– O Sebrae e o Governo facilitavam o caminho. Mas, ao iniciar o negócio, o produtor deparava com a realidade difícil para criar o canavial, para manter uma série de fatores que são exigidos na qualidade da cachaça. O produtor vê como é trabalhoso lidar com tantas regras. Outro problema é a manutenção da quantidade, porque, se você não tem uma quantidade média, pelo menos, a sua produção vai ser de quintal. Você só vai vender para seus vizinhos, ou no máximo, para a cidade vizinha. Para ter um alambique em condições de produção média ou alta é estritamente importante uma estrutura financeira enorme! Mas os detalhes e as dificuldades não aparecem na propaganda, não apareceram naquela época. Eles não especificavam, não alertavam o custo de estoque, do vasilhame… Então, tentava-se até cinco anos, e é aí muita gente desistiu. Se você vai insistir sem lucro, apenas por hobby, precisa ter uma fonte financeira em outro setor.

Até a década de 1980, a fabricação de cachaça era um fator de herança, as técnicas eram somente passadas de pai para filho. Após esse período houve uma disseminação e criação de associações de produtores com incentivos governamentais. Tal movimento gerou mais seriedade ao tema, sendo que na cidade de Salinas já abriram um curso de nível superior de três anos, no qual os alunos aprenderão como se produzir cachaça de alambique.

Pergunto a Gilberto se é comum encontrarmos grandes produtores que não conseguem lucros no mercado da cachaça.

– Sim, temos alguns… A Sagatiba, por exemplo, não tem lucros com a cachaça, o foco dela são outros setores. A cachaça é uma das diversificações. Aproveitam a marca e compram a bebida de outros produtores, como o Antônio Carlos Pereira, do Carmo do Rio Claro. Ele faz cerca de 50 mil litros por ano, sendo 25 mil vendidos para a Sagatiba. Eles têm um contrato. E assim vai.

O grande problema gerado pelo aumento da produção de pinga e cachaça pelo país foi a “prostituição” de antigas marcas artesanais, nas palavras de Gilberto. Ele destaca esse movimento dos anos 90 como um grande incentivador do uso de álcool e pingas industriais na mistura de produtos, que se dizem artesanais em seus rótulos. Ou seja, muitas cachaças que iniciaram nos anos 70 e 80 como produtos de qualidade, começaram a “batizar” seus produtos, ou até mesmo, modificar sua fabricação, para poder disputar o mercado concorrido depois da década de 90.

Gilberto cita algumas marcas conhecidas da cidade de Salinas (reconhecida em todo o Brasil como produtora das melhores cachaças do país). De acordo com ele, muitas começaram a comprar álcool da cidade de Sertãozinho e misturam-no com água, chegando ao nível alcoólico permitido da bebida (de 39 a 42 graus).

– É uma grande desonestidade com o consumidor que compra um produto de marca reconhecida achando que está tomando uma cachaça artesanal e, na verdade, está bebendo uma mistura de álcool e água, ingerindo pinga das ruins! Em Passos mesmo, eu conheço gente que trabalha só com isso, transportando álcool de Sertãozinho para Salinas, Araxá em caminhões de tanques inoxidáveis… É chato falar disso, mas é grande o número de produtos que sofrem essa prostituição.

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  • Orlando Francisco Rodrigues
    fevereiro 27, 2013 at 8:32 am

    Ana Lis,em primeiro lugar “Bom dia”.Parabéns pela matéria,sou pai do Lucas e estou feliz por vê-los amigos.abraço.

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