Livros para quem bebe Cachaça - Parte 1 - Mapa da Cachaça
Verallia

Livros para quem bebe Cachaça – Parte 1

16 de 10 de 2019

História do Brasil, temas econômicos, poesia e publicações especializadas. Fizemos uma primeira seleção de livros sobre cachaça ou temas relacionados para quem gosta e quer aprender mais sobre bebidas e gastronomia.

Sentiu falta de algum livro sobre cachaça na nossa seleção? Vamos criando outras listas e aos poucos vamos publicar aqui no site do Mapa da Cachaça. Caso tenha alguma sugestão de literatura sobre cachaça ou temas relacionados envie suas dicas para contato@mapadacachaca.com.br

Vinho & Guerra – Don e Petie Kladstrup

Vinho e Guerra

O livro é sobre vinho e a história da 2a Guerra Mundial, mas ele mostra como é possível falar de uma cultura pela perspectiva de produtores de bebidas

Esse não é um livro sobre cachaça, como já devem ter notado a bebida da vez aqui é o vinho. Em Vinho & Guerra os autores contam a história  da II Guerra Mundial pela perspectiva dos produtores de vinho na França. O livro retrata as artimanhas dos franceses para esconderem milhares de garrafas de vinho dos invasores alemães.

Assim como o vinho é um tesouro nacional francês, acreditamos que a cachaça representa muito da nossa história e cultura e por isso ela deve ser tratada como um patrimônio nacional. Assim como os autores, é possível mostrar que podemos falar sobre história e identidade de um povo ao falarmos sobre ingredientes próprios da gastronomia, como o vinho é para o francês e a cachaça para o brasileiro.

Versinhos de Caipira – Sidnei Maschio

Versinhos Caipirinhas de Sidnei Maschio

Além de poeta, Sidnei é conhecedor de cachaça fazendo parte da Cúpula da Cachaça – grupo que avalia as melhores cachaças do Brasil.

Cachaça combina e muito com poesia! Em Versinhos Caipiras, Sidnei Maschio transformou suas viagens pelo sertão brasileiro em prosa gostosa. Leitura ideal para acompanhar uma boa cachacinha.

“Engraxei o sapato e fui na freguesia tirar retrato mas não sabia que o pé não aparecia na fotografia, voltei pra casa e penteei o cabelo com muito zelo, vesti o paletó, mas na gravata não acertei de dar nó e ainda fiquei com dó de sair na estrada porque ia pegar pó. Aí mandei dizer pro Benedito retratista que, mesmo que ele insista, o combinado vai ficar de lado e vou deixar o dito pelo não dito, porque eu também nem sou muito bonito.”

Expedição – Brasil Gastronômico

Fartura - Expedição Brasil Gastronômico

Viagens e gastronomia pelo Brasil

Viagem e gastronomia – duas das coisas que mais gostamos aqui no Mapa da Cachaça. O livro Expedição – Brasil Gastronômico está na nossa lista porque traz justamente essa mistura de pé na estrada e a busca por pratos e bebidas tipicamente brasileiros. O livro surgiu do projeto Expedição Brasil Gastronômico que levou uma equipe do Festival de Gastronomia de Tiradentes para documentar a diversidade dos ingredientes brasileiros. A obra traz  uma identificação do que seria uma gastronomia regional – buscando caracterizar  um terroir para os diferentes pratos da nossa gastronomia. Neste mapeamento, o livro traz personagens (chefs e produtores rurais), ingredientes, estilos e uma associação direta da gastronomia com cultura local. Como um bom livro de viagem e gastronomia, as belas fotos nos transportam para diversos lugares do Brasil e dão muita água na boca.

Crash – Alexandre Versignassi

Crash - Alexandre Versignassi

Alexandre Versignassi de maneira bastante didática fala sobre temas econômicos complexos. E quando fala de economia brasileira tem cachaça no meio!

De maneira bastante didática, Alexandre Versignassi explica vários conceitos do mundo econômico. Tem dúvida sobre o que é inflação? Ou o que causa uma bolha na economia? Crash explica tudo isso de maneira simples e trazendo exemplos da história antiga e outros mais contemporâneos. Em um dos capítulos, Crash apresenta a história da moeda  – que já teve como lastro o sal, a prata, o tabaco e até mesmo… a cachaça – durante o século XVII – inclusive muito valorizada como moeda de troca por escravo na África. Entender a economia brasileira é entender sobre o papel da cachaça nos primeiros séculos do Brasil Colonia – um dos primeiros produtos da nossa indústria e que teve papel importante em todos os nossos ciclos econômicos, começando pelo Ciclo do Açúcar.

Cachaça – O Espírito Mineiro – José Lúcio Mendes Ferreira

Cachaça, o espírito mineiro - livro sobre cachaça

José Lúcio Mendes é bastante envolvido no mercado da cachaça, sendo o responsável pelo evento Expocachaça

Cachaça – o espírito mineiro é obra de José Lúcio Mendes –  o autor é envolvido no mercado da cachaça como articulador e produtor dos principais eventos sobre o tema, como a ExpoCachaça. O livro sobre cachaça, além de informativo, apresenta muitos trechos de poesia e até mesmo uma postura política – tão importante nesse setor repleto de contradições.

Em sua obra, José Lúcio não deixa de expor sua opinião sobre impostos abusivos e o futuro incerto do pequeno produtor da cachaça de qualidade. Obras como essa nos ajudam a resgatar e valorizar a cultura, história, aromas e sabores do destilado brasileiro, além de colocar em pauta questões que merecem ser debatidas.

O Brasil Holandês – Evaldo Cabral de Mello

O Brasil Holandês, Evaldo Cabral de Mello

Evaldo Cabral de Mello fala sobre esse período histórico importante para a história do Brasil e dos destilados de cana

Os holandeses produziam uma aguardente de cana no Brasil no início do século XVII. Dai foram expulsos pelos portugueses que proibiram a produção do destilado para vender mais bagaceira, um destilado de uva importado de Portugal. Quando chegaram no Caribe, os holandeses voltaram a produzir aguardente de cana, usando a força da Companhia das Índias Ocidentais para vender e divulgar o que conhecemos hoje como rum. Apesar de mais novo, o rum é mais pop do que a cachaça graças aos empreendimentos holandeses no Cariba.

Durante todo o Brasil Holandês, vemos a influência de Nassau no nordeste brasileiro e como tinha uma visão tão diferente daquela praticada pelos portugueses: na economia,  no urbanismo, nas relações sociais, na preservação da fauna e flora brasileira e no futuro da aguardente de cana.

Cachaça – Araquém Alcântra e Manoel Beato

Cachaça, Manoel Beato e Araquem Alcantra - livro sobre cachaça

Um sommelier de vinhos e um fotografo se unem para fazer uma publicação sobre o destilado mais brasileiro do mundo

Com prefácio de Fernando Henrique Cardoso, textos do sommelier Manoel Beato e fotos de Araquém Alcântara, “Cachaça” é livro indispensável nas prateleiras dos amantes da bendita. Esse livro sobre cachaça é dividido em duas partes, na primeira, Beato conta suas impressões sobre o mundo da cachaça, mostrando sua rica bagagem cultural e nos conduzindo pelo universo da cachaça, sem muito aprofundamento, mas com uma visão de quem conhece muito sobre o mundo das bebidas alcoólicas. Na segunda parte, estão as fotos de Alcântara, trabalhando bastante com o p&b e retratando da produção ao consumo da bebida.

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Comentários

  1. Enaldo Lopes de Oliveira

    julho 4, 2014

    Parabéns. Tudo de bom para que gosta da caninha e especialmente da cultura da cachaça. Tenho o livro do José Lúcio. Onde posso adquirir os outros pela internet? Abs Enaldo Lopes

  2. Julio de Rezende Nesi

    setembro 5, 2014

    Como bom apreciador da cachaça, estou sempre a procura de literatura sobre a mesma. Portanto, fiquei bastante interessado sobre as três sugestões de livros sobre cachaça comentados por vocês (Cachaça, Cachaça-O Espirito Mineiro e o Brasil Holandês). São livros que ainda não disponho. Gostaria que me fornecessem alguma pista. Ficarei bastante agradecido.

  3. VICENTE OEL

    outubro 1, 2014

    Gostei muito do site e para dar minha contribuição, porque não encontrei referências, poderiam incluir nas obras destacadas sobre a cachaça o livro “PRELÚDIO DA CACHAÇA”, do escritor LUIZ DA CÂMARA CASCUDO:

    Outra obra interessante é: “Cachaça ou pinga ou aguardente ou canjebrina ou caninha ou…: em diferentes lugares, um símbolo nacional. de Gabrielle Mesquita Alves Rosas – Universidade Estadual de Campinas: gab.violeta@gmail.com

    SOBRE A OBRA “PRELÚDIO DA CACHAÇA”:

    Prelúdio da Cachaça. Etnografia, História e Sociologia da aguardente no Brasil. Rio de Janeiro, IAA, 1968; por Tatiana Paiva

    * Ementa:

    O livro “Prelúdio da Cachaça” foi escrito em Natal em 1967, editado e divulgado pelo Instituto do Açúcar e do Álcool em 1968. É composto por 99 páginas, sendo estas divididas em 17 capítulos, introduzidos pelo prefácio de Claribalte Passos, que define a obra como “admirável Sociologia da Aguardente” (pp.3).

    O trabalho do autor é minucioso e preciso recorrendo a materiais, documentos e fontes mais diversificadas possíveis, fazendo uma caminhada “meticulosa e segura pelas estradas do tempo” (pp.4). “O retrospecto histórico é realmente soberbo” (pp.4), como afirma Claribalte Passos observando não só o esforço de Luis da Câmara Cascudo em ser coêrente, mas também reconhecendo a importância do livro em si, que “vem preencher uma enorme lacuna no seio da literatura do gênero” (pp.5).

    A tese central pode ser definida por uma viagem folclorica, uma retrospectiva na jornada da aguardente no Brasil, afim de descobrir como surge o custume e a tradição da bebida que “‘serve para tudo e mais alguma coisa'” (pp.21). Cascudo pesquisa desde como surgiu o nome Cachaça, até como era vendida, quando era bebida, quem a consumia etc. Sua retrospectiva sobre o assunto nos leva a uma jornada histórica voltando aos tempos coloniais dos canaviais e do tráfico negreiro, mostrando que a aguardente brasileira era bebida, mercadoria e um excelente e disputado presente. Cascudo se propõe a fazer um estudo analisando todas as dimensões da cachaça no Brasil, não fazendo um estudo do “complexo folclore, as aplicações da terapêutica superticiosa, os ritos da consumação plebéia”, mas sim “um diagrama do percurso secular” (pp.98), sobre a “água que passarinho não bebe” (pp.3).

    – O livro é composto por 17 capítulos:

    – Cap. 1: “Abrideira”: Comenta sobre o custume do primeiro copo de cachaça, “primeira dança, primeiro prato.” (pp.7). “Diz-se também ABRE” (pp.7), contrário de Saideira.

    – Cap. 2: “Identificação”: Primeiras menções da cachaça, falando dos diversos nomes e possíveis origens destes. Refere-se também sobre a diferênça que a bebida tinha para cada raça (negros, índios e portugueses), colocando em questão a trajetória da cachaça pelo Brasil e as distinções de categorias. Mostra a popularização da aguardente em contraste com o vinho português, dizendo que “A propaganda da cachaça partiu de baixo para cima e de dentro para fora.”(pp.37). A importância da bebida para Portugal em relação ao tráfico de escravos e contato com os índios.

    – Cap. 3: “Ausência”: Relata que no Brasil não existe o culto à bebedeira, “o brasileiro é devoto da cachaça mas não é cachaceiro.” (pp.41).

    – Cap. 4: “A Profissão”: Começo do desenvolvimento dos caniviais.

    – Cap. 5: “Exportação”: A cachaça atinge um elevado nível de exportação, ficando “logo depois do açúcar, café, fumo e algodão.” (pp.47).

    – Cap. 6: “Niveladora”: Problemas causados pela grande difusão da cachaça e pelo grande consumo (principalmente entre negros e índios).

    – Cap. 7: “Bebida de ‘Cabra'”: Bebida atribuída nem ao negro, nem ao branco mas sim ao Cabra. “Vida de cabra é cachaça” (pp.52)

    – Cap. 8: “Técnica”: A cachaça se transforma em bebida popular, quase vital em certos lugares e situações, como em relação aos índios. Aquela “penetrou o cerimonial religioso” (pp.58) dos africanos e ultrpassou o consumo do tabaco, do fumo no Brasil e na África principalmente.

    – Cap. 9: “Cerimonial”: A relação da cachaça com cultos religiosos.

    – Cap. 10: “Sinônimos”: Expõe a diversidade de termos e os regionalisa.

    – Cap. 11: “Coragem”: “Há uma tradição de que a cachaça misturada com polvora provoca coragem” (pp.69). A cachaça teria sido utilizada em guerras brasileiras.

    – Cap. 12: “Baile”: Sobre o “Baile da Aguardente” divulgado por Melo Moraes Filho no Rio de Janeiro em 1902, em bailes pastoris mostrando a grande valorização da bebida.

    – Cap. 13: “O Baile da Aguardente”: O texto

    – Cap. 14: “Cana-Caiana”: Processo da cana no Brasil e seus diferentes tipos (Caiana, Preta, Roxa, Fita, Amarela, Pernambuco).

    – Cap. 15: “Etiqueta”: As bebidas e seus contextos sociais, inclusive a cachaça.

    – Cap. 16: “Interlúdio do Fumo”: O fumo e a bebida caminham juntos. “Quem bebe, fuma…” (pp.90).

    – Cap. 17: “Saideira”: Agradecimentos e exposição do objetivo que tentou alcançar.

    * Interlocução:

    * Literatura:

    Sheridan(9), Henri Béraud(9), Gil Vicente(10, 11, 19, 98).Gabriel Soares de Sousa(11, 44, 91), Nuno Marques Pereira(11), Domingos Vieira(12, 22, 23), Johan Gregor Aldenburk(13), Pyrard de Laval(13, 16), Jorge Marcgrave(13, 17, 24, 92), Guilherme Piso(13, 17, 24), Willem Pires(13), Fernando Ortiz(14, 58, 59), João Antonio Andreoni(14, 15, 17, 18, 24, 25), Heli Chatelain(12, 19, 57, 93), Antonio Coelho Guerreiro(22, 24), M.P. Videira(22), H. Brunswick(23), Henry Koster(25, 35, 36, 47, 83), Vivaldo Coaracy(26), Leonardo Arroyo(28), J. Lucio de Azevedo(29), Afonso Arinos de Melo Franco(37), George Gardener(41), Diogo Lopes de Santiago(43), Mario Antonio Fernandes de Oliveira(45), Alvaro Maias(50), José Antonio Golsalves de Melo Neto(58), Luis da Câmara Cascudo(60), Ascenso Ferreira(69), Melo Morais Filho(71), Julio Camba(87), Ricardo Palma(87, 88), Damião de Goés(90, 91), Hans Staden(91), Andre Thevet(91), Jean de Lery(91), Luis de Camões(94). Miguel Cervantes de Saavadeira(98).

    * Etnógrafos:

    Bruno de Meneses(59, 60). A da Silva Melo(21).

    * Personalidades Históricas:

    Sá de Miranda(9, 10, 17, 18, 20, 88, 97), Antonio Pereira(9, 10, 17, 18).

    * Personalidades Religiosas:

    Padre Anchieta(11), Frei Domingos Vieira(17, 22, 23), Gregório de Matos(22, 23, 91), Padre João Ribeiro(37, 81), Padre Luis Golsalves dos Santos(39), Padre André Fernandes(58), Ambrosio(64), Padre Antonio Vieira(89), Padre Fernão Cardim(91), Padre Manoel da Nóbrega(91), Padre Cardim(93).

    * Côrte:

    Rei D. João III(10), Conde de Nassau(13), D. João IV(27), D Afonso VI(27), D. Luisa de Gusmão(27), D. Pedro II(28, 86, 93), D. João V(29), D. Pedro I(37), D. João VI(39, 42), D. Manoel(42).

    * Senhor de Engenho:

    Antonio Moraes Silva(12, 17, 23).

    * Políticos:

    Heli Chatelain(12, 19), Gov. Francisco José de Lacerda e Almeida(19), Rodrigo César Menezes(23), D. Sebastião Francisco Cheque Dembro Cacula Cacahende(23), Gov. D. Luis de Almeida Portugal(27), Duque de Aveiro(27), D. Fernando Teles de Faro(27), D. José(29), Wied-Neuwied(36, 38, 67, 83), Nunes Machado(54), Antonio Ennes(57), Conde de Stradelli(60), Senador Simaco(64), Stalin(86), Winston Churchill(86), Campos Sales(86), Senador Pedro Velho(86), Ruy Barbosa(88, 98), Antonio Ferreira(88).

    * Acadêmicos:

    Prof. Joaquim Alberto Pires de Lima(18), Dr. Firmino Bouza-Brey Trillo(18), Prof. Augusto Cesar Pires de Lima(18), Fernando de Castro Pires de Lima(54, 97), Prof. Renato Braga(84).

    * Viajantes:

    Serpa Pinto(19, 49), Hermenegido Capello(19), Roberto Ivens(19), Von Martius(23, 31, 38, 47), Ambrosio Richshoffer(26), Augusto de Saint Hilaire(38, 41, 83), Maria Graham(49), Livigstone(49), Albert Schweitzer(49), Shweingfurty(49), Joan Nieuhof(70), Bougaville(82).

    * Historiador:

    João Ameal(29). José Calasans(37), João Ribeiro (72).

    * Militares:

    Beaurepaire-Rohan(16, 22, 67), Sgt mor José Antonio Caldas(35), Stg mor Antonio Dias Cardoso(43), Seu Pai(69), Cap. Joaquim Freire(69), Mal. Floriano Peixoto(69), Major Antonio Augusto de Athaide(70), Gen. João da Fonseca Varela(70), Gen. Osório(70), Brigadeiro Manoel Marques(82), Cap. Joaquim Epifânio de Vasconcelos(82), Gen Pinheiro Machado(88).

    * Cronistas Coloniais:

    Gabriel Soares de Sousa(11, 44, 91), João Antonio Andreoni(14, 15, 17, 18, 24, 25), Hans Staden(91), Andre Thevet(91), Jean de Lery(91).

    * Sem Referência:

    Pero Marques(11), Nicolau Lanckman(11, 20), Basílio de Magalhães(22), Dona Carolina Michaellis de Vasconcelos(18, 43), Francisco Peres de Lima(25), Bouza-Brey(30), Garcia de Orta(35, 44), Richard Burton(37), M. Rodrigues Lapa(38), Hawe(38), George Frederich(44), Teodoro Sampaio(51), Piro Ivo(54), Avó do Poeta Ascenso Ferreira(55), Hugh Tracey(57), Bronislaw Malinowiski(58, 63), Pereira da Costa(67), Francisco de Sousa Coutinho(83), Luis de Goes(91), Jean Nicot de Vllemain(91), Múcio Texeira(94).

    * Fichamento:

    I) Capítulo 2: “Identificação” (pp.9-39)

    ( Constitue a maior parte do livro, reunindo informações diversas. Cascudo faz uma investigação sociológica e histórica sobre de como e quando a bebida designada aguardente/cachaça fora mencionada pela primeira vez no Brasil. Encontra este dado na carta II de Sá de Miranda para Antonio Pereira, que em forma de verso menciona a palavra cachaça: “Ali não mordia a graça,/ Eram iguais os juízes;/ Não vinha nada da praça,/ Ali, da vossa cachaça!/ Ali das vossas perdizes!” (pp.9). A partir deste dado, o autor investiga a carta e outras menções feitas à bebida, como fazia Gil Vicente, que segundo o autor também possuía fixação pela mesma. No entanto o termo “cachaça”não era utilizado com frequência no Brasil, e sim Aguardente. Na hipótese de Cascudo, a Espanha já fazia uso da bebida, sendo bastante apreciada pelos europeus. Estes introduziram o uso da aguardente entre os índios e negros, que até então desconheciam qualquer bebida destilada. Entretanto ficou extremamente popular na África Negra, sendo ali fabricado todo tipo de aguardente.

    ( No Brasil o nome não correspondia a divulgação deste destilado, “A bebida existia, apetecida e vulgar” (pp.13). Encontra-se registros, textos, relatos sobre a cachaça, mas nunca seu nome. No lugar disso era utilisado vinho. Aparece em certos documentos revistados por Cascudo que a palavra cachaça referia-se a uma bebida sem teor alcoólico no século XVII. Neste período era fabricada uma aguardente-de-cana ou Caninha, que possuía teor alcoólico. Teria também a aguardente das bôrras do mel de cana, do melaço que seria, na opinião de Beaurepaire-Rohan, “a legítima cachaça” (pp.16). Esta, acredita o autor, foi o que Sá de Miranda bebera e a que menciona ao amigo Antonio Pereira.

    ( Os diversos nomes que a cachaça adquirira (Cana, Caninha, Cachaça, Aguardente da terra e do reino, Jeribita, Geribita, Jiribita, Garapa Azeda destilada, Bagaceira, Piripita), não prejudicaram sua divulgação. Era simplesmente uma diferença de regiões e costumes.

    ( No Brasil os caniviais pertenciam aos jesuítas, o que fez da cachaça uso para controle de aldeias índigenas, assim como foi usada para o tráfico negreiro e comércio de escravos. “Aguardente da terra, a futura cachaça, era indipensável para a compra do negro africano, e ao lado do tabaco em rolo, uma verdadeira moeda de extensa circulação” (pp.26).

    ( O uso da cachaça era tanto que começou a ocorrer uma concorrência com o vinho português. Iniciou-se até um tráfico de cachaça no país. Na época da Independência, era símbolo de patriotismo não beber e fazer uso de produtos portugueses, sendo uma propaganda pró-aguardente da terra.

    ( A cachaça passou a ser citada, por padres, viajantes, políticos, escritores. Virou sinônimo de “mau que tudo cura”, e ficou cada vez mais popular.

    II) Capítulo 3: “Ausência” (pp.41-44)

    ( O título do capítulo é sugestivo a primeira frase do mesmo: “Atenda-se que o brasileiro é devoto da cachaça mas não é cachaceiro.” (pp.41). Mesmo a cachaça sendo uma bebida popular, e muitas vezes “marginalizada”, não havia um culto à “bebedeira”, não havia apologia da bebida. Os viajantes que pelo Brasil passaram atestam que havia um grande consumo da bebida, mas comprovam “…a sobriedade brasileira no tocante ao consumo alcoólico.” (pp.42).

    III) Capítulo 7: “Bebida de ‘Cabra'” (pp.51-55)

    ( Nesta parte do livro o autor expõe que a bebida “pertencia” ao Cabra, não pertencia aos índios, nem aos negros ou mulatos. “A disponibilidade agressiva do mulato, a perfídia astuta do branco, são sequência como a feitiçaria para o negro e a cachaça para o ‘cabra'” (pp.52). “Vida de cabra é cachaça” (pp.52).

    ( Coloca outro ponto interessante, dizendo que “A tradição cachaceira não é européia…”(pp.54). A cachaça “…é a bebida do povo… bebida nacional, a BRASILEIRA” (pp.54). Reconhece a importância da bebida como teria dito a avó do poeta Ascenso Ferreira ” que fôra a Branquinha quem gritara a República de Olinda em 1710″ (pp.55). A cachaça curiosamente tomara forma humana, era a Moça Branca, a Brasileira, a Patricia, Patriota, Gloriosa.

    ( Escreve também sobre a condição social que ronda a bebida, um cenário até marginalisado em relação as outras bebidas mas que faz parte do seu cotidiano, do seu mundo.

    IV) Capítulo 8: “Técnica” (pp.57-62)

    ( Começa o capítulo enfatizando o triunfo da cachaça: “Só não a bebem quando é impossível obtê-la.” (pp.57). A bebida ficou conhecida e passou a ser consumida de norte a sul conquistando “…a preferência insular e continental” (pp.57). A cachaça tornara-se “… o melhor presente, a moeda poderosa, o amavio sedutor.”(pp.57), “É o mais presente dos líquidos, demonstrando a culturação nacional.” (pp.60).

    ( A cachaça passou a ser um instrumento de trabalho. Na África o consumo era tanto que Atonio Ennes, quando era comissário régio em Moçambique tentou destruir cajueiros, afim de evitar a “excitação turbulenta” (pp.58). Entretanto o conselho político holandês de Pernambuco em 1641, resolveu multar em cem florins quem derrubasse um cajueiro, por ser o fruto importante do sustento dos índios.

    ( A influência da cachaça não parava por aí. Ela começou a fazer parte dos cerimoniais religiosos, principalmente africanos. Em Moçambique, por exemplo, “…a garrafa de cachaça despejada no chão é a suprema oferta aos Muzimos temerosos, antepassados, propiciadores de êxitos.” (pp.58). No Congo e Guinés, não havia homenagem aos mortos sem aguardente derramada, pois aplaca a fúria das almas ciumentas e inquietas. Enfim podemos concluir que no tocante de sua importância a cachaça “…reina como um sultão de outrora por todo o litoral do Índico e do Mar Vermelho…” (pp.58).

    ( Cascudo ressalta que a cachaça possui um “poder translocutor”, pois ela se torna mais importante socialmente e sociológicamente do que o Fumo, a Nicotiana tabacum. O fumo sempre foi muito popular e muito consumido em todas as regiões africanas, mas nunca chegou perto das divindades religiosas. Até mesmo em Cuba, lugar mundialmente conhecido pelo tabaco até hoje, não depensava-se aguardente nos rituais mágicos dos negros.

    V) Capítulo 9: “Cerimonial” (pp.63-65)

    ( A cachaça, na opinião do autor conseguira uma façanha jamais alcançada em toda Etnogarfia Geral. Ela atingiu diferentes povos e raças penetrando no seu tocante mais difícil que é a religião. “…a cachaça anulou as restições litúrgicas, impondo-de como ortodoxa.” (pp.63). Um mundo que no entanto aparece imutável, a cachaça penetra e torna-se participante indipensável.

    VI) Capítulo 12 e 13: “Baile”/ “O Baile da Aguardente” (pp.71-72); (pp. 73-80)

    ( O “Baile da Aguardente”, foi um pequeno auto que participou dos bailes pastoris no período natalino, divulgado por Melo Morais Filho. Participam da história quatro pastoras que encontram um Guia, que as fornece a tão cobiçada aguardente, ou a caiana.

    ( O interessante destes dois capítulos é que a “bebida de Cabra” faz parte do cotidiano de todos, está nos arredores de todos os lugares, inclusive em uma festa natalina celebrava-se o nascimento do “Deus Menino”, com a aguardente. Podemos perceber que o símbolo da cachaça para o cerimonial religioso não era só para os índios e negros com magias e feitiçarias, mas também para os brancos. As pastoras, simbolizando a religião, seguem o Guia e quase imploram para tomarem a bebida que ele carrega: “Senhor, deixe ver a prova/ Desta bebida excelente;/ Suando, não bebo vinho,/ O melhor é aguardente.” (pp.74). A pastora rejeita o vinho, bebida sagrada, e deseja a aguardente, enfatizando mais adiante “Oh! Que bebida tão santa!” (pp.75).

    ( No decorrer da história todos ficam bebados, embreagados, chupados, melados e no final canta o Guia: “Louvores, aplausos,/ Ao Deus Menino,/ Hulmides rendemos,/ Que é sol Divino./ Lindas cantinelas,/ Amor casto e fino,/ Amantes rendemos/ Ao Deus Menino.” (pp.80).

    VI) Capítulo 16: “Interlúdio do Fumo” (pp.89-95)

    ( O fumo e a bebida sempre caminharam juntos como nos mostra o autor neste capítulo, era significado de maioridade e de virilidade, a mudança para a fase adulta. Curiosamente no Brasil não havia o ritual de beber e fumar como em outras regiões (Cuba por exemplo). “É surpreendente o tabaco, compadre e mano da cachaça, não acompanhá-la na viagem folclórica, sendo-lhe anterior em uso e abuso, indígena, português e negro.” (pp.90).

    ( Os dois hábitos, beber e fumar, tanto andavam juntos que acabaram se intrelaçando em um só. Passou-se a dizer “beber-fumo”, por toda América Espanhola, Brasil e regiões africanas, devido a deglutinação da fumaça.

    VII) Capítulo 17: “Saídeira” (pp.97-98)

    ( Agradece aos amigos, que contribuiram para a realização do livro permitindo ampliá-lo nos campos sociológico, etnográfico, histórico e não só folclórico. Apresenta os motivos pelo interesse sobre o assunto afirmando que “A hulmidade rústica do motivo, pela vulgaridade cotidiana, constituía presênça inegável não somente na literatura oral mas elemento de influência e modificação de culturas tradicionais entre povos remotos e terras distantes.” (pp.97). Completa ainda que não fez a história da cachaça mas sua jornada no tempo.

    ( A bebida ignorada por muitos e marginalizada por outros, foi valorizada por Cascudo de uma forma completamente diferente, pois não foi analisado o “…complexo folclore, as aplicações da terapêutica supersticiosa, os ritos da consumação plebéia.”(pp.98), mas sim o “diagrama do seu percurso secular”.(pp.98)

    ( Termina por explicar o termo Saídeira, que “…é o derradeiro gole, o último copo, o brinde terminal da despedida jubilosa.” (pp.98), despedindo-se dos “amigos”, como quem sai de uma mesa de bar.

    * Observações e comentários do Autor:

    – Capítulo 2:

    ( ” Voz índigena brasileira ou africanismo quimbundo? ” (pp.22)

    ( ” Um hóspede que não se tornou familiar ” [ Sobre a cachaça em Portugal] (pp.22)

    ( “A aguardente da terra, elaborada no Brasil, podia atender ao apetite dos fregueses hulmides, escravos, mestiços, trabalhadores de eito a jornal, todo um povo de reduzida pecúnia.” (pp.25)

    ( ” O escravo devia, forçosamente, ingerir, todos os dias, doses de aguardente, para esquecer, aturdir-se, resistir.” (pp.26)…. ” Era um preventivo ” (pp.26)

    ( ” Onde moe um engenho, destila um alambique.” (pp.28)

    ( ” Difícil não compreender a expansão de coisas produzidas e consumidas pelo povo nas áreas da própria predileção.” (pp.36)

    ( ” No Brasil, talvez alcanse o meio milhar de denominações humorísticas, líricas, sublimando o recalque, consagrando o vício beberrão.” (pp.37)

    ( ” A propaganda da cachaça partiu de baixo para cima e de dentro para fora.” (pp.37)

    ( ” Cachaça cheirava a suor plebeu.” (pp.39)

    – Capítulo 3:

    ( ” Atenda-se que o brasileiro é devoto da cachaça mas não é cachaceiro.” (pp.41)

    – Capítulo 6:

    ( ” A cachaça foi a revelação gostosa e catastrófica para pretos africanos e amerabas brasileiros. Dissolvente dinástica, dispersador étnico, pertubardor cultural.” (pp.49)

    ( ” Era a irresistível moeda por todo continente…” (pp.49)

    – Capítulo 7:

    ( ” Sem dinheiro, não há pandeiro.” (pp.52)

    ( ” Vida de cabra é cachaça, ambivalência da frustração, da fuga à realidade opressiva ao eterno desajustado, hóspede de tôdas as culturas.” (pp.53)

    ( ” Reaparece em gêlo e sumo de frutas, nas batidas aperitivas, no gole rápido antecedor de feijoadas empanturrantes e paneladas apocalípticas.” (pp.55)

    ( ” Para que possa apresentar-se na legitimidade integral, a lítica, prosódia popular de líquida, pura, simples, natural, é indispensável o seu mundo, cenário, paisagem, ambiente, a mobilização insubstituível dos figurantes inseparáveis, dramatics personae infalíveis para o rito bebedor da Cana…” (pp.55)

    – Capítulo 8:

    ( ” Só não a bebem quando é impossível obtê-la.” (pp.57)

    ( ” É o melhor presente, a moeda poderosa, o amavio sedutor” (pp.57)

    ( ” Impressionante é êsse poder translocutor como diz Fernando Ortiz, apoiado por Bronislaw Malinowiski, da aguardente vencendo a onipotência da Nicotina tabacum.” (pp.58)

    ( ” Em todos, ou quase todos processos de limpeza, descarga, precaução mágica defensiva em Belém do Pará, para agóar acasa, entrada das portas e batentes das janelas, aguardente é fundamental.” (pp.59)

    ( ” Sonho de verão amazônico” (pp.61)

    – Capítulo 9:

    ( ” …a cachaça era uma imigrante, estrangeira, visitante…” (pp.63)

    ( ” O grande engano da Etnografia Clássica ou da Antropologia Cultural moderna, é ver em cada nativo um candidato à aversão litúrgica. Rara e fortuitamente admitem a Fé, a Convição, a Confiança, nas almas selvagens. Os mestres antropologistas, que os digo Etnógrafos, consideram o nosso homem inicial como um crente numa religião provisória, mera disponilidade para a conquista catequética subseqüente.” (pp.64)

    – Capítulo 11:

    ( ” Há uma tradição de que a cachaça misturada com pólvora provoca a coragem. Fôra estímulo belicoso nas guerras do Império.” (pp.69)

    – Capítulo 15:

    ( ” Ninguém imagina uma cachaça de honra…” (pp.86)

    ( ” A cachaça só pode contar anedotas de embriagues banal, nauseada e sem vôo.” (pp.87)

    ( ” No Brasil, a cachaça também significa predileção, uso fiel, costume, norma, vício, hábito, mania.”(pp.87)

    – Capítulo 16:

    ( ” O Brasil é o açúcar, disse o Padre Antonio Vieira.” (pp.89)

    ( ” Quem bebe, fuma…” (pp.90)

    ( ” Resisto a sedução de examinar o binômio FUMO-e-ÁLCOOL como fórmula feminina de emancipação moral e mental em nível social mais elevado, outrora fechado à pública exibição dêsses dois vícios.” (pp.95)

    – Capítulo 17:

    ( ” A humildade rústica do motivo, pela vulgaridade cotidiana, constituída “presença” inegável não somente na literatura oral mas elemento de influência e modificação de culturas tradicionais entre povos remotos e terras distantes.” (pp.97)

    ( ” Constata-se que a banalização da cachaça foi o segredo-motor de sua sobrevivência. Ficou com o povo…” (pp.98)

  4. VICENTE OEL

    outubro 1, 2014

    O genial artista e humorista ROLANDO BOLDRIN é um exímio contador de histórias da cachaça. Quem quiser poder assistir um vídeo maravilhoso no endereço:

    https://www.facebook.com/MisterTubeOficial/posts/636540166357174

    Vale a pena, muito bom…

  5. Jairo Pereira Santos

    agosto 10, 2015

    Qual o melhor e mais fácil meio de consegui esses livros, já que em livrarias oficiais são difíceis

    Atenciosamente,

    jairo

  6. Mario bernardo da silva

    fevereiro 28, 2017

    Nome muito interessante saber como um produto fino ainda não se apresenta saborear como se deve com sabedoria evitando o abuzo

  7. Inácio Pereira de Siqueira

    junho 17, 2018

    Onde posso adquirir o livro Cachaça, de Manoel Beato?

Seleção de Cachaças

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