Grandes panelas de cobre achatadas na parte inferior e com tubos interligados na parte superior. Ao fundo paredes de pedra em sala com janelas na Weber Haus

Evandro Weber coordena a empresa familiar referência mundial na produção de cachaças orgânicas, mais premiadas do Brasil, que inspirou o envelhecimento em multi madeiras no Sul do país

A pequena Ivoti, a 45 quilômetros de Porto Alegre, concentra mais de um terço de todas as marcas de cachaça registradas do Rio Grande do Sul. É nessa cidade do interior do estado, na chamada Rota Romântica, que está uma das mais importantes cachaçarias gaúchas. A Weber Haus foi responsável por introduzir um novo estilo de cachaça de amburana que virou marca do Sul do país, e investiu no envelhecimento multi madeiras quando ainda nem se falava em blendagem de cachaça no Brasil.

A marca – que na tradução livre significa casa do tecelão –  tem apenas 21 anos, mas carrega a tradição de quase dois séculos na produção de cachaça. Os Weber foram uma das primeiras 48 famílias de origem germânica que desembarcaram no país no século 19, no início da imigração alemã, as quais formariam a primeira colônia no Rio Grande do Sul, em São Leopoldo, onde hoje fica a cidade histórica de Ivoti.

Do país germânico, os imigrantes trouxeram as técnicas para produção do schnaps – o destilado de batata inglesa, típico da Alemanha -, mais tarde substituído pela cana-de-açúcar que era mais rentável. Cinco gerações depois, o alambique da histórica propriedade continua destilando cachaça de alta qualidade.

Produção artesanal em família

Aos 50 anos, Evandro Weber é quem toca o negócio familiar, passado de pai para filho, desde o tataravô, e faz questão de ter a família unida, trabalhando junto com as três irmãs e o pai. Desde que assumiu a empresa, nos anos 2000, Evandro mudou e internacionalizou a marca, modernizou as instalações e duplicou a capacidade de produção duas vezes. A destilaria passou de três para 37 colaboradores em duas décadas, conquistou a certificação orgânica e a autossustentabilidade energética.

As mudanças refletem no quadro de conquistas. O menino que quis um dia ser padre para fugir da roça, está entre os produtores de cachaça mais premiados do país, e é grato ao pai por não tê-lo deixado sair do campo. São 168 medalhas até o momento, 15 delas no último mês de outubro, sendo 13 só no Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil e outras duas de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas

“Isso é resultado de muito trabalho com sinceridade, com um olhar sobre o que o consumidor busca, mas oferecendo aquilo que eu gostaria de beber. Nossos resultados são uma injeção de ânimo para o setor da cachaça. Muitas cachaçarias se inspiraram em nós e estão fazendo muito melhor do que faziam, porque mostramos que dá para ir além.”

Evandro Weber, diretor da Weber Haus

A origem da marca Weber Haus

A influência da Weber Haus na produção de cachaças gaúchas não surgiu naturalmente, foi conquistada a partir das soluções inovadoras para os percalços do caminho. A começar pelo nome da empresa, atualmente exportada para 28 países. Até o fim do século passado, se você pedisse uma Cachaça Weber por aí, muito provavelmente, não seria atendido. 

Comercialmente, o produto era conhecido como Caninha Primavera, em referência a estação do ano que marca o início do plantio da cana. O nome foi escolhido pelo avô de Evandro em 1948, quando a destilaria completou cem anos, mas não foi registrado à época. 

Cinco décadas mais tarde, a família descobriu que havia outra cachaça com o mesmo nome no interior de São Paulo. Com medo de um processo e sem dinheiro para a disputa judicial que provaria a anterioridade do produto gaúcho, Evandro decidiu mudar a marca de um dia para outro, usando o próprio sobrenome na transição, o que gerou polêmica.

“As pessoas diziam que isso não era marca de cachaça, porque não tinha brasilidade. Nós registramos a Lundu que traz referência africana. Em 2018, recuperamos e relançamos a marca Caninha Primavera, mas quem despontou foi a Weber Haus, mostrando que fizemos a melhor escolha. De cada cem garrafas vendidas, noventa são Weber e apenas cinco de nossas outras marcas.” 

Bica de destilação na qual o líquido transparente da cachaça escorre para dentro de recipiente de cobre da Weber Haus

Como a cachaça Weber é produzida?

Além do canavial orgânico, com canas adaptadas ao clima e protegidas por floresta nativa, um dos destaques da produção está na fermentação. A Weber Haus usa leveduras selecionadas desenvolvidas na Alemanha a partir da própria cana de Ivoti, o que garante identidade e respeita o terroir e a tradição de 173 anos de história. 

Um sistema de refrigeração automatizado nas dornas de fermentação também controla a temperatura nos fermentadores, garantindo as melhores condições para a ação das leveduras.

Outra aposta da empresa foi buscar a autossustentabilidade com a instalação de placas solares para produção de energia, além do reaproveitamento dos resíduos como adubo e na produção do vapor da caldeira para a destilação. O próximo passo vai ser integrar ainda mais inovação na destilaria com a adoção de novas tecnologias emergentes para a transformação da Weber Haus em uma empresa 4.0, conectando e automatizando sistemas.

Vista aérea da destilaria Weber Haus. Grandes galpões e casas cercadas pela mata

A influência nos blends de madeiras e o envelhecimento estendido

Evandro se orgulha ao dizer que a Weber Haus foi uma das pioneiras do Brasil a misturar madeiras no envelhecimento. O primeiro blend de carvalho e cabreúva nasceu na virada do século, pela necessidade enfrentada pelo empreendedor em aumentar o volume sem baixar a qualidade ou mudar a característica, marcada pela preferência gaúcha por cachaças mais amadeiradas. 

A recepção foi boa, marcando o início de um novo perfil da Weber Haus como uma empresa focada em proporcionar diferentes sensações a partir da mistura de madeiras. Em 2003, a marca criou e patenteou sua própria garrafa. Em 2004, lançou a Cachaça 6 anos carvalho e bálsamo e iniciou a expansão das vendas. Em 2014, apresentou a Cachaça 7 Madeiras, provando que era possível destacar as notas de todos os diferentes barris trabalhando com o destilado em vários estágios de amadurecimento. 

Dos 550 mil litros de Cachaça produzidos anualmente, quase a metade é reservada ao envelhecimento, aumentando o estoque. A opção visa manter um padrão de excelência criado e mantido por Evandro, desde o lançamento da Lote 48, em 2013, uma cachaça envelhecida por 12 anos em barris de bálsamo e carvalho francês.

A sequência dessa produção foi anunciada recentemente, uma joia rara lapidada por 21 anos e que vem acompanhada de um diamante. Mas a peça mais preciosa da adega ainda está guardada para um futuro, quiçá, ainda mais glamuroso. O barril mais antigo da casa completou 32 anos e não tem previsão para ser engarrafado. Um segredo guardado a sete chaves pelo produtor de atitude e instinto pioneiros.

“Nós nunca seremos os maiores, mas sempre queremos estar entre os melhores. Produzir menos, mas melhor. Isso é uma das coisas que eu preservo e pela qual quero ser lembrado.” 

Homem loiro de blusa de frio preta enche taça com líquido dourado. Ao fundo barris de madeira usados no envelhecimento da cachaça Weber Haus
Evandro Weber, diretor da Weber Haus, na destilaria da empresa, em Ivoti. FOTO: Jefferson Bernardes/ Agência Preview

Weber Haus e o estilo amburana gaúcho

A Weber Haus também foi a precursora na difusão de um novo estilo de envelhecimento com amburana, que se diferencia da técnica de armazenagem mineira. Os barris são menores, dentro do permitido pela legislação para o envelhecimento, com a aplicação de tostagem. 

“Até então, a amburana era uma madeira usada, praticamente, só em Minas Gerais. Eu via, pelas feiras que participávamos, o quanto essa madeira tinha futuro, só que eu não queria fazer uma amburana armazenada. Comecei a brincar com a tostagem dos barris junto a um fornecedor, como se fazia com uísque, e ficou uma cachaça diferente sendo muito difundida.”

O resultado é uma bebida de mais intensidade em cor, aroma e sabor, além de maior dulçor e baixo teor alcoólico, que ficou conhecida como amburana gaúcha. Hoje, é possível encontrar uma versão dessa cachaça projetada pela Weber Haus em praticamente qualquer produtor do Rio Grande do Sul. Não à toa o slogan da marca é Das ist Weber Haus, na tradução: “Isso é Weber Haus”. 

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Ana Paula Palazi

Ana Paula Palazi

Jornalista, repórter, especialista em jornalismo científico e cachaceira. Atualmente, misturando comunicação, cachaça e percepção pública da C&T num mestrado pela Unicamp

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