Algumas marcas de pingas conhecidas nacionalmente possuem, em seu rótulo, o título de cachaça, mesmo não sendo. Uma famosa é a 61. Para ser considerada cachaça, a bebida precisa passar pelo processo demorado e artesanal que ele explicou: fermentação mais longa, destilação em alambique – e não em colunas, feita nas industrializadas – e envelhecimento em tonéis de madeira especial e diferenciada, como a de carvalho. Outra diferença está no volume produzido, que pode ser de até 800 litros. Na cidade de Salinas, há hoje curso superior para a formação de especialistas e produtores de cachaça de alambique. Cito este acontecimento que deu possibilidade do estudo para a técnica de produção (existente há mais de dois séculos no país) e pergunto a Gilberto se somente técnica faz a cachaça. O que ele responde sem hesitar.

– De maneira nenhuma. Como em qualquer profissão do mundo, a técnica ajuda, dá uma base essencial para o profissional da área, mas não traz o amor e a satisfação com o que se faz. Não te dá um diferencial. Para fazer cachaça é preciso três qualidades, além de técnica. Primeiramente, você precisa conhecer, gostar e admirar a cachaça. Conhecer as suas variáveis. Saber que tem algumas do tipo “tibórnia”, como meu pai falava, que são as de péssima qualidade. Em segundo lugar, é necessária uma estrutura financeira para você estar preparado para qualquer imprevisto; essa característica é muito importante, ainda mais com essa concorrência prostituída. Você tem que ter grana para segurar o tempo do envelhecimento da cachaça. E em terceiro lugar, você precisa ter disposição, além do dinheiro, para participar de feiras, exposições e viagens. Financeiramente, elas têm um custo de investimento que quase nunca têm retorno. O mercado artesanal é complicado, mas você tem que participar disso, tem que mostrar seu produto para outras pessoas que também trabalham na área. Você tem que expor para quem está interessado em conhecer isso.

Gilberto conta que sua família levou a Tucaninha durante muitos anos na Expocachaça de Belo Horizonte, entre outras. Segundo ele, somente grandes produtores artesanais ganham incentivos financeiros do Governo, ou têm patrocinadores, arrecadando recursos para enviar seus produtos a tais eventos. O resto dos produtores paga para participarem. E o custo é alto.
Apesar das dificuldades, o ex-produtor acredita ter valido a pena todo o trabalho. Ele se levanta, pega uma caixa de papelão, juntamente com alguns marca-páginas. Esses são a embalagem da Tucaninha e os “milheiros” que vinham junto de cada garrafa; as ilustrações foram feitas por crianças da APAE e da Associação das Mulheres da cidade do Glória. Tudo artesanal, desde a cachaça à sua embalagem.

– Desde que entrei para o negócio, em outubro de 2006, logo depois da morte de meu pai, comecei esse trabalho lindo. Cada embalagem é única, cada produto é exclusivo. Eu guardo tudo isso com muito carinho e valorizo essa característica da Tucaninha.

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  • Orlando Francisco Rodrigues
    fevereiro 27, 2013 at 8:32 am

    Ana Lis,em primeiro lugar “Bom dia”.Parabéns pela matéria,sou pai do Lucas e estou feliz por vê-los amigos.abraço.

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