Depois do gin, agora é a vez do rum brasileiro - Mapa da Cachaça
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Depois do gin, agora é a vez do rum brasileiro

13 de 03 de 2020

Alambiques brasileiros investem na produção de rum como estratégia para promover a cachaça fora do país.

Os produtores de cachaça de alambique estão investindo na diversificação da produção de destilados para ganhar espaço no mercado externo. Depois do gin produzido no país, agora é a vez do rum brasileiro. A ideia é acompanhar o recente crescimento do consumo da bebida na Europa e nos EUA para promover a produção brasileira. Inclusive de cachaça.

Pela primeira vez em cinco anos, as vendas de rum superaram o ‘queridinho’ gin entre os europeus. O relatório – de uma grande varejista de bebidas, com sede em Londres – mostra crescimento de 165%, no terceiro trimestre de 2019. Nos EUA – um dos maiores consumidores históricos de rum – versões mais sofisticadas também têm ganhado espaço.

Alexandre Bertin, diretor da destilaria Sapucaia, no interior de São Paulo, diz que os apreciadores da bebida – considerada a prima mais nova da cachaça – têm buscado outras opções do destilado. E, nessa hora, o carimbo ‘made in Brazil’ pesa na escolha. “Existe a curiosidade, por ser de outro lugar”, afirma. 

Vicente Bastos Ribeiro, da Fazenda Soledade, em Nova Friburgo (RJ), associa a expansão à dois fatores: matéria-prima e processo de envelhecimento. “Quando você apresenta um produto que têm carvalho, mas é envelhecido em barris de outras madeiras como Ipê, com outros taninos, ele se destaca”.

Destilaria do rum brasileiro Soledade produzido em Nova Friburgo no Rio de Janeiro

Para Evandro Weber, da cachaçaria gaúcha Weber Haus, o grande diferencial do rum brasileiro está, justamente, na sua autenticidade. “A legislação brasileira não está tão aberta”, lembra o administrador. No país só é permitida a adição de água e açúcar, usados para atingir os padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Rum não é cachaça

Assim como a cachaça, o rum é feito a partir de cana-de-açúcar. Mas, segundo Alexandre, as semelhanças param por aí. O rum vem do melaço, um subproduto da indústria do açúcar. 

Já a cachaça é feita da garapa – o suco fresco da gramínea. Uma pequena diferença que altera a composição química e sensorial das bebidas. Além disso, rum pode ser produzido em qualquer lugar do mundo. Cachaça, só no Brasil!  

moendo cana

A fermentação também é diferente. Vicente explica que enquanto o processo se inicia espontaneamente na cachaça – assim que o caldo é extraído da cana; na produção do rum a fermentação é mais complexa. E pode ser segmentada, com uso de mais de um tipo de fermento, em multi-estágios. Já a destilação aceita tanto alambiques de cobre como colunas de inox. 

No entanto, é preciso destacar que existe ainda um rum especial, no Caribe, destilado a partir do suco da cana. Ele é chamado de rum agricole. Apesar das semelhanças, o teor alcóolico é muito superior ao da cachaça brasileira. Podendo chegar até 70%.

No Brasil, a legislação permite um valor bem mais baixo. O artigo 54 do Decreto 6.871/2009 define o rum brasileiro como uma “bebida com graduação alcoólica de 35% a 54% em volume, a vinte graus Celsius”. O que representa 12,5% a mais quando comparado com o limite da cachaça que é de 48%. 

A norma estipula ainda que a bebida seja “obtida do destilado alcoólico simples de melaço, ou da mistura dos destilados de caldo de cana de açúcar e de melaço, envelhecidos total ou parcialmente, em recipiente de carvalho ou madeira equivalente”.

E as diferenças vão mais além. O rum brasileiro recebe três denominações. Pode ser leve, pesado ou envelhecido. Já a cachaça tem oito denominações.

Confira na tabela

RUM  BRASILEIROCACHAÇA
1. Leve
2. Pesado (obtido exclusivamente do melaço) 
3. Envelhecido (mínimo de 2 anos de repouso). 

*Não pode levar no rótulo expressão artesanal, caseiro, familiar, natural ou 100% natural, premium, extra-premium, reserva e reserva especial
1. Cachaça 
2. Cachaça adoçada 
3. Envelhecida (mínimo de 50%, por um ano em barris de madeira)
4. Adoçada Envelhecida
5. Premium (100% por mais de um ano), 
6. Premium Adoçada 
7. Extra Premium (100% por mais de 3 anos)
9. Reserva Especial
8. Extra Premium Adoçada
Fonte: art. 12 da IN MAPA 15/2011

Otimização do alambique

Por aqui, o rum é feito  principalmente por produtores de cachaça. E uma das explicações para isso é que a bebida pode otimizar o alambique. Como a cachaça é sazonal, ou seja, só é produzida com a cana madura, a produção fica ociosa em boa parte do ano. Uma média de cinco a seis meses.

Feito do melaço, o rum pode ser trabalhado na entressafra, pois essa matéria prima tem uma durabilidade maior. Uma boa opção para manter os equipamentos em uso. O que segundo Evandro reduz os custos de manutenção. “Hoje eu produzo seis meses de cachaça e outros cinco de rum”.

Alexandre também usa o mesmo alambique para fazer cachaça e rum. Mas faz um alerta: de nada adianta produzir rum sem uma estratégia de venda, pois o produto pode ficar encalhado no estoque. “Otimiza de um lado e engargala do outro”, enfatiza o diretor da Sapucaia.

Hoje, os produtores apostam no rum para turbinar as exportações. “Um mercado maior é bom pra todo mundo”, analisa Vicente. E acreditam que se bem trabalhado, o rum nacional pode alavancar também as venda da cachaça. “O Brasil não pode perder a oportunidade de fazer a promoção da cachaça na hora que rum virar tendência”, finaliza Evandro.

Conheça um pouco mais sobre os produtores citados na reportagem:

Rum Florida

Quando Alexandre decidiu mudar de carreira, há 17 anos, pouco se falava sobre produção de rum no Brasil. Naquela época, a cachaça era exportada com o nome genérico de ‘brazilian rum’ (ou rum brasileiro). E os produtores não viam sentido em investir no rum de melaço. 

Rum brasileiro Florida

Em 2012 o reconhecimento da cachaça como produto de origem brasileira pelos EUA  mudou esse cenário. Além de promover a cachaça, o acordo também abriu espaço para que o portfólio de bebidas fosse ampliado, entre os produtores no país. Mas, esse movimento ainda demorou alguns anos para deslanchar. 

O empresário paulista, que já trabalhou em grandes companhias como Ambev e Unilever, conta que precisou de um incentivo externo. A produção do rum Florida só começou há quatro anos na fazenda, em Pirassununga, como encomenda de um distribuidor europeu. E os primeiros lotes foram todos exportados. Hoje, o produto é encontrado em mais de 70 estabelecimentos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além da venda online.

Rum Soledade 

A experiência de Vicente é mais antiga. Começou em 2004, em parceria com uma grande empresa de bebidas dos EUA. A propaganda era atraente: um super premium produzido com cana de açúcar fresca da montanha, água pura de nascente e descansado em barricas de madeira de amendoim brasileiras. Na garrafa, o mapa do Brasil.

O rum Oronuco ganhou a Competição Mundial de Espíritos de São Francisco (SFWSC) por três anos consecutivos. Mesmo assim, não vingou e a produção foi descontinuada pouco depois. Era muito sofisticado para um mercado acostumado com runs de baixo custo. “Agora, que isso está mudando”, aponta.

O produtor só voltou a se aventurar no segmento quatorze anos mais tarde, em 2017. Impulsionado pelo crescente mercado de runs, na França. Hoje, 80% da produção do Soledade é exportada. E 20% atende aos brasileiros. “A procura vem crescendo com pedidos de pequenos distribuidores. Sinto que há um grande interesse [no Brasil], mas ainda limitado”.

Rum Soledade - rum brasileiro

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No mercado interno, a venda dos pequenos produtores ainda é tímida. Em 2018, o rum nem aparecia nas pesquisas de tendência sobre o consumo de destilados no Brasil. E, quem produz, evita falar em valores.  

Rum Señor Weber

Na cachaçaria Weber Haus, a produção representa só 3% do faturamento. Mas, o diretor é otimista: espera chegar a 50%. Evandro estima que a ‘onda’ do rum vai desembarcar no Brasil dentro de seis anos. E lembra: “Foi assim, também, com o Gin!”.  

Señor Weber - Rum Brasileiro

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Descendente de alemães, Evandro cresceu produzindo cachaça, na fazenda centenária da família, em Ivoti, no Rio Grande do Sul. “De manhã eu estudava e a tarde ia para a plantação e o alambique”. Ele nunca tinha imaginado produzir rum. E foi instigado por um turista caribenho, que visitou a destilaria. 

“Ele me desafiou a fazer um rum tão bom quanto a cachaça que eu produzia”. Mas foi só depois de participar de feiras internacionais que o empresário decidiu investir em rum, ao notar interesse pelo produto. Em 2019, lançou duas versões do Señor Weber e como reconhecimento, guarda as primeiras garrafas, para aquele visitante desconhecido.

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