O Lado Premium do Destilado Nacional - Mapa da Cachaça
Verallia

O Lado Premium do Destilado Nacional

21 de 12 de 2011

O lado premium do destilado nacional

Foto: usuário do Flickr: ducamendes http://www.flickr.com/photos/ducamendes/ Divulgada sob licensa Creative Commons.

Fechamos 2011 com algumas notícias um pouco desconfortantes sobre o mundo dos destilados: o consumo de Tequila subiu 18% no país, as marcas líderes de vodka e whisky da Diageo (Smirnoff e Johnnie Walker) tiveram o melhor índice de consumo no Brasil (tanto é que eles até fizeram um filme comemorativo que comentamos aqui). O consumo de fermentados também cresceu, com a cerveja crescendo mais do que o da Cachaça. Um retrocesso? Não exatamente. Embora o espantoso consumo da caninha tenha desacelerado um pouquinho nos últimos anos, seu consumo Premium do destilado nacional vem subindo. Mesmo que não na mesma proporção destas outras bebidas, esta notícia é digna de bastante comemoração.

Com um volume de produção que ainda a mantém no posto de terceiro destilado mais consumido no mundo (são 1,5 bilhões de litros/ano na produção, mais do que o whisky, o cognac e a Tequila, por exemplo), não é de mais volume que a Cachaça precisa. Divulgar, fortalecer e aprender a consumir e fabricar a Cachaça “Premium” é a principal forma de se valorizar a bebida no Brasil.

E o que é, afinal, a Cachaça Premium? Na minha opinião, a Cachaça Premium é aquela que consegue ressaltar as melhores características do destilado nacional – suas qualidades de cor, sabor e aroma, bem como suas várias possibilidades de combinações gourmet (seja combinada com madeira, com frutas ou com nossa culinária). Para isto, algumas recomendações de fabriação, dentre outras, devem ser seguidas para que se possa caracterizar uma Cachaça como Premium:

  • A destilação correta num alambique de cobre é o que garante grande parte das qualidades que falamos aqui. Ainda não conheço aguardentes industriais (destiladas em aparelhos chamados “colunas de destilação”), que ofereçam tanta riqueza sensorial quanto as feitas pelo processo “artesanal”.
  • Não é qualquer destilação no alambique que garante a Cachaça de qualidade: apenas quem sabe separar o grande miolo da destilação dos elementos desagradáveis é que proporciona um produto Premium. (Veja mais sobre as chamadas “Cachaças de Coração” aqui).
  • Cachaça Premium, para fazer bonito, também tem que estar devidamente registrada e identificada (veja o porque aqui).
  • Outros detalhes técnicos no fabrico e alguns segredos de produção também são garantia de um bom produto: moagem da cana em até 24h depois da colheita, higiene rigor e continuidade em todo o processo também garantem o padrão de qualidade.

Agora uma questão crucial: não são só as Cachaça envelhecidas que podem ser consideradas um destilado Premium. Ao contrário, muitas cachaças BRANCAS merecem o título também. Isso não quer dizer, de modo algum, que as branquinhas não devam ser DESCANSADAS por alguns meses em tonéis “inertes” (inox ou jequitibá de grande tamanho, por exemplo). Por períodos curtos (de 3 a 6 meses), o descanso da Cachaça branca melhora e arredonda suas qualidades, garantindo o título de Premium. Pela experiência que tive até agora, diria que toda Cachaça Premium merece ser DESCANSADA, mas nem toda precisa ser ENVELHECIDA.

Outras questões cruciais: Premium não é igual a mais cara. Existem excelentes Cachaças, por exemplo, beirando os R$25, r$30 reais, pouquinha coisa mais cara do que a vodka comumente consumida pela grande Classe Média brasileira que fez aumentar o consumo do destilado que falamos no início deste post. São Cachaças de enorme qualidade, as quais podem fazer tão bonito quanto um whisky que custa, no mínimo, o triplo de seu preço.

Por último é importante dizer: a maior parte das Cachaças que hoje poderiam ser consideradas como PREMIUM não trazem esta denominação no rótulo. E nem precisam trazer. O que hoje se chamaria de Premium, deveria ser, na minha opinião, apenas uma denominação para uma Cachaça “justa”, uma Cachaça “Verdadeira”: aquela que ressalta o que há de melhor no destilado brasileira – seus sabores e aromas, e não apenas o álcool. Mas existe tanta aguardente de cana circulando no mercado, que, frente a este volume, é muito pequeno o número de marcas que revelam as qualidades da Cachaça que tanto falamos aqui. O mesmo acontece com o café, com o vinho e até com a vodka: o volume de produtos de menor qualidade sensorial é sempre maior. Mas nesses casos, as pessoas julgam a bebida pelos melhores exemplares, e não pelos piores. Se brasileiro fizesse o contrário com a Cachaça, o cenário era outro. É hora de redescobrir o lado Premium do Brasil!

 

OBS: Os dados do crescimento do mercado de destilados são da IWSR (International Wine and Spirit Research). Fico devendo aos leitores interessados as fontes e os valores mais acurados do crescimento do consumo Premium da Cachaça: é muito difícil achar dados atualizados da bebida nacional, mas estamos sempre nessa busca.

 

 

 

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