Microdestilaria Hof: Cachaça, café, paixão e personalidade etílica - Mapa da Cachaça
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Microdestilaria Hof: Cachaça, café, paixão e personalidade etílica

05 de 10 de 2020

A microdestilaria Hof foi criada por Martin Braunholz e seu filho, Matheus, em uma propriedade localizada na Serra da Mantiqueira, na rota do Circuito das Águas Paulista, na cidade de Serra Negra, interior de São Paulo

Em meio às montanhas da Serra da Mantiqueira, no Circuito da Águas Paulista, encontrar um alambique num vale é tão fácil quanto apreciar o perfume da florada de café na primavera. Um convite ao descanso e à contemplação. Nesse território, predominantemente de imigrantes italianos, um alemão inspirado por modelos americanos e europeus encontrou o refúgio que precisava para criar um laboratório etílico e destilar suas paixões.

Assim, sem pressa, surge a Alma da Serra, cachaça fina, bidestilada e envelhecida em carvalhos francês, americano ou de Whiskey Tennessee. Uma jovem ‘menina’ no mercado de espíritos brasileiros, mas cheia de personalidade que lhe conferiram vários prêmios nacionais e internacionais. Resultado do cuidado pessoal com a produção de Martin Braunholz e do filho Matheus, donos da Microdestilaria Hof.

Com produção em pequena escala, de garrafas numeradas, cada gole é a certeza de estar experimentando algo único e exclusivo. E se o conceito em estilo boutique é de produção limitada, os planos de diversificação vão no sentido oposto. A Hof acaba de estruturar sua loja online para venda direta ao consumidor final e, mesmo em um tempo de incertezas, segue com a estratégia de apresentar novas criações ao mercado, como um licor de gin, um blend de cachaça e um novo destilado, mirando tendências identificadas para o próximo ano. A microdestilaria trabalha, hoje, com cachaça, gin e licores finos, além de ready to drinks.

“O gin ainda irá imperar em 2021, mas o retorno ao ‘novo normal’, com a maior abertura de bares e restaurante, a mixologia e suas bebidas (whisky, rum, vodka, etc) deverá apresentar um crescimento considerável”, avalia Martin. E mesmo em meio a um mercado que o produtor considera saturado “por uma concorrência que visa apenas lucro e não prima pela qualidade”, a Microdestilaria Hof responde com o desenvolvimento, em vias finais, de um novo gin com café, para fazer companhia às linhas Minna Marie e Boxxer.

A infusão do ouro verde não é novidade nos alambiques de cobre da Hof e remonta ao primeiro produto comercializado, quando a empresa foi lançada profissionalmente no mercado, em 2011. O famoso Trigoni, licor com café arábica das montanhas de Serra Negra e cascas de laranja cortadas à mão, foi o precursor de outro espírito de personalidade, o Curato, infusão que uniu duas paixões brasileiras: cachaça e café. Mostrando que é possível ter dois amores, vivendo em harmonia, num só copo.

Com a família prestes a aumentar, a escolha mais uma vez do café como ingrediente de destaque soa como uma verdadeira homenagem de Martin às terras serranas, uma referência para a cafeicultura paulista. Essa reverência às origens está presente no nome e na composição de vários produtos. O último lançamento, a Cachaça Hof Alma Paulista é um blend de alambique em tonel de Jequitibá Rosa, árvore símbolo do Estado de São Paulo.

E por falar de território, difícil não citar o fluxo que alimenta tudo isso. Localizada há 925 metros de altitude, Serra Negra é considerada estância hidromineral, muito procurada pelo turismo rural. “A qualidade da água é fundamental, pois no processo de produção das bebidas a água é adicionada nas diversas etapas e faz parte do produto. O clima de montanha também produz uma cana com maior teor de açúcar, o que é fundamental para uma boa cachaça”, revela Martin.

Dona ainda de drinks engarrafados como o Rabo de Galo e um Negroni descansado em barris de vinho do porto, dar um passeio pelo portfólio da Microdestilaria Hof é como viajar o mundo sem largar o copo, e agora, também, sem precisar sair de casa. É uma síntese de tudo o que Martin pesquisou, viu e experimentou em suas viagens. E, também, uma fusão do que há de melhor numa produção artesanal, brasileira, inovadora que valoriza produtos regionais e o bom gosto de quem aprecia um bom espírito. Para quem prefere a experiência presencial, a boutique agenda passeios que incluem tour guiado à destilaria artesanal com degustação das premiadas bebidas.

Confira um pouco mais da entrevista com Martin Braunholz

Na sua opinião, o que confere personalidade a um destilado nacional e como essa personalidade se traduz nas criações da Hof?

MB.: Personalidade em bebidas é o resultado de um cuidado pessoal na produção, atenção especial em cada lote produzido, cortes bem feitos (isto significa destilação em lotes em alambiques de cobre e não industrial). É desta forma que produzimos nossos produtos. As etapas anteriores (escolha de ingredientes, a infusão, etc.) e as posteriores (descanso, envelhecimento, utilização de barris e tonéis de alta qualidade), também influenciam sobremaneira na qualidade e personalidade dos produtos.

O que levou a microdestilaria a diversificar a produção de destilados e que tipo de produtos a Hof oferece hoje?

MB.: Sempre tivemos o propósito de oferecer uma linha completa de destilados para bares e mixologia. Iniciamos por um licor destilado de café & especiarias, passamos a bidestilar cachaça e desenvolvemos aguardentes únicas, com ingredientes regionais, como a Curato (Cachaça e Café), depois vislumbramos a tendência no aumento do consumo de gin no país e lançamos um dos primeiros gins nacionais em diversas versões e agora nos preparamos para mais lançamentos seguindo nossos objetivos. Lançamos recentemente dois drinks engarrafados, o Rabo de Galo e um Negroni descansado em “port wine cask”, muito bem recepcionados pelos clientes.

Em que patamar você coloca a destilaria brasileira?

MB.: Desde nossa entrada profissionalmente no mercado em 2011 percebemos uma evolução muito grande no setor. Nós nos inspiramos nas novas microdestilarias americanas e europeias que viviam um renascimento das pequenas destilarias e cresciam em importância no mercado. Esta foi a forma que vimos de nos destacar frente aos alambiques tradicionais que atuavam no mercado há muito tempo e contavam com a história e tradição a seu favor. Desta forma conseguimos a visibilidade que almejávamos. Desta época para cá percebemos a evolução não só em termos de divulgação e imagem, mas um importante aumento no profissionalismo dos alambiques tradicionais, mas também o aparecimento de novas destilarias no mercado, principalmente com o aumento significativo de destilarias exclusivas de gin.

Passamos um momento ímpar com a pandemia que teve influências no modo de consumo do brasileiro. Como analisa o atual momento para os destilados nacionais?

MB.: É absolutamente lamentável que inúmeros bares e restaurantes tenham fechado durante esta pandemia, justamente quando a mixologia brasileira estava se desenvolvendo muito. O reflexo foi que os consumidores passaram a beber em casa. Isso propiciou o mercado eletrônico e as vendas evoluíram neste tipo de comercialização. A Hof acabou de estruturar seu comércio eletrônico e as vendas por este canal estão evoluindo positivamente. No geral o volume comercializado nestes tempos de pandemia se reduziu.

Sente uma valorização do produto nacional?

MB.: Ainda não podemos afirmar que há uma valorização do produto nacional em qualquer segmento de bebidas. Ainda há a percepção de que o produto importado é melhor e que a cachaça é um produto de menor qualidade. Isso diminuiu nos últimos anos, mas ainda é uma verdade. Devemos ainda levar algum tempo para diminuir esta ideia nas pessoas. Havíamos sentido uma elevação nos volumes comercializados no gin, mas mais recentemente percebemos uma saturação por uma concorrência que visa apenas lucro e não prima pela qualidade.

2020 foi um ano de muitas incertezas na economia. Você acredita que o setor vá sair mais fortalecido desse período? O que ainda é preciso fazer?

MB.: O setor não saiu fortalecido em virtude da pandemia. Deve haver baixas nos produtores que não tiveram estrutura para suportar este período. Ainda há que se melhorar a percepção de qualidade no consumidor, as estratégias de marketing precisam melhorar (mesmo a nossa) a principal dificuldade está na colocação em grandes redes de comércio, que aproveitam para tirar toda a possibilidade de lucro dos pequenos produtores exigindo condições inaceitáveis. O que resta é a tentativa de se impor em pequenos comércios e diretamente aos pontos de venda.

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