Por que eu resolvi falar de Cachaça? - Mapa da Cachaça
Verallia

Por que eu resolvi falar de Cachaça?

04 de 01 de 2012

Uma das perguntas que as pessoas mais me fazem é: por que você resolveu falar de Cachaça? Nem sempre eu tenho a chance de responder como eu queria, então resolvi contar tudo isto para vocês neste post.

Tudo começou quando eu ouvi falar da valorização da bebida no exterior e aqui no país. Eu, que não costumava tomar Cachaça até então, me perguntei: o que será que as pessoas estão vendo nesta bebida de tão interessante? Até aí eu achava que cachaça era uma bebida de gosto ruim, aroma pouco agradável e efeitos colaterais devastadores. Mas então eu li o livro do Erwin Weimann, e aprendi que Cachaça Artesanal de alambique podia ser uma coisa um pouco diferente da aguardente de coluna que conhecemos. E fui testar. Com família em Minas (Gerais), não foi difícil conseguir bons exemplares da bendita. Dito e feito: a Cachaça de alambique era muito mais aromática e saborosa do que as outras. Era outra coisa! Descobri que a caipirinha feita com boas cachaças era algo totalmente diferente do que já havia experimentado, e fiquei pasmo por não saber disto antes. O ponto “final”, que, logo mais iria virar ponto de partida, foi saber que num super restaurante (o melhor do mundo, literalmente), o pessoal também ainda não conhecia a “verdadeira” Cachaça de alambique. Então pensei: acho que tenho que contar isto para mais gente.

Somos brasileiros, afinal, e temos um produto excelente embaixo de nossos narizes, mas o que fazemos é só aumentar as vendas dos principais uísques, vodkas e tequilas disponíveis no comércio internacional (veja o que eu contei nesse texto). Simplesmente porque é mais chique. E porque ninguém conhece a Cachaça. A Cachaça ainda é a marvada, bebida popular, que deixa mau hálito e dá dor de cabeça no dia seguinte. Foi então que surgiu o “De Marvada a Bendita”, o livro sobre o qual já falei aqui (para quem conheceu, ele tem o mesmo conteúdo do “Estava no Seu Nariz, Mas Você Não Viu”, só que agora mudou o título e a capa, e está em todas as livrarias do Brasil, editado pela Matrix).

De Marvada a Bendita Renato Figueiredo - Por que resolvi falar de cachaça?

No processo de escrita do livro, eu fui descobrindo, aos poucos, que a Cachaça podia ser tão saborosa e tão apetitosa quanto o vinho – uma bebida que eu tomava com prazer. Que a variedade de madeiras que ela tem para ser envelhecida faz dela um produto super nobre e especial, tanto ou mais até do que muitos outros como o Whisky. Que o “retrogosto” de cana, o gostinho que fica na boca depois que você toma uma boa Cachaça, é algo que só se compara àquele gosto do bom café espresso que você bebeu num dia agradável, o vinho que acompanhou uma noite digna de lembrança, a comida muitíssimo bem temperada que você devorou com um sorriso no estômago… A Cachaça era “gourmet”, sem precisar apelar para todos estes nomes frescos que tem por aí. A Cachaça era especial, e falava a nossa língua: sim, aquela, misturada com todas as outras. Era moderna e tradicional; doce e agressiva; múltipla, amada e odiada: que assunto mais interessante!

Quanto mais eu entrava para este mundo que eu não conhecia, mais eu descobria um valor surpreendente, e coisas com as quais eu me identificava bastante. A cordialidade dos produtores, a sabedoria dos especialistas, a humildade de quem consome e produz… O quente da terra onde ela é feita e valorizada, a comida que sempre a acompanha e a madeira, ah, a madeira… Nobre saber que ela é brasileira também.

Foi uma série de descobertas que iam, uma a uma, fazendo para mim cada vez menos estranha a pergunta “por que você resolveu falar de Cachaça?” Fui trocando o espanto pela curiosidade, e mudando a imagem que eu mesmo tinha da Cachaça. Passou a ser óbvio e urgente falar da Cachaça, esse produto tão cru e tão tradicional ao mesmo tempo, que existe aqui, na pontinha do nosso nariz. Explico: ainda há muito para se fazer pela Cachaça. Estamos acostumados a olhar para longe, para o que vem lá de fora, mas não fizemos o mínimo esforço para valorizar o que sempre esteve aqui, pertinho da gente. Desenvolver o mercado, melhorar a produção, descobrir novas maneiras de combiná-la com comida e tudo o mais… A minha parte, dentro da minha especialidade enquanto comunicador, é a de informar melhor as pessoas a respeito da bebida. E é isso que eu venho fazendo, desde 2009, quando toda esta história começou. Desde então, uma série de descobertas vem acontecendo, e eu pretendo contá-las, uma a uma, para você nesta coluna. Que venha 2012!

Um abraço e até os próximos posts!

 

No video acima eu falo um pouco sobre o livro. A capa e o título que aparecem aí são da versão anterior, mas o conteúdo do livro continua o mesmo, o titulo apenas mudou para “De Marvada a Bendita”.

Livro: “De Marvada a Bendita”, de Renato Figueiredo, editora Matrix, 120p. Preço médio: R$24,00. Em todas as livrarias do Brasil. http://migre.me/7pgtZ

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PUBLICADO POR:

Comentários

  1. Roberto

    janeiro 4, 2012

    Alcool é uma desgraça, principalmente essa porcaria de bebida. Conheço um monte de gente que teve a família destruída por causa dessas porcarias que chamam de “bebidas nobres”. Tanta coisa boa pra se descobrir e falar no mundo, não sei como perdem tanto tempo falando sobre esses lixos. Ainda perdeu mais tempo explicando porque escreveu sobre essa merda, achei uma bosta. Alias, essa é uma característica do povo brasileiro: falar sobre MERDA. Escreve sobre o futebol agora que você fica rico kkkkk

  2. Mapa da Cachaça

    janeiro 4, 2012

    Olá Roberto. O consumo de bebida alcoólica sempre esteve presente na história da humanidade. Falar com propriedade sobre os fermentados e destilados, muito mais do que apologia ao consumo, é falar sobre a cultura e a história da civilização. O livro do Renato e o Mapa da Cachaça são espaços para o diálogo harmonioso de pessoas interessadas em conhecer mais sobre a cachaça e, dessa forma, conhecer um pouco mais sobre o Brasil e o brasileiro. Tenha certeza de que defendemos o consumo moderado e responsável – premissas básicas para qualquer trabalho bem feito. Se vc der uma olhada pelo site, vai ver que sempre atacamos os excessos. Lá fora, os gringos já aprenderam a falar da sua cultura, dos seus produtos, da sua gente. Vamos tirar esse complexo de vira lata de lado e apreciar as coisas verdadeiramente brasileiras.

  3. Renato Figueiredo

    janeiro 4, 2012

    Roberto,
    Acho bom você levantar o assunto do alcoolismo. Concordo com você quando chama a atenção para ele, e inclusive já escrevi sobre isto nesta coluna, você já viu? (http://mapadacachaca.com.br/blog/marketing-cachaca/cachaca-e-alcoolismo/). Mas eu acho que é mais importante falar do problema do que simplesmente ignorá-lo. Não acho perda de tempo, tampouco acho que esteja falando “bobagem” por aqui. O trabalho que temos feito até agora, não só eu como muitos outros envolvidos na valorização da nossa bebida, não pretende incitar as pessoas a consumirem mais álcool, muito menos ignora o que você falou. Embora não concorde ou aprecie algumas coisas que você disse, nem a forma como você fez, agradeço a leitura e o comentário.
    Renato Figueiredo.

  4. Nelson Duarte

    janeiro 4, 2012

    Caro Sr. Roberto,

    sua abordagem do alcoolismo é, sem dúvida, muito importante. Porém só com diálogo e falando abertamente dos perigos e consequências do consumo excessivo de álcool é que poderemos prevení-lo.
    Ninguém o obriga a gostar de cachaça, tampouco de nenhuma outra bebida alcoólica. Porém posturas radicais e ofensivas como a sua também em nada contribuem para conscientizar os consumidores dos perigos que o excesso, de qualquer coisa, representa.
    Poucas pessoas escrevem sobre cachaça com a propriedade que o Renato escreve. Creio que nossa cruzada pela valorização da cachaça já trouxe algum resultado, hoje o brasileiro bebe menos, mas escolhe melhor a qualidade do que bebe.
    Sugiro que o Sr. reflita sobre sua postura, agredir não é a melhor maneira de combater.

  5. Christian

    janeiro 4, 2012

    Parabéns Renato!

    Os seus textos são sempre muito agradáveis e interessantes.
    A explicação de como vc foi se interessar pela Cachaça mostra o quanto vc preza e acredita nos valores brasileiros e se dispõe a defendê-los, sempre com elegância e ótimos argumentos.
    Parabéns, mais uma vez, por este excelente trabalho. São de pessoas como vc, que buscam valorizar a cultura nacional, que este país precisa.

    Abraços!

  6. Tony Harion

    janeiro 5, 2012

    Parabéns pelo trabalho Renato!
    Mais uma vez um ótimo post.

    O trabalho que o Mapa da Cachaça e você vêm desenvolvendo é simplesmente brilhante.
    Contem sempre com nosso apoio.

  7. Alexandre

    janeiro 6, 2012

    Felizmente cada dia mais estamos encontrando e criando espaços que possibilitam discutir e esclarecer temas importantes como este , pois como podemos observar muitos ainda tem uma compreensão limitada e restrita sobre aspectos culturais , economicos, de saude, etc importantes e que necessitam um pouco mais reflexão . A cachaça sem duvida e um deles.
    Abraço a todos

  8. Renato Figueiredo

    janeiro 6, 2012

    Caros Nelson, Christian, Tony e Alexandre,
    Muito obrigado pelo apoio e pelas palavras!
    É bom saber que há gente enxergando o mesmo que nós!
    Forte Abraço,
    Renato Figueiredo.

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