Na reunião denominada de Comissão Extraordinária de Integração ao Parlamento do Mercosul, realizada na última quinta-feira, 21 de outubro, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, várias críticas de produtores de cachaça vieram à tona. A reunião, que foi coordenada pelo deputado Antônio Júlio – PMDB -, teve como objetivo discutir as estratégias de adequação dos produtores mineiros de cachaça aos padrões fitossanitários da Comunidade Europeia e a proibição do uso de utensílios de cobre na produção alimentícia, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.

O encontro foi motivado pelo relato de dificuldades enfrentadas pelos produtores para exportar a cachaça artesanal, devido ao teor de cobre registrado no produto, acima do tolerado pelos países europeus. Além disso, foram consideradas as reportagens do jornal Estado de Minas, publicadas em agosto, que abordavam a Resolução 20/2007 da Anvisa, que dispõe sobre a proibição do cobre. O periódico chamou a atenção para os perigos do metal na elaboração da cachaça, o que preocupou produtores e consumidores. Entretanto, os convidados da comissão apresentaram argumentos que contrariam o que foi divulgado.

A coordenadora do Núcleo de Tecnologia da Cachaça da Universidade Federal de Lavras – UFLA -, Maria das Graças Cardoso, destacou que “não há respaldo científico para acabar com os alambiques de cobre”. Ela apresentou dados de uma pesquisa feita pelo Núcleo, entre 2005 e 2010, que realizou testes em 727 amostras de cachaças artesanais mineiras. Apenas 76 registraram teor de cobre maior do que o permitido pela Anvisa, que é de 5 mg por litro. Além disso, a pesquisadora ressaltou que a substância encontrada na bebida não prejudica a saúde, pois não se apresenta na forma metálica.

Restrição valeria apenas para alimentos

A técnica da Superintendência de Vigilância Sanitária de Minas, Joana Dalva de Miranda, salientou que a resolução da Anvisa vale apenas para alimentos e foi criada para se adequar às exigências do Mercosul. A norma estabelece que o cobre dos tachos, tampas e outros utensílios usado no preparo de alimentos seja revestido por níquel, ouro ou prata. De acordo com a fiscal federal agropecuária do Ministério da Agricultura, Sílvia Maria Borim Côdo Dias, o Ministério vai rever o acordo e a Resolução 20/2007. “Que o cobre tem que fazer parte da cachaça, isso é incontestável”, afirmou Sílvia, citando que o elemento contribui para o odor e o paladar característicos da cachaça.

Críticas – Os produtores questionaram a norma da Anvisa e a alta tributação da cachaça artesanal no Brasil e no exterior, o que beneficia apenas grandes grupos de produtores. O presidente da Cooperativa de Produtores de Cachaça de Alambique de Minas Gerais, Trajano Raul Ladeira de Lima, citou que a cachaça paga R$ 2,70 de imposto por garrafa de 700 ml, ao passo que o litro de outras bebidas é tributado em R$ 0,14. Em relação ao contexto internacional, a assessora de comércio exterior do consulado do Paraguai, Vanessa Teles Castro, exemplificou as taxas praticadas na Alemanha: 3,50 euros para a cachaça e 0,65 para a tequila. Ela chamou a atenção para as barreiras que o produto enfrenta no exterior e sugeriu maior adequação dos produtos brasileiros ao mercado estrangeiro. “Hoje o problema é o cobre, amanhã será o rótulo, o código de barras”, enumerou.

Os deputados Antônio Júlio e Carlos Pimenta (PDT) defenderam um controle maior sobre as agências reguladoras, para que normas sem base técnica e científica não sejam elaboradas. Antônio Júlio lamentou a ausência dos repórteres Luciane Evans e Luiz Ribeiro Santos, do Estado de Minas , convidados para a reunião, e afirmou que a imprensa precisa apurar melhor as notícias antes da divulgação. O deputado Domingos Sávio (PSDB) reforçou as críticas às agências reguladoras. “Ao que tudo indica, a ação corporativa de uma minoria que representa grandes grupos age dentro de um organismo oficial para conseguir regulamentar o seu interesse, não o interesse público”, afirmou em relação à Anvisa.

Como resultado, a comissão aprovou três requerimentos. Um é destinado à Anvisa e solicita o aperfeiçoamento da Resolução 20/2007, para diferenciar a produção de alimentos da produção de bebidas. Outro é um pedido de providência à Vigilância Sanitária Estadual, no sentido de suspender a restrição ao uso de utensílios de cobre na produção de cachaça, até que a Anvisa esclareça os pontos controversos da resolução. O terceiro requerimento solicita à Central Exportaminas a promoção de evento para divulgação do produto nos países integrantes do Mercosul.

fonte: http://www.jusbrasil.com.br/

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba em primeira mão nossas novidades, eventos e promoções

Mapa da Cachaça

Mapa da Cachaça

O Mapa da Cachaça é uma premiada plataforma multimídia com o objetivo de compartilhar informações sobre a cultura, história, aromas e sabores do destilado brasileiro.

Quer receber no seu e-mail 5 aulas gratuitas sobre cachaça? Assine nossa newsletter exclusiva e durante 5 dias te enviaremos o melhor conteúdo sobre o destilado brasileiro!

Compartilhe esse artigo

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Dadinhos de madeira

Dadinhos de Madeira 1kg – Sem Tosta

Um quilo de dadinhos de madeiras sem tosta para envelhecimento acelerado. As opções de madeiras são: Amburana, Bálsamo, Carvalho, Castanheira, Cumaru, Eucalipto, Ipê, Jaqueira, Jequitibá, Putumujú

Comprar
Dorna de Bálsamo

Dorna de bálsamo para envelhecer cachaça

Quer envelhecer sua própria cachaça, cerveja ou coquetel? Temos a dorna de bálsamo que você precisa para começar seus experimentos.

Comprar
dorna de amburana

Dorna de amburana para envelhecer cachaça

Já pensou em ter sua própria dorna para envelhecer cachaça? Nós fizemos uma seleção dos melhores barris e dornas de amburana para você começar seus experimentos em casa com bebidas  fermentadas e destiladas.

Comprar
mood_bad
  • Ainda não há comentários.
  • Adicionar um comentário