349.

1635

Cachaça começa a incomodar a bagaceira

O comércio de cachaça começa a desestabilizar o mercado português da bagaceira. Por isso, em 1635, D. Maria, a Louca, institui um decreto que proíbe a venda da cachaça na Bahia.

1649

Carta Régia proibindo a produção de cachaça

A Coroa portuguesa expede Carta Régia proibindo a fabricação e a venda da aguardente. O motivo é a concorrência da cachaça com a bagaceira portuguesa. A produção ainda era permitida em Pernambuco, e o consumo, liberado à população escrava.

1660-1661

Revolta da cachaça

Ocorre a Revolta da Cachaça (RJ). Indignados com as constantes cobranças de impostos pela Coroa e perseguidos por vender o destilado, os produtores de cachaça e proprietários dos engenhos fluminenses se revoltam e tomam o poder por cinco meses, resultando em um dos primeiros movimentos de insurreição nacional.

1743

Proibição por decreto régio na Bahia

Um decreto régio de 24 de fevereiro de 1743 proibiu expressamente a produção de aguardente na Capitania da Bahia. Porém, os engenhos espalharam-se pela Capitania de Minas, suprindo o mercado interno e exportando para as outras capitanias.

1748

    Nova Ordem Régia na capitania de Minas Gerais

    A Ordem Régia proíbe os alambiques da capitania de Minas de usarem mão de obra escrava, que deveria ser dedicada à extração de ouro. Mas as reações da população e as dificuldades de fiscalização tornaram inoperante essa “lei seca”.

    1755

    Terremoto em Lisboa

    Um grande terremoto devasta Lisboa, e um novo imposto para a cachaça é cobrado em 1756 para reconstruir a cidade.

    1750-1770

    Ciclo do Ouro

    A extração e a exportação de ouro passam a ser as principais atividades econômicas do Brasil, no Ciclo do Ouro, que vai durar até o fim do século XVIII.

    1772

    Dinheiro da cachaça para pagar professor

    É criado um Subsídio Literário sobre a venda da cachaça e carnes frescas. O imposto é destinado ao pagamento de professores.

    1786

    Cartas Chilenas

    Uso da palavra cachaça nas Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga.

    1789

    Inconfidência Mineira

    No ano da Revolução Francesa e da Inconfidência Mineira, conta-se que o inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, pediu, antes de morrer, uma dose da cachaça produzida no alambique de sua família, em Coronel Xavier Chaves. O gesto seria um símbolo de resistência contra a Coroa portuguesa.

    1790

    Paraty, importante pólo produtor de aguardente

    Já no fim do Ciclo do Ouro, em 1790, Paraty tinha 87 engenhocas de fabricar aguardente.

    1808

    Ciclo do Café

    A Corte portuguesa vem para o Brasil no período em que a cachaça ainda era um dos principais produtos da nossa economia. Mas ela começa a perder espaço para uma bebida tida como mais nobre: o café.

    1865

    Toque de Corneta para Distribuição de Aguardente

    Em uma das viagens do Mapa da Cachaça, fomos parar em Paty de Alferes (RJ), onde em 1991 foi inaugurado um Museu da Cachaça. No Museu, encontramos uma partitura de 1865 com um toque de corneta para a distribuição de aguardente para as tropas do Governo Imperial do Brasil.

    1889

    República no Brasil

    É instaurada a República no Brasil. A cachaça é discriminada como símbolo do decadente passado imperial.

    1922

    Modernistas e revalorização da cachaça

    Ocorre a Semana de Arte Moderna. Com o Movimento Modernista, a cachaça começa a recuperar o status de símbolo nacional, ao lado de samba, caipirinha, Carnaval e feijoada.

    1995

    Caipirinha na IBA

    A caipirinha foi registrada na lista dos drinques oficiais do mundo no congresso da Internacional Bartenders Association (IBA), no Canadá.

    2001

    Cachaça e cachaça do Brasil como indicações geográficas

    O Decreto 4.062 define as expressões “cachaça” e “cachaça do Brasil” como indicações geográficas, de origem e uso exclusivamente brasileiros.

    2012

    Cachaça não é mais Brazilian Rum

    O governo norte-americano, a partir de 11 de abril de 2012, passa a reconhecer a cachaça como produto “genuinamente brasileiro”, e não mais como Brazilian Rum.

    2014

    Mapa da Cachaça como melhor projeto de gastronomia do Brasil

    Em 2014, o Ministério da Cultura concede ao Mapa da Cachaça o primeiro lugar na categoria Gastronomia no Edital Cultura 2014.

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