Diferenças entre Cachaça Artesanal X Cachaça Industrial

Alambique de Cobre

Apesar de tudo ser cachaça pela legislação, os modos de produção diferentes resultam em bebidas com características sensoriais distintas. Saiba mais sobre os méritos da cachaça artesanal e da cachaça industrial.

A produção de cachaça no Brasil é muito diversa e cada forma de produção resulta em bebidas também distintas. Uma das principais diferenciações está na forma de produção do que chamamos cachaça artesanal e cachaça industrial. Apesar da legislação não fazer essa diferenciação, há os que indicam o uso da cachaça industrial no preparo de sua caipirinha, e aqueles que dizem que cachaça, de verdade, não pode ser envelhecida. Vamos aos mitos, à realidade e, principalmente, aos fatos.

1. ARTESANAL X INDUSTRIAL

Como tudo o que é feito em pequenas porções, a cachaça artesanal geralmente tem maiores possibilidades de ser – falando de uma maneira bem mais simples – bem mais gostosa. Só que, da mesma forma, por falta de conhecimento técnico, condições adequadas de produção e falta de padrão, ocorre também que muitas cachaças artesanais não têm um padrão aceitável de qualidade, podendo ser inclusive prejudiciais à saúde. Ou seja, ser chamada de artesanal não é sinônimo de qualidade garantida. Assim, se a precisão de uma máquina pode não garantir a você um produto “mais gostoso”, ela pode trazer algo talvez mais seguro e mais padronizado – sem variações de cor, aroma e sabor de uma garrafa para outra.

O que acontece é que pouca gente conhece as potencialidades de sabor e suavidade que tem a cachaça artesanal bem feita. As pessoas tem na cabeça a imagem da cachaça como um produto forte, rústico e de gosto não tão “agradável” quanto de um bom whisky. Pouca gente sabe que a cachaça de qualidade já chegou a ser equiparada aos melhores deles. E que ela pode sim, ser uma bebida de excelente sabor. Portanto, frisar esta diferença sensorial entre uma e outra, é crucial se queremos valorizar nosso produto, ou melhor: fazer as pessoas perceberem seu real valor e potencial.

2. PÚBLICOS DIFERENTES

A cachaça  industrial tem seus méritos. A bebida industrial, se feita dentro de controlados padrões, pode ser também uma interessante pedida para alguns públicos especiais – e bem grandes.Eu não costumo defender seu uso na caipirinha, e indico a artesanal pois, pessoalmente, prefiro seu sabor. Mas uma coisa interessante da bebida industrial é que seu custo é, com certeza, muito mais baixo do que o da artesanal de qualidade. Isso pode trazer uma nada desprezível relação de custo-benefício para um público que também procura sabor, mas não pode pagar muito pela experiência. Estou falando, por exemplo, dos jovens universitários ou que estão começando a trabalhar agora. É um público para o qual a bebida industrial pode, sim, ser uma boa pedida – desde que se consumida de forma moderada.

3. COBRE: UM “INGREDIENTE” A MAIS

A cachaça artesanal tem um grande “ingrediente” em sua composição: o alambique de cobre. Feita por um bom alambiqueiro, a cachaça feita neste equipamento é, segundo vários estudos, capaz de resultar em uma bebida mais fina e mais rica em sabores, aromas e cores: componentes sensoriais que fazem da cachaça uma bebida com mais sabor.

Alambique de Cobre

O cobre, além de ser maleável, é ideal para o processo de destilação por ser um excelente condutor de calor. Também agrega sabor ao destilado e elimina odores desagradáveis de compostos sulfurados (ovo podre), comuns em bebidas destiladas em colunas ou em panelas de aço inoxidável. Para isso, são instaladas placas de cobre nas colunas de aço para a destilação das cachaças industriais.

Ypióca coluna de inox

Estudos acadêmicos comprovaram que os teores de dimetilsulfeto, alcoóis superiores e ésteres são maiores quando a destilação é feita em alambiques de aço inox. A utilização de aço inoxidável na construção de alambiques afeta as características sensoriais da aguardente, reduzindo a qualidade sensorial e produzindo um odor de enxofre desagradável no produto final. As reações químicas catalizadas pelo cobre nos alambiques, são capazes de reduzir significativamente os teores de dimetilsulfeto, o principal composto responsável pelo defeito sensorial das aguardentes de cana destiladas no inox.

4. CABEÇA, CORAÇÃO E CAUDA

O importante, já que aqui não há o rigor de um processo industrial, é que nem tudo que sai do alambique é cachaça de qualidade: o grande segredo é saber fazer a separação entre o que os entendidos chamam de Cabeça, Coração e Cauda da destilação.

A cachaça artesanal de qualidade que falamos aqui deve ser composta 100% pelo produto do meio do processo: o coração da cachaça. Na cauda e especialmente na cabeça (os líquidos que saem ao fim e ao início da destilação, respectivamente) podem haver elementos bastante perfumados, mas perigosos à saúde. Portanto, a correta separação deles é fundamental para resultar num produto de qualidade. No processo industrial, essa separação é feita na própria coluna de destilação – o equipamento usado pela indústria. Aqui, diferentemente do alambique artesanal, a separação ocorre através dos “pratos” da coluna de uma forma contínua: não há “início”, “meio” e “fim”. Poderia-se dizer que os produtos saem todos ao mesmo tempo, mas já separados. Desta forma, garante-se a separação do álcool etílico dos demais componentes de uma forma bastante eficiente. No entanto, apesar de talvez mais “acurado”, ele pode resultar numa bebida mais simplória – sensorialmente falando.

5. A SEGURANÇA DA CACHAÇA ARTESANAL: O COBRE PODE SER VILÃO NA DESTILAÇÃO

Agora, quando o assunto é cachaça artesanal, uma das primeiras coisas que se fala é o fato de ela ser feita em alambiques de cobre. Esse metal, utilizado na maior parte dos alambiques, de fato pode formar compostos que são perigosos para a saúde. No entanto, se bem utilizado e higienizado, pode melhorar muito a qualidade da bebida. Tanto é que os melhores whiskies são produzidos também em alambiques de cobre – semelhantes aos da cachaça.

6. CACHAÇA ADOÇADA

Se você é um bom apreciador de café sabe que ao colocar açúcar ou outros edulcorantes na bebida (ex: adoçante), muda completamente seu sabor. Torna-o mais agradável se a bebida pura não é tão rica, mas esconde outros milhares de sabores se ela é. A lei mesmo diz isto: se a bebida é adoçada com mais de 6 g de açúcar por litro – ou adicionada de qualquer outro ingrediente – não pode se chamar simplesmente de cachaça (decretos 3.062/01 e 3.072/02). Acima de 6g/L e até o limite de 30g/L elas devem ter no rótulo a denominação de “cachaça adoçada” (Instrução Normativa nº13 de 29/06/2005).

E muitos dos produtos industriais sofrem adição de açúcar acima da quantidade limitada por lei. Portanto, a cachaça artesanal é, quase sempre, sem açúcar, e a industrializada, salvo exceções, deveria ser chamada de cachaça adoçada por depender da adição para torna-la mais agradável.

Para reforçar as ideias, pegamos um registro da pesquisadora Alessandra Trindade falando sobre as diferenças entre cachaça artesanal e cachaça industrial:

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Mais do Mapa da Cachaça

  • Glener A. Barros
    maio 26, 2011 at 10:35 am

    Bom dia Renato.
    Concordo com a sua colocação. Existe um público para cada tipo de Cachaça.
    Na verdade, isto é uma realidade para todos os tipos de bebidas.
    O importante é a valorização da Cachaça, como um produto nosso, brasileiro, que não deve nada a qualquer um do mundo, seja industrial ou artesanal.
    Porque se pode consumir uma bebida industrial importada e achá-la boa e uma nacional não, só porque é cachaça?
    Um belo exemplo disto é a Tequila Sauza e José Cuervo! Industriais, mas muito bem vistas pelos brasileiros, principalmente porque são importadas.

    Um grande abraço!

    Glener A. Barros
    Diretor Geral da Règis Armmont

  • […] não teria capacidade para atender um mercado desse tamanho. Além disso, como falamos no último post, sua tão falada riqueza sensorial nem sempre é o que mais importa para públicos como o […]

  • renato
    junho 1, 2011 at 2:47 pm

    Olá, Glener!
    Você falou muito bem: há espaço e valor para todos, e isso que é interessante.
    E também o assunto em relação à “valorização do que vem de fora”: realmente, é uma pena que ainda não conseguimos enxergar esse produto que está tão perto de nós! Os gringos já tem valorizado mais do que nós próprios – vê se pode?

    Abraços e obrigado pelo comentário!

  • […] entre a chamada Cachaça Artesanal de Alambique de Cobre, e a Aguardente Industrial (veja a parte 1 e a parte 2). E hoje, para finalizar esta série de posts, vamos falar um pouquinho sobre as […]

  • […] Lembrando que Cachaça não é a mesma coisa que Aguardente (veja o post que explica isto aqui), a caipirinha verdadeira feita com a bebida de qualidade pode ser muito mais saborosa do que a […]

  • Luiz Blanco
    agosto 16, 2011 at 9:39 pm

    Me espelho numa frase de um amigo, excelente degustador de cachaça. Eis a frase.
    ” Eles não sabem ” Talvez seja o momento de dar nomes aos bois. Ou o brasileiro demonstre a verdadeira vergonha na cara ou a palavra mais indicada é chega!
    Se sua preferencia é vódca ou qualquer outro destilado não interessa, precisamos é de brasileiros para colocar nossa história, nossa musica, floclore e até nossa religiosidade como fator de respeito de uma nação ou de povo, frente aos povos de hoje.
    Vamos assim sem medos, brigando mesmo, mas sem perder o horizonte que teremos que atingir.
    Saúde e sucesso é o que teremos pela frente com nossa bebida, vista assim como indiferente para a maioria; mas até o Chico até hoje ainda não é bem escutado.
    Mel na boca para todos,
    Parabéns pelo blog, pela ideia, pelo assunto pela provocação e muito mais pela brasilidade que tem. Sou amigo sem contar precedentes.
    Abraços
    Blanco

    • Mapa da Cachaça
      agosto 17, 2011 at 9:51 am

      Oi Blanco, obrigado pelas suas palavras. Bom ter amigos por ai que tem essa mesma visão que a gente. Vamos trabalhar bastante por aqui para continuar valorizando tudo de bom que temos nesse país – q nao é pouco. abraços

  • […] é que proporciona um produto Premium. (Veja mais sobre as chamadas “Cachaças de Coração” aqui).Cachaça Premium, para fazer bonito, também tem que estar devidamente registrada e identificada […]

  • A Cachaça no Exterior | Mapa da Cachaça
    janeiro 18, 2012 at 6:04 pm

    […] qualidades diferentes da Cachaça artesanal de alambique (para quem não sabe, veja esta série de posts). No entanto, a legislação permite que se utilize o termo “Cachaça” tanto para uma quanto […]

  • […] produtos parecidos, eles têm suas diferenças de público e de sabor (veja mais nesta série de posts). A aguardente industrial deve seguir na esteira da Cachaça Premium, mas com atenção especial a […]

  • ronildo palheta
    outubro 28, 2012 at 12:24 am

    Que legal a informação sobre as difrenças de uma cachaça industrial para a artezanal em uma linguagem simples, com certeza irei enviar para os alunos do curso de bartender. valeu mesmo.

  • guilherme
    novembro 14, 2012 at 2:02 pm

    Você precisa provar minha cachaça. Acho que vai mudar de opinião quanto a destilação e tipo de alambique ( cobre)

  • Paulo Machado
    junho 11, 2013 at 9:28 am

    O vídeo do nosso amigo e grande colaborador Julio Martins é um equívoco. Discordo completamente quando diz que as diferenças entre cachaças produzidas em alambique e as produzidas em coluna ficam apenas no método de produção; a diferença existiria apenas na parte sensorial.
    Sabemos que no processo de coluna, o industrializado, não há o corte dos componentes nocivos ao organismo e tudo é engarrafado. Quimicamente são destilados completamente diferentes e o consumidor para não beber veneno , ainda que dentro dos padrões de tolerância permitidos, só pode optar pelo cachaça de alambique por batelada, daqueles produtores que primam pela qualidade do seu destilado em todas as etapas de produção. Cachaça de alambique por batelada e cachaça produzida no sistema de coluna são bebidas completamente diferentes.

    Abçs.
    Paulo Machado
    Confraria de Cachaça do Copo Furado

  • Paulo Machado
    junho 11, 2013 at 12:18 pm

    Discordo completamente do nosso amigo colaborador, Jairo Martins. Ele diz no vídeo que a diferença entre cachaça produzida em alambique e a produzida em coluna fica apenas no aspecto sensorial. Sambemos que no processo de coluna, o industrializado, não há o corte dos componentes nocivos ao organismo e tudo é engarrafado. Quimicamente são destilados completamente diferentes e o consumidor para não beber veneno só pode optar pelo cachaça de alambique por batelada, daqueles produtores que primam pela qualidade do seu destilado em todas as etapas de produção. Cachaça de alambique por batelada e cachaça produzida no sistema de coluna são bebidas completamente diferentes.
    Att,
    Paulo Machado

  • nelson dias neto
    setembro 9, 2013 at 10:02 am

    Muito boa a reportagem, parabéns.

  • Hélio Abdalla Jr
    outubro 10, 2013 at 5:01 pm

    Boa tarde Renato. Em primeiro lugar quero parabeniza-lo pela página. Muito boa, fácil de navegar e com informações muito boas para quem gosta de consumir uma boa cachaça. Tenho uma dúvida quanto a % da cachaça. Sou do interior de São Paulo e na nossa região existem alguns alambiques. Uns bons, outros nem tanto. A dúvida é a seguinte: muitos alambiqueiros dizem que a cachaça dele tem ” 18 graus” (ou 19, ou 20). Qual a diferença ou equivalência entre o “grau” do alambiqueiro e o “grau” (%GL) das cachaças com rótulo ? Esclarecendo, embora acredito que você saiba, que o alambiqueiro vende o garrafão, sem rótulo e com a tradicional rolha. Muito obrigado.

    • Mapa da Cachaça
      outubro 19, 2013 at 4:10 am

      Oi Hélio. A cachaça deve ter entre 38%-48% de teor alcoólico. Vc deve estar se referindo a alguma aguardente composta ou licor. Veja mais aqui: http://www.mapadacachaca.com.br/artigos/as-cachacas-que-nao-sao-cachacas/

      • Paulo Tapinuã
        fevereiro 18, 2014 at 12:03 am

        O Helio Abdalla com certeza se referiu ao Grau Cartier, que já foi usado para definir o grau alcoólica da cachaça.

    • NANDO CHAVES
      fevereiro 17, 2014 at 8:11 pm

      Boa noite ,respondendo a dúvida em relação a medida do teor alcoólico da cachaça,temos a escala criada por um
      químico francês de nome Cartier,que criou a escala “cartier”onde observamos as leituras ,18°,19°,20°…e temos ou-
      tro químico francês de nome Gay Lussac , que criou outra escala ” GL ” que corresponde ao %de alcool / volume. Por ser mais simples a compreensão da leitura do teor alcoólico em % / vol.,esta universalizou-se.(acredito eu )
      Se compararmos as duas veremos que perto dos 50% teremos para cada grau GL , 4° Cartier (ex:19°Cartier equivalem a 50° GL e 20° Cartier equivalem a 54° GL) Já no início e no final de ambas escalas teremos as leituras praticamente iguais (ex:10° Cartier = 10° GL e 100° Cartier = 100° GL ).?????
      Por isto no interior de Minas Gerais e do Brasil a verdadeira Cachça(ou Aquardente de cana de açúcar) teve sempre
      agraduação alcoólica entre 50° e 55° GL (correspondem a 19° e 20,5° Cartier ) Falo de cachaça de Alambique,produzida num processo Artesanal,respeitando-se o ciclo fisiológico da planta da cana-de-açúcar.
      Sou apreciador de cachaça pura(branquinha)e Alambiqueiro,abraço a todos,
      Nando Chaves.

      • Carlos Alberto
        agosto 31, 2014 at 12:03 pm

        Parabens, pela explicação, sou produtor artesanal em TaubatéSP,quando estiver no Vale do Paraiba venha fazer uma visita e tomar uma branquinha com nosso pessoal, contato fone 12- 36214111.

      • Toni
        maio 30, 2015 at 2:46 am

        20° Cartier = 52,5 GL (Gay Lussac).

  • Jonas Mello
    fevereiro 13, 2014 at 3:55 am

    Boa noite Renato.
    Parabéns pela matéria e pelo Blog. Enaltecer as qualidades da cachaça artesanal num comparativo feito às cachaças industriais é essencial. Poucas matérias tem esse objetivo e a sua ficou completa.
    Parabéns. A matéria foi publicada há muito tempo mas é muito atual.

    Estou adentrando no mercado de cachaça e convido-te a conhecer a cachaça REDENTOR.
    Ela é artesanal, ótimo sabor.
    http://www.bebaredentor.com.br

    Att,
    Jonas Mello
    Sócio na empresa REDENTOR

  • helio ferreira
    fevereiro 17, 2014 at 7:18 pm

    Passei em alambiques na cidade de lencois paulista e verifiquei que usam fermento de padaria para fermentar a cachaça. É certo conheci alambiques artezanais que fermentam a cachaça com milho, e outras hortalisas.Qual é o certo?

    • Mapa da Cachaça
      fevereiro 18, 2014 at 12:42 pm

      Oi Helio, tudo bom? Não tem uma maneira certa, mas distinções que ajudam na definição de um terroir e características próprias de cada cachaça. Tem produtores que usam leveduras selecionadas, outros selvagens. Alguns usam pé-de-cuba com fubá de milho ou farelo de arroz. Outros, apenas caldo de cana e água. O importante é a produção formalizada, pensando em higiene e respeito ao meio ambiente e aos consumidores.

  • Paulo Tapinuã
    fevereiro 18, 2014 at 12:25 pm

    O texto tem algumas inverdades que devem ser corrigidas.

    2. PÚBLICOS DIFERENTES
    “Mas uma coisa interessante da bebida industrial é que seu custo é, com certeza, muito mais baixo do que o da artesanal (de qualidade). Isso pode trazer uma nada desprezível relação de custo-benefício para um público que também procura sabor, mas não tão “gourmet” quanto o público da artesanal. Estou falando, por exemplo, dos jovens universitários ou que estão começando a trabalhar agora. É um público para o qual a bebida industrial pode, sim, ser uma boa pedida – desde que se consumida de forma moderada”

    É claro que as Cachaças industriais possuem “controle de qualidade” para fabricar o que interessa aos produtores – produto muito barato com baixíssimo custo para ser vendido a preços muito barato para consumidores de baixa renda. Normalmente os índices dos componentes prejudiciais à saúde são muito próximos dos índices que são controlados pelo Min. da Agricultura (por exemplo : aldeidos).
    Os problemas sociais provenientes do consumo de cachaça no Brasil (agressões às mulheres, falta ao trabalho, aposentadoria precoce, etc) se referem quase totalmente ao consumo de Cachaças industriais (existem Cachaças industriais sendo vendidas em supermercados a menos de R$4,00 o LITRO).
    Os jovens universitários deveriam ser incentivados a beber produtos de qualidade e não o inverso.

    4. CABEÇA, CORAÇÃO E CAUDA
    “No processo industrial, essa separação é feita na própria Coluna de destilação – o equipamento usado pela indústria. Aqui, diferentemente do alambique artesanal, a separação ocorre através dos “pratos” da coluna de uma forma contínua: não há “início”, “meio” e “fim”. Poderia-se dizer que os produtos saem todos ao mesmo tempo, mas já separados”

    – As cachaças industriais tentam vender a ideia de que retiram alguns componentes , principalmente os aldeidos (possuem ponto de ebulição abaixo do ponto de ebulição do álcool etílico- abaixo de 90 graus centígrados), o que não é verdade. Por ter altos índices de aldeidos (próximos do limite estabelecido pelo Min. da Agricultura), as cachaças industriais provocam as famosas ressacas do dia seguinte. Por isso, tanto para ser bebida pura ou como caipirinhas as cachaças industriais devem ser evitadas.

    6. TERMOS: Aguardente e Cachaça
    “Portanto: Artesanal é, quase sempre, Cachaça, e Industrial, salvo exceções, é Aguardente Adoçada ou Cachaça Adoçada”

    – Este texto está totalmente equivocado.
    O decreto define a diferença entre Cachaça e Aguardente APENAS com relação ao grau alcoólico. Cachaça fica entre 38 grau (por volume ou Gay Lussac) e 48 graus e Aguardente entre 38 graus e 54 graus. Então, hoje, toda Cachaça pode ser denominada de aguardente , mas nem toda aguardente pode ser denominada de Cachaça. Qualquer das duas pode ser adicionada com açúcar até o limite de 30 gr por litro de álcool etílico, desde que informado no rótulo. Normalmente somente as industriais (Cachaças ou Aguardentes) colocam açúcar para disfarçar o gosta ruim.

    Já enviei outro comentário tirando a dúvida do Hélio Abdalla (“muitos alambiqueiros dizem que a cachaça dele tem ” 18 graus” (ou 19, ou 20). Qual a diferença ou equivalência entre o “grau” do alambiqueiro e o “grau” (%GL) das cachaças com rótulo”) e que ainda não foi publicado.
    Estes alambiqueiro utilizam a escala Carier (era mais comum algum tempo atrás) e atualmente é utilizado a escala Gay Lussac ou Por Volume (VV) que foram padronizados no Decreto sobre Cachaça.. Os valores citados correspondem aos valores em torno de 40 graus VV.

    Estou à disposição para trocar idéias sobre Cachaças

    Paulo Tapinuã

    • Mapa da Cachaça
      fevereiro 18, 2014 at 12:38 pm

      Oi Paulo, obrigado pelo seus comentários. A única questão é sobre cachaça e aguardente. O que o Renato quis dizer é que a indústria coloca açúcar, portanto, deve ser chamada de cachaça adoçada, e não apenas cachaça. Essa distinção é importante, pois, como vc bem sabe, o açúcar é colocado para mascarar erros. Contamos com seus comentários e ideias para avançarmos nesse debate. abração

  • chiara
    março 8, 2014 at 1:10 am

    Muito lindo. Apreciei o altar-natureza da Maria Isabel de Paraty. O trabalho artesanal tão saboroso nos lembra os louvores de São Francisco; com ele cantemos Bendita seja nossa irmã Terra e bendito o fruto do labor humano

  • MAURICIO UZEDA MASCARENHAS
    maio 26, 2014 at 10:46 pm

    Em Jequitibá, MG, sou produtor de cachaça de alambique que vendo para engarrafadores. Portanto, preciso de muita qualidade. Essa qualidade eu tenho divulgado como “CACHAÇA SAUDAVEL”. Cachaça saldável porque, seus componentes precisam ser de fácil digestão pelos consumidores. Ressaca ZERO, desde que sem exagero e com hidratação – bebendo agua paralelamente, como para qualquer outra boa bebida alcoólica.
    Para conseguir uma cachaça SALDAVEL – (FACIL DE SALDAR, DIGERIR) é importante a higiene na moagem, decantação e filtragem do caldo, rigoroso controle da fermentação (ficar de olho na contaminação por bactérias para mantermos a produtividade e da acidez do mosto para evitar excesso de cobre) e também na separação das partes da alambicação para estocar e comercializar apenas a parte chamada coração = CACHAÇA.
    A cabeça e a cauda viram álcool combustível em um alambique apropriado.
    O interessante é que, com um bom controle da fermentação, aumentamos a PRODUTIVIDADE e QUALIDADE e assim ficamos mais EFICIENTES e competitivos.
    Para exercer estes controles precisamos de materiais e utensílios baratos e de fácil aprendizado, apesar de pouco difundido entre os produtores de cachaça de alambique.
    Assim, uma cachaça SALDAVEL passa a ser a mais econômica e de ótima qualidade sensorial.

  • Carlos Alberto
    agosto 31, 2014 at 11:49 am

    Acredito que tudo que é realmente produzido em larga escala,perde seu proposito onde quero chegar referente a cachaça artesanal,seu aroma,seu sabor sua limpidez deixa o reforço que uma produção em pequena escala cuidada dentro dos parametros basicos da produção é algo bem diferente de se tomar. Quando abaixamos o PH,quando cuidamos do fogo para não turvar a cachaça ela fica de excelente qualidade.Uma boa fermentação de 22 horas ela alambicada bem devagar é tudo que o consumidor precisa em termos de qualidade.
    Mas para isso o cliente o consumidor final tem que estar atento a preço pois não se consegue fazer cachaça com valor insignificante e dizer que é de boa procedencia sem cortar cabeça e desprezar o final.Hoje o custo da tonelada de cana está 210,00 na região do Vale do Paraiba. Venha experimentar a Cachaça Portal da Baracéia estamos apreendendo mas já conquistamos Menção Honrosa 2012 pela Fac. USP São Carlos SP,sabemos que temos um caminho para percorrer duro e espinhoso mas não vamos parar pois nossos clientes sempre irão tomar o melhor tenho certeza que sempre produzir com qualidade é o certo e nossa meta. Abraço Carlão 12 36214111 Taubaté SP.

  • JADSON RAMOS DA SILVA
    agosto 27, 2015 at 11:53 am

    Olá, bom dia!
    Estamos pretendendo entrar no segmento de produção de cachaça.
    Estamos localizados no sudoeste da Bahia, na cidade de Itapetinga.
    Onde posso encontrar e quais as melhores marcas de equipamentos?
    Desde já, agradeço.
    Atenciosamente.
    Jadson Ramos da Silva
    (77) 8811-0360

    • Anyr João Mendes
      outubro 12, 2015 at 11:52 am

      Bom dia Jadson.
      Você que vai se iniciar como Produtor de cachaça, vou lhe dar algumas sugestões.

      a) Faça opção entre qualidade ou quantidade.É preferivel optar pela qualidade.
      b) Se optar pela qualidade, faça a bebida que atenda ao seu gôsto. Os gostos dos consumidores são diversos. Uns apreciam mais forte,outros,mais fracas. Não mude. Ou gostam ou não gostam.
      c) Use os equipamentos certos e bem dimensionados.
      d) A Higiene é fundamental
      e) Controle a temperatura e o fluxo do destilado.
      f) Eu,particularmente, só uso o fermento de fubá de milho.
      g) lave o fermento de 15 em 15 dias.
      h) Faça a moagem somente no periodo em que a cana estiver madura, e com o brix alto. A cana verde tem um índice de coloides alto que iterfere no sabor da bebida..
      i)não venda ou beba com menos de 90 dias de descanso.
      j)Armazene a bebida em toneis de aço inox
      k) Se possivel utilize o vinhoto para alimentação de gado ou adubação de pastagens
      l) Use a cabeça e a cauda para produção de etanol.
      m) Leia bastante sobre o assunto

      Bôa Sorte e bons negocios

  • […] Mapa da Cachaça, Etílicos e Vô […]

  • LUZARDO
    janeiro 5, 2016 at 11:44 am

    Bom dia, fala-se muito de tudo. Mas o que quero saber é se a cachaça deixa o sangue mais fino.
    abraço
    no aguardo,

    LUZARDO

  • Jose o de almeida
    janeiro 8, 2016 at 8:20 pm

    facil de distinquir ,a cachaça iindustrializada ao beber digamos 3 doses o alcool fica notorio em seu halito,
    ao passo que a Artesanal vc pode beber varias doses que ninquem nota que vc ingeriu a caçhaça ,fui claro ?
    at jose o almeida

  • Celso Poli
    março 28, 2016 at 3:58 pm

    Pessoal qual é o tipo de açucar que posso colocar na cachaça para que nao se forme flocos alcoolicos

  • Rubens
    junho 7, 2016 at 4:36 pm

    Boa tarde:
    Gostaria de saber como se faz a separação da boa cachaça? O Coracão

    O coracao é o meio da deslilação?

    Agradeço

    Rubens Pinto

  • Maurílio
    junho 14, 2017 at 6:39 pm

    Parabéns pela matéria, excelente explicação
    Mas tenho uma duvida e gostaria de esclarecer
    Comprei um alambique de inox(panela e coluna) e a serpentina de cobre
    Gostaria de saber, si produzir a cachaça de maneira artesanal separando cabeça, coração e cauda,nesse caso o coração vai sair com cheiro de enxofre e gosto de cachaça industrializada?
    Ou si fazer a troca da coluna e colocar uma de cobre resolveria essa questão do cheiro e gosto
    Obrigado

  • Mario bernardo da silva
    setembro 13, 2017 at 4:45 pm

    Gostaria de saber como um cachaça de 28/0 de teor alcoólico corresponde a que graduação ganhe uma com 18/0 e fiquei sem saber o sabor e bom obrigado.

    • Adirceu de Melo Pereira
      dezembro 11, 2018 at 4:42 pm

      Prezado Mário, Boa tarde!
      Se você pegar um alcômetro de fabricação Incoterm vai verificar a correpondências de escalas entre GL / Cartier. Assim, a cachaça de 18 graus GL corresponde a 42,5% em volume; a de 20 graus GL corresponde a 49,5% em volume e a de 28 graus GL corresponde a 70,3% em volume de álcool.
      Att. Adirceu

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