A história por trás do rótulo da cachaça Colombina

Cachaça Colombina Chita Vinho

O nome da cachaça mineira, produzida em Alvinópolis, a cerca de 160 quilômetros da capital Belo Horizonte, não foi inspirado nas canções carnavalescas. A marca veio antes mesmo da ilustre personagem teatral vienense do século XVI tornar-se trilha sonora nos blocos e salões de baile brasileiros.

– Colombina, onde vai você?

– Eu vou dançar o iê iê iê

Impossível não cair no clichê. Quem não acompanhou o bloquinho ao som do Pierrot apaixonado que chora pelo amor da Colombina, do clássico “Colombina Iê Iê Iê” de David Nasser e João Roberto Kelly, da década de 60? Sim, a Colombina entrou no “butiquim” e “bebeu, bebeu, saiu assim, assim”, canta outra letra, a “Pierrô Apaixonado”, de Heitor dos Prazeres e Noel Rosa, composta em 1935.

Mas engana-se quem pensa que o nome da cachaça Colombina foi inspirado nas canções carnavalescas. E aí está a maior curiosidade sobre essa mineira de Alvinópolis (MG), seu nome veio antes mesmo da nossa ilustre personagem da Commedia Dell’Arte, (um estilo teatral vienense do séc. XVI), tornar-se trilha sonora nos blocos e salões de baile.

Foi em 1920, que José Acácio de Figueiredo representou a imagem da Colombina com uma taça de cachaça na mão, emoldurou sua figura como nos velhos retratos da parede e gravou seu nome em vermelho forte posicionado como se estivesse coroando sua dama. O rótulo de fundo alaranjado, provavelmente impresso em litogravura, conquistou o primeiro lugar em um concurso da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, evento realizado no país entre 1922 e 1923.

rótulo histórico e amarelado da cachaça colombina
Tradição do carnaval desde o século XVIII, a personagem Colombina tem sua origem no século XVI.

A cachaça, envasada e vendida por José Acácio, procedia de produtores locais, principalmente do engenho Canjica onde duas mulheres Sadonana e Samarica do Canjica cuidavam da produção das aguardentes. Após 30 anos no mercado, a distribuição da Colombina foi interrompida, ressurgindo 40 anos depois pelas mãos de Raul Mègre e sua esposa Maria Elisa. Com a autorização da família de José Acácio, o casal registrou a marca e resgatou a história da Colombina, agora com produção exclusiva no engenho do Canjica.

A nova geração da Cachaça Colombina

Com a morte de Raul em 2004, entra em cena Luciano Barbosa Souto com quem tive o prazer de falar sobre o resgate histórico e cultural dessa cachaça e dos novos rótulos da Colombina. Luciano, genro de Raul e Maria, e sua esposa Lívia Mègre Souto estão agora à frente da marca. Ambos arquitetos, compreendem a importância da comunicação visual como primeiro contato do consumidor com a marca e respeitam a história e identidade da Colombina.

Ao apresentar parte de seu acervo de cachaças, dentre as muitas Colombinas alinhadas à frente, uma garrafa me chamou a atenção, um lote de 1995, peça histórica dos primeiros resgates do produto original. Além da arte em fundo alaranjado e um número considerável de informações adicionais da cachaça no rótulo (costume ainda vigente na época), o Sr. Raul ainda produziu um contra-rótulo, que conta a história iniciada anos atrás por José Acácio. Uma demonstração de respeito, dedicação e satisfação em perpetuar o legado da cachaça.

Comemorando 100 anos de Colombina, Raul, um homem visionário e que gostava de inovar, como conta Luciano, lançou uma edição especial com uma garrafa quadrada, comercializada até hoje. O rótulo, mais recatado em fundo branco, trás a Colombina em tons mais sérios, porém sem perder a essência da marca. Seguindo um padrão comum no design, alguns elementos ganham força como as linhas curvas que emolduram a impressão e que também podem ser encontrados nos rótulos das versões tradicional, cristal e 100 anos.

Carnaval, cachaça e chita

E como história é algo que não falta na família, a Colombina fez uma homenagem à chita e lançou uma coleção fashionista com 3 garrafas. A chita é originária da Índia, se popularizou no Brasil, e na pequena cidade de Alvinópolis (MG), a tecelagem do avô de Lívia tornou-se o maior produtor do estado. A pedido do próprio Luciano, a ideia era criar rótulos mais limpos e leves, por isso o uso da transparência. A Colombina saiu da moldura, ganhou um tom dourado, e apresentou a chita colorida e festiva.  

Carnaval, cachaça e chita. O nome Colombina, mesmo que posicionado lateralmente, protege, coroa e emoldura a personagem. A ideia, segundo ele, era trazer novos ares e apesar de continuar sendo uma marca tradicional, conquistar novos mercados como o público mais jovem que ainda tem ressalvas em relação ao consumo da bebida.

“Sem abandonar os pilares tradicionais, a gente quer e precisa se comunicar com novos públicos, não só para a Colombina, mas para o mercado de cachaça em geral”,

conta Luciano Souto

E pra fechar com chave dourada literalmente, o trio de comemoração de 100 anos, continua o legado de Raul, garrafa e embalagem especiais além de outros pequenos detalhes como um selo de cera no lacre. A Colombina segue a linha da Edição Chita, o rótulo transparente e a figura da moça com seu copo de cachaça continuam fora da moldura elíptica ressignificando o elemento em linhas curvas ao longo do rótulo.

Para Luciano, a cachaça concorre com produtos internacionais. Embalagem e rótulo podem encantar as pessoas e isso gera valor agregado não só para o produto, mas para a marca.

E assim, a Colombina pretende chegar a mais 100 anos, respeitando seu passado e mantendo a visão inovadora de seus predecessores, homens e mulheres que fizeram e contaram a história de um produto 100% brasileiro, a cachaça.

Coleção colombina chita

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Alice Castaldi Sampaio - Designer e fundadora da Figa, é mestre em divulgação científica e cultural, pós graduada em design estratégico e design do entretenimento. Cachaceira com orgulho, tomou a primeira cachaça pensando que era água.

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  • Guilherme Nobre
    fevereiro 13, 2022 at 12:34 pm

    Tanto quanto as cachaças do alambique do canjica, as Colombinas, matéria muito boa.

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