Suor do Corpo por Raul Lorenzeti para o Crônicas e Contos

Uma montanha. Lá no fundo. Tem uma névoa preguiçosa das 6 horas da manhã e
tem um caminho. Silêncio.

Dá pra escutar o barulho do chinelo coçando a terra.

E isso é bom. Tão bom que ninguém nem percebe.

Passa conduzindo a carroça, devagar, assoviando, imaginando nada além do
caminho, da roça, da volta, da Luana passando o café, os moleque acordano.
Pensa na Rosinha também, mas só de brincadeira.

Ah, Rosinha.

Firma o pensamento no trabalho. Trabalha. Vixi, trabalha muito e mais um
pouquinho e aí para. Para pra almoçar. Senta embaixo de uma sombra que
arruma, come a boia, faz carinho no Cigano, fuma um cigarro enrolado, encosta
e espera o sol baixar um pouco. Molha a boca na moringa. Espreguiça gostoso.
Volta pra roçar mais um pedaço de terra, longe de casa, olha em volta e vê o
verde indo embora até a estrada, lá embaixo, na ribanceira. Passa carro de vez
em nunca. Quando precisa, pega carona na Rural do dono da venda, compra o
tecido que a Luana pediu e volta a pé – não gosta da cidade e, pra falar a verdade,
tem medo de ficar preso lá, por isso não espera nem a carona de volta.

Volta, passa pela venda, suado.

Senta no balcão, escuta um modão tocando no radinho. É atendido pela filha do
dono.

– Me vê uma branquinha, Rosa?

Ela responde com um sorriso corado .

Ele prova a bebida devagar, vê o sol indo embora feliz e, quando termina, volta
pra casa, pra Luana, pros menino ino dormir.

E nem pensa no outro dia.

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  • Irani Cardoso
    maio 27, 2011 at 8:02 am

    Adorei, Raul.
    Sua crônica tbém me levou a um passado muito distante, qdo ia, a pé, levar marmita pro meu pai, junto com meu avô. Na volta a gente parava numa vendinha (parecida com a sua), mas era pra comer pão doce com paçoquinha. E era uma delícia. Brigadão por me trazer essas lembranças.
    Beijos.

  • Raul
    maio 27, 2011 at 9:25 am

    Pô, Ira, muitíssimo obrigado pelo depoimento 🙂
    Tava sentindo falta de retratar alguma coisa mais próxima do nosso interior gostoso e, poxa vida, ficou muito feliz MESMO que tenha conseguido atiçar um tequinho das suas lembranças.
    Agora é dar uma olhada no Mapa e ver que tem coisas deliciosas por aqui – você já viu a nova coluna “A nossa cozinha”? Coisa linda!
    Um beijão!

  • Renata Coser
    maio 27, 2011 at 12:59 pm

    Que massa!!!!
    Essa história tb me remeteu a um tempo em que eu era EU. Não precisa ser nada além de minha essência. Apenas vivia com a intensidade de toda menina.
    Estou na busca de mim, e acredite. Muito de mim encontrei aqui.

  • Raul
    maio 27, 2011 at 6:49 pm

    Poxa, Renata, que legal! A gente fica realmente muito contente quando tem um retorno desse! Você é caipira de onde? Fiquei curioso!

    Continue acessando o Mapa, mais coisas bacanas vem por aí!

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