Poder acompanhar de perto dois dos maiores eventos do seguimento de bebidas do mundo não tem preço. Melhor ainda é poder expressar um pouco da cultura da cachaça fora do Brasil. É com esse sentimento que digo um “até logo” à Europa, durante minha participação com o Mapa da Cachaça do Bar Convent Berlin e London Cocktail Week.

Fizemos essas viagens no mês de outubro com as malas cheias de cachaça. Começo neste texto contando minha experiência na Alemanha. E numa outra oportunidade contarei como foi participar do LCW na Inglaterra.

Bar Convent Berlin
BCB um dos maiores eventos do setor… e a gente estava por lá como convidados!

Bar Convent Berlin

Um dos aspectos que mais me chamou atenção no BCB, foi a quantidade de pessoas interessadas no nosso destilado. O Bar Convent Berlin é uma feira com diversas marcas de diferentes destilados espalhadas por um grande galpão. Legal ver que a cachaça não passou despercebida. Afinal, 2015 foi o ano do Brasil no evento!

Bar Convent Berlin
Brasil tinha um espaço especial no galpão principal do Bar Convent Berlin
Cachaça no Bar Convent Berlin
Cachaças de coluna e da alambique no estande da cachaça no BCB

Por conta disso, o espaço para a cachaça na exposição estava em destaque. Havia um estand brasileiro bem no coração do evento, com os nomes: Brasil e Cachaça lindamente apresentados. Entretanto, não posso negar que, não eram os estandes mais procurados. Estandes de vermutes, whiskeys e gins eram os mais cheios… natural, até mesmo por questões culturais e de mercado. Porém, não posso deixar o realismo de lado.

O bartender, principal agente do mercado presente no BCB, já conhece cachaça de industria destilada em coluna. Inclusive, a Alemanha é uma das principais importadoras. No BCB desse ano, no estande brasileiro, cachaças industriais e de alambique estavam lado a lado – sem distinção de processo de produção como ocorre com as outras bebidas.

Colocar tudo no mesmo espaço, acredito, tornará o caminho muito mais difícil para um reconhecimento do nosso destilado como um bom produto entre os profissionais dos bares de outros países. Não é uma questão de dizer o que é bom ou ruim, mas de ajudar na educação do mercado e contribuir para quebrar alguns estigmas. Infelizmente, a cachaça ainda é mal vista lá fora.

Mas encontrei bartenders gabaritados que acreditam no potencial da nossa cachaça, de olhos atentos à cada palavra e cada gota do que estava sendo apresentado durante a palestra no palco principal do evento que apresentei com o Felipe Jannuzzi, Around Brazil in 40.000 alembics. Isso pra mim, foi o mais gratificante!

Felipe Jannuzzi e Laércio Zulu no palco principal
Eu e Felipe no palco principal do Bar Convent Berlin falando sobre cultura da cachaça de alambique
Zulu no Bar Convent Berlin
Falando de infusão e coquetelaria brasileira!

Na palestra a minha maior intensão, desde o começo, era mostrar minhas vivências e experiências obtidas por minhas viagens Brasil à dentro. Há cerca de um ano, venho me encantando com os variados formatos de consumo do nosso destilado por aqui… entre Pará, Paraná, Goiás, São Paulo, Bahia e algumas cidades do Sul de Minas. Fiz um apanhado destas vivências e levei imagens, algumas especiarias como mutamba, pimenta de macaco e polpa de buriti seca para apresentar aos presentes. E claro, mostrei algumas técnicas comumente utilizadas para consumo, tanto da cachaça como das especiarias. Na nossa palestra na Alemanha fiz uma infusão de pimenta de macaco com cachaça Yaguara.

Cachaça Yaguara com infusão de pimenta de macaco
Yaguara envelhecida? Não. Fizemos uma infusão com pimenta de macaco!

Além dos 3 dias de evento, ainda tive a oportunidade de trabalhar atrás de um balcão alemão no bar Catwalk. Por lá, servi uma mistura de shrub de buriti, vinho branco, limão e cachaça Avuá Prata. Foram cerca de quatro garrafas utilizadas em saudosas três horas de atendimento – a aceitação foi espetacular.

Catwalk Berlim cocktail
Trabalhei uma noite atrás de um balcão berlinense. Proust!

Estar em eventos como Bar Convent Berlin, como bartender que trabalha moldado na cultura da boa cachaça, é, sem sombra de dúvidas, um papel de plantador de sementes. Sei que o caminho é longo e deve ser traçado com calma. Estar em Berlim é a melhor forma de mostrar para os profissionais de outras culturas o real valor da aguardente brasileira. Mas não estou falando de qualquer bebida, estou falando daquela cachaça que carrega consigo a tradição e cultura de um povo.

 

Fotos:

Bar Convent 2015/ Gili Shani
Bar Convent 2015 / Constantin Falk
Pablo Melgaço
Felipe Jannuzzi
Zulu

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