Além de cultural, símbolo da culinária brasileira e mineira, a cachaça da família de Gilberto também tinha um trabalho social. Nessa hora, Gilberto me mostra os detalhes, sorrindo para alguns sóis e arco-íris que vão aparecendo.

-Olha só que coisa! As crianças fizeram desenhos lindos… Um capricho só, não é?

Certa nostalgia, ou algo parecido com isso, aparece no ambiente como um vulto. Entro no assunto mais chato do dia: o fim da produção de seu alambique. O motivo é financeiro, uma dívida de 280 mil reais.
No livro Cachaça, um amor brasileiro, a autora lembra a participação feminina no fabrico da cachaça: Há quem pense que o universo da cachaça seja exclusivo dos homens. No entanto, a verdade é que as mulheres têm presença importante na história dessa bebida. (…) O toque feminino também esteve presente na produção industrial da cachaça. Foi o caso de Eugenia Menescal Campos, mulher de Dario Borges Telles, o cearense que, com apenas 16 anos, tornou-se o responsável pela produção da cachaça do Sítio Ypióca. Dona Eugenia, criadora do rótulo, se tornaria responsável pela fazenda após a morte prematura do marido, com apenas 31 anos de idade. Além da fibra de mulher nordestina, Dona Eugenia possuía uma fé inabalável. Tanto que chegou a fazer uma promessa a Santo Antônio para que os repetidos incêndios nos canaviais da região cessassem. Em troca do pedido, ofereceu o sino da torre da Casa Grande para a Capela de Santo Antônio do Pitaguari. Desde então, dizem que os incêndios nunca mais voltaram por aquelas terras.

O motivo da dívida da Tucaninha foram as queimadas nos canaviais da família por duas ou três safras consecutivas (Gilberto não se lembra mais). Depois das incontroláveis queimadas e da falta de condição financeira da família, os irmãos Godinho decidiram encerrar a produção de seu alambique e, infelizmente, fechar a marca criada pelo pai. Era o fim da cachaça e de um sonho. Gilberto estava há três anos no negócio, era responsável pela comercialização dos produtos, e não se conformava com o fim da sociedade entre os irmãos, tentando achar outras formas de solucionar o problema.

– Hoje eu engulo um pouco melhor, estou conformado. Mas na época, eu não aceitava a ideia de encerrarmos a marca, de não vendermos mais nossa cachaça. Só que os prejuízos que nós tivemos, não só psicológicos e morais, mas financeiros também, foram enormes. Não podíamos arriscar mais uma safra e perder ainda mais dinheiro. Seria cavar um buraco que já estava grande.

Os irmãos desativaram a empresa que tinha 20 anos, em 2009. Gilberto está agitado, fala rapidamente. Ele olha fixo para mim, olha para suas mãos e retorna para mim, que tenho um grande “por quê?” na boca.

-No nosso caso, as queimadas foram criminosas. A nossa família enfrenta problemas aqui no Glória… É uma perseguição política, aversão de algumas pessoas que não se conformam com nossa influência política e nossa quantidade de bens. É tipo uma inveja, sabe? A gente trabalha muito para o bem da comunidade, para nossos empregados,; tanto para os trinta e cinco que trabalhavam durante a safra e na produção da cachaça, quanto daqueles que cuidam de nosso gado, que trabalham na produção do leite. Mas, nem sempre, o que fazemos é interpretado dessa forma. Já nos acusaram de trabalho escravo, imagine só!

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  • Orlando Francisco Rodrigues
    fevereiro 27, 2013 at 8:32 am

    Ana Lis,em primeiro lugar “Bom dia”.Parabéns pela matéria,sou pai do Lucas e estou feliz por vê-los amigos.abraço.

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