Alma artística da premiada cachaça Tiê, Cris Amin é mãe de três filhas e revela que a receita do sucesso leva doses de amor e muito carinho maternal.

Especial Mães e Cachaça

Cristiane é daquelas mulheres que gosta de ser chamada de cachaceira.  Mas não foi sempre assim. Já pelo nome completo, ela não faz tanta questão, prefere algo mais curto e sonoro, apenas Cris Amin.

Sentada no quarto da casa da família, na zona sul de São Paulo, a produtora de cachaça e mãe de três filhas contou um pouco da carreira e da experiência com o destilado nacional, que define como “nosso ouro líquido”. 

“Cachaceiro não é quem bebe até cair. Cachaceiro é quem aprecia, consome ou produz cachaça”.

Cris é a responsável pelo marketing e vendas da premiada cachaça Tiê, enquanto o marido cuida da parte burocrática, como ela mesma diz. Durante a entrevista, Arnaldo Ramoska estava na fazenda onde fica o alambique, em Aiuruoca (MG).

Foi nesse pedacinho do paraíso, no sul de Minas Gerais, que a produtora artística descobriu há menos de uma década a paixão pela cachaça, depois que o marido e engenheiro começou a pôr em prática os planos de aposentadoria.

A ideia de comprar a centenária Fazenda Guapiara era investir em reflorestamento com o sócio. Mas o vale próximo a Serra do Papagaio, que um dia já foi cercado de mineiros em busca de ouro, mostrou um outro tesouro para eles: o alambique do Otacílio e do filho dele Tobias, vizinhos da propriedade.

Quebrando os preconceitos contra a cachaça

Da parceria nascida na serra à construção do novo alambique e comercialização da cachaça, foram mais de dez anos. Naquela época, a jornalista de formação ainda trabalhava no agenciamento de artistas e a cachaça nem fazia parte do cardápio de bebidas que a empresária consumia.

O pai também era cachaceiro, mas Cris conta que os primeiros contatos dela com a bebida, ainda na juventude, não foram tão agradáveis. E só passou a valorizar o destilado nacional quando a produção artesanal na fazenda começou a ganhar asas.

Isso aconteceu na mesma época em que o mercado de cultura sofreu uma queda. Cris teve que fechar a empresa, mas percebeu que podia aplicar toda a experiência que tinha, para alçar voos maiores com a Cachaça Tiê – o nome é uma homenagem a ave símbolo da Mata Atlântica.

A produtora não se conformava com a ideia de vender cachaça boa apenas para os amigos e foi se especializar. Fez curso de sommelier, conheceu muita gente e passou a dedicar um olhar artístico ao produto. Misturando o melhor dos dois mundos.

Em dois meses a marca recebeu o primeiro prêmio internacional. E antes de completar 5 anos, já acumula 22 medalhas e um sonho realizado. Da pequena cidade encravada nas Terras Altas da Mantiqueira para o mundo, a cachaça Tiê Prata conquistou o posto de melhor cachaça branca do país, em 2020.

No portfólio, tem ainda a Tiê Ouro, envelhecida por um ano e meio em barris de carvalho e a Tiê Canelinha composta com canela-da-china retirada de espécimes da região e sem adição de açúcar.

Lições da maternidade

Cris conta que nunca imaginou trabalhar com o marido. E foi surpreendida. Hoje, se considera muito mais feliz. A parceria na cachaça uniu a família. E ela descreve a experiência como uma eterna lua de mel.

Claro, que isso só é possível com o apoio das filhas Gabriela, Luiza e Vitória que ajudam a contar a história da cachaça mineira com nome de pássaro que se mistura à própria história de Cris Amin. “Uma cachaça que prova que a liberdade conquista”, diz o vídeo de apresentação da Tiê.

“Ser cachaceira e mãe de filhas cachaceiras assusta algumas pessoas, mas tudo é questão de educação e temos que falar muito disso para as pessoas quebrarem o preconceito”, comenta.

Essa sinceridade é um dos aprendizados que produtora afirma ter trazido da maternidade para a vida profissional. Outro ponto que destaca é a maneira de conduzir os desafios com olhar de carinho e amor.

A atenção aos detalhes e cuidado com o outro são características maternais que Cris não perde quando lida com assuntos ligados a cachaça, seja ao responder uma mensagem nas redes sociais da marca ou no trabalho com bartenders. A simpatia dela contagia.

Cris também se preocupa com o consumo consciente de bebidas alcoólicas, principalmente dos mais jovens e explica que existe uma questão de responsabilidade que é muito particular de mãe.

Cris e família
Cris e suas três filhas

Futuro do setor da cachaça

Apesar das dificuldades do setor, a produtora considera a cachaça como um mundo de possibilidades a ser explorado. E acredita que o mercado ainda tem “muita lenha pra queimar”. Para ela existem mulheres geniais no universo da cachaça e que fazem um trabalho importante de valorização.

No caso da Tiê, a marca aposta em feiras gastronômicas e no apoio a cultura para estimular a mudança no padrão de consumo do destilado. Como resultado, Cris já percebe a abertura de novos mercados, como a venda direta em hortifrutis.

Depois de conquistar paladares exigentes em concursos internacionais, entrar nos melhores bares e restaurantes no eixo Rio/São Paulo e ganhar até a confiança dos moradores de Aiuruoca, a Tiê mostra que tradição, cuidado e inovação caminham juntos.

“Vamos beber! Beber bem, bebidas de qualidade, enaltecendo a produção brasileira que sabemos ter famílias por trás e muita gente trabalhando duro”.

Conselho de mãe não se discute!

Ana Paula Palazi

Ana Paula Palazi

Jornalista, repórter, especialista em jornalismo científico e cachaceira. Atualmente, misturando comunicação, cachaça e percepção pública da C&T num mestrado pela Unicamp

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  • Eduardo Lima Gomes Padilha
    maio 26, 2020 at 10:12 am

    Bom dia para ser um bom dia mesmo só espantando os virus e epdemias com uma dose do melhor aguardente feita por pessoas que usam sua criatividades em fazer e produzir o melhor para aquecer os corações e almas frias de um tempo apagado pela depressões de um povo doente moralmente e com uma boa cana é produzida uma boa cana para acelerar e alegrar o espirito apagado .

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