Os Alambiques do Rio Grande do Sul - Cachaça Bento Albino - Mapa da Cachaça
Verallia

Os Alambiques Gaúchos – Cachaça Bento Albino

08 de 02 de 2012

Com mais de um ano de projeto, nós do Mapa da Cachaça temos a certeza de que falar de cachaça é um pretexto para falar de Brasil. Nesses últimos meses viajando por alambiques, estamos conhecendo mais sobre nossa gastronomia, história, geografia e principalmente sobre a nossa diversidade cultural. Na semana passada fui conhecer cinco alambiques do Rio Grande do Sul e quero contar por aqui um pouco da minha experiência, começando pela cachaça Bento Albino de Maquiné.

A história dessa viagem começou em 2010 quando conheci o Fernando Andrade, executivo da APRODECANA, associação representante dos produtores das cachaças gaúchas. Fernando, nessa ocasião, me disse o seguinte:

Os mineiros têm a tradição em produzir cachaça, os paulistas têm o volume, nós, gaúchos, queremos ser reconhecidos pela qualidade.

Realmente, assim como em outros estados, o Rio Grande do Sul tem produzido excelentes cachaças. Mas na minha visita, percebi que muito mais do que uma produção exemplar, os gaúchos estão com um projeto para o desenvolvimento da cachaça no estado. O segredo deles é a união entre os produtores.

Eu desembarquei em Porto Alegre com o Leandro Batista, o Sommelier de Cachaça, Mauricio Maia, o Cachacier e Illan Oliveira, da distribuidora Solution. No salão de desembarque, nossos anfitriões estavam nos aguardando. Evandro, da cachaça Weber Haus, Ivandro, da cachaça Velho Alambique, Moacir, da cachaça Casa Bucco e Bean, da Flor do Vale. Só faltaram os produtores Luzia e Armando, da cachaça Bento Albino. Eles estavam nos aguardando em Maquiné, nosso próximo destino.

Cachaça Bento Albino – Maquiné – RS

O Casal Armando e Luzia, produtores da Cachaça Bento Albino

O Casal Armando e Luzia, produtores da Cachaça Bento Albino

A cachaça[cachaca id=”3852″]Bento Albino[/cachaca] é produzida pelo casal Armando e Luzia no “Alambique do Espraiado”. Ele, médico radiologista e ela, professora de física aposentada nascida na região do Chuí, fronteira com o Uruguai. A motivação de se produzir cachaça surgiu com o desejo de homenagear o pai de Armando, o tropeiro Bento Albino que ficou famoso no seu tempo por transportar as melhores cachaças da região. A cidade da Bento Albino é reconhecida pela produção de aguardente desde sua colonização em 1840, quando netos de açorianos, vindos de Santa Catarina, se estabeleceram nas margens do rio Maquiné para plantar cana-de-açúcar.

No Alambique do Espraiado tem plantação de parreiras e uma horta para o consumo da família. A cana é plantada nos morros próximos, onde a chuva favorece o crescimento e o bom nível de açúcar da planta. O manejo do canavial é todo manual e sem queimas. Muitos alambiques do Rio Grande do Sul estão usando leveduras selecionadas, uma prática que aprenderam com o vinho, mas na Bento Albino a fermentação é feita com leveduras selvagens. Depois de fermentada, a cachaça é destilada apenas uma vez, quando então são separada as partes nobres para o consumo. Por ser médico, Armando sabe dos riscos de uma produção mal feita. Por isso, seu compromisso é produzir uma cachaça sem impurezas, com controle de qualidade do corte até o engarrafamento, e sempre promovendo o consumo moderado.

o Mapa da Cachaça no Alambique da Espraiada - Cachaça Bento Albino

Todo o processo de produção da cachaça Bento Albino é controlado pela Márcia, mestre alambiqueira há mais de dois anos e uma pessoa muito agradável. Ela nos acompanhou durante a viagem porque queria aprender com seus colegas alambiqueiros produtores das outras cachaças. Essa troca de experiências e tecnologias é algo novo no mundo da cachaça.

Marcia, a mestre alambiqueira da Bento Albino e Luzia, a dona

Além de beber, foi no alambique da cachaça Bento Albino que eu descobri o churrasco à moda uruguaia. Luzia trouxe de Vitória do Palmar, a 22 km do Chuí, um dos maiores especialistas brasileiros em churrasco, e certamente a maior autoridade em churrasco fogo de chão, o mestre Carlos Munhoz. O preparo do churrasco foi uma verdadeira poesia e seu caldinho de feijão foi um dos melhores que já experimentei. A arte não ficou apenas no preparo. No final do jantar, Carlos Munhoz recitou um poema de sua autoria falando sobre a vida nos pampas. O poema é o “Rancho da Amizade”

 

cachaca bento albino - churrasco fogo de chao

Naquela noite quente do litoral gaúcho, comendo carne com o sabor aguçado pela cachaça envelhecida no carvalho, o papo rolava entre os especialistas e produtores. Passei a madrugada conversando com meus novos amigos, ouvindo Bean e Evandro contando suas aventuras nas feiras de cachaça no exterior e a história de quando Maurício Maia trouxe para o Brasil, na sua bagagem de mão, uma cabeça de porco embalada a vácuo, presente de um amigo e chef italiano (mais tarde nessa viagem, eu iria experimentar minha primeira bochecha de porco…). Nossa primeira noite no Rio Grande do Sul terminou com a deliciosa “Ambrosia da Luzia”, que ela não preparou, mas como uma boa professora, ensinou a fazer direitinho.

Visitando os Alambiques Gauchos - Bento Albino

Era mais do que eu imagina para minha primeira visita a um alambique gaúcho. No dia seguinte, fomos para o Alambique da Weber Haus em Ivoti, mas essa história eu conto no meu próximo post.

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Comentários

  1. […] Na Estrada | Por: Felipe Jannuzzi Na semana passada escrevi sobre minha visita ao alambique da Cachaça Bento Albino em Maquiné. Depois de comer pela primeira vez um autêntico churrasco fogo de chão e conhecer […]

  2. Rafael Schmitt

    abril 2, 2012

    Boa noite. gostaria de saber se tem como voçês me passarem algumas informações sobre custos de construção de um alambique. Pois tenho interesse em investir nesta área mas tenho muitas duvidas. e gostaria de ter uma noção para por ezemplo quantos ha de cana preciso para fabricar em media uns 20 litros de cachaça.
    Muito obrigado….

  3. jose carlos do amaral

    maio 8, 2015

    Tchê Um hectare produz em torno de 100 toneladas de cana, cada tonelada 100 litros da cachaça , numa plantação de 10X20 ta bom

  4. Nassif Ballura Neto

    outubro 6, 2016

    Queridos ARMANDO E LUZIA
    TENHA CERTEZA DE QUE SERÁ UM PRAZER INCOMPARÁVEL ESTAR COM VOCES NO FINAL DE
    NOVEMBRO/2016, QUANDO ESTAREMOS COMEMORANDO NOSSOS 43 ANOS DE FORMADOS EM MEDICINA, E TÊ-LO (ARMANDO) COMO COLEGA DE TURMA, SEMPRE FOI PARA MIM UMA GRANDE HONRA, ainda mais nas terras de bento albino !!!
    ATÉ LÁ , UM GRANDE E FORTE ABRAÇOS AMIGO

    Nassif

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