Cachaça Weber Haus, os alambiques do Rio Grande do Sul - Mapa da Cachaça
Verallia

Cachaça Weber Haus, os alambiques do Rio Grande do Sul

28 de 05 de 2019

Depois de visitar o alambique da Cachaça Bento Albino em Maquiné e comer pela primeira vez um autêntico churrasco fogo de chão, agora é hora de continuar a viagem saindo do litoral rumo ao centro do estado, onde fica o alambique da Cachaça Weber Haus.

A cachaçaria Weber Haus está localizada em Ivoti, uma cidadezinha mais ou menos a uma hora de Porto Alegre. Como o nome da cachaça sugere, essa cachaça gaúcha é produzida por descendentes de alemães, traduzindo para português seria: “a casa dos weber”. O anfitrião dessa viagem foi o Evandro Weber, filho de Hugo Weber e neto de José Weber Filho, e atual responsável pela produção da cachaça e gestão da empresa.

A história do alambique começou em 1948 quando Hugo e José produziam a cachaça Primavera. O nome foi dado porque esta era a estação do ano mais agradável para os recém chegados da Alemanha. A cachaça também era carinhosamente chamada na região de Cachaça 48 por causa da localização do alambique no endereço Picada 48 Alta (o número faz referência à quantidade de lotes recebidos pelos primeiros colonos de Ivoti). Em 2001, a Primavera passa a se chamar Cachaça Weber Haus.

Cachaça Primavera, primeira marca produzida na destilaria Weber Haus

Cachaça Primavera, primeira marca produzida na destilaria Weber Haus

A família Weber chegou em Ivoti, um dos berços da colonização alemã no Brasil, em 1826. A migração alemã na região era incentivada pelo Imperador Dom Pedro I como forma de preservar as fronteiras e também por motivos políticos, já que a Imperatriz Leopoldina tinha sangue germânico.

A influência da realeza brasileira em Ivoti já é percebida logo de cara: para chegar ao centro histórico da cidade precisamos cruzar a Ponte do Imperador, uma construção em estilo romana de 1857 feita em homenagem a D. Pedro II. Atualmente, a ponte é patrimônio histórico nacional, tombada pelo IPHAN.

Chegar em Ivoti é uma experiência muito interessante e um tanto inusitada. Saímos da movimentada BR-116, cruzamos a Ponte do Imperador e chegamos num centrinho que se não fossem as visíveis caixas de som tocando músicas volks e a SVU parada na rua, a sensação era de estar numa vila alemã do século XIX. Muito desse sentimento é devido a conservação da técnica de construção em enxaimel, muito popular na Alemanha, e utilizadas nas construções do centro histórico de Ivoti, no qual as paredes das casas são montadas com hastes de madeira (guajuvira e angico) encaixadas entre si e com os espaços preenchidos por pedras ou tijolos.

Museu da Cachaça de Ivoti - Rio Grande do Sul

Museu Claudio Oscar Becker

Museu de Ivoti

O pessoal de antigamente era muito baixinho ou nós que crescemos muito? Na foto Leandro Batista e Evandro Weber

Para manter esse espírito saudosista, nesse centrinho de casas enxaimel encontra-se o Museu Claudio Oscar Becker, onde os turistas podem conhecer as histórias e memórias dos primeiros moradores de Ivoti. O acervo do museu é composto por roupas, sapatos, utensílios domésticos e itens decorativos de uma casa do século XIX e início do século XX. Ao lado do museu fica a Casa do Artesão. Nela são comercializadas peças de artesanato em argila, pano e madeira feitas pela comunidade.

Museu de Ivoti - Rio grande do sul

Peças antigas de roupas encontradas no museu de Ivoti – Rio Grande do Sul

Se o centrinho de Ivoti representa costumes de gerações passadas, o alambique da cachaça Weber Haus é um exemplo de modernidade quando o assunto é a produção de cachaça. No final da década de 40, nas primeiras alambicadas,  a estrutura consistia em um galpão com um engenho movimentado por mulas, uma sala de fermentação composta por tonéis de madeira e um pequeno alambique de cobre.

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Fermentação controlada por temperatura. Tradição de família encontra modernização na hora de produzir cachaça

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Alambiques de cobre da destilaria Weber Haus

Atualmente, no alambique da cachaça Weber Haus, a fermentação tem controle de temperatura digital, os alambiques destilam entre 120 – 180 mil litros de cachaça por ano e são cinco os tipos de madeira para envelhecimento: amburana, bálsamo, cabreúva, carvalho europeu e carvalho americano. A área de plantação de cana-de-açúcar fica logo ao lado do alambique, dessa forma proporcionando o corte e a moagem no mesmo dia, evitando a fermentação precoce e tornando possível um processo controlado com leveduras selecionadas do próprio canavial.

Com investimento em tecnologia e marketing, Evandro Weber produz bebidas de diversos estilos vendidos em todo Brasil e com uma grande aceitação de público. Um dos méritos da cachaça Weber é trazer para seu portfolio com dezenas de produtos, entre licores, cachaças, rum e até gin uma assinatura própria da marca, que é perceptível com o cuidado na seleção da embalagem e na própria característica sensorial das bebidas de baixa potência alcóolica e que sempre carregam um dulçor característico.

Visitar o alambique dos Weber, mais do que conhecer cachaças e licores, é aprender sobre as tradições e os costumes de uma colônia alemã no Brasil. Para finalizar a viagem, participamos de um jantar preparado por um chef alemão que comprovou que essa mistura Brasil e Alemanha dá certo na cachaça e também na cozinha. Em Ivoti, comi meu primeiro porco recheado e flambado na cachaça com chucrute e cuca de chocolate. Um prato que harmonizou perfeitamente com a Weber Haus Extra Premium, versão envelhecida em carvalho e bálsamo.

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