Segundo ele, toda cachaça tem a coloração branca quando sai da fermentação e destilação. Só depois de seu envelhecimento é que adquire uma coloração amarelada, graças à madeira. Mas não é só pela cor que se diferencia um produto de outro. Gilberto fala sobre as diversas formas de apreciação da cachaça. Me conta algumas maneiras de diferenciar uma boa de uma ruim, uma bem encorpada de uma pinga industrial.

– Primeiramente, você vê a diferença quando coloca um pouco do produto na parte inferior da língua; se você sentir a sensação de dormência, o teor de álcool é muito alto e a boa cachaça não pode causar esse efeito. Outra coisa que as pessoas fazem, mas que é mito, é chacoalhar a garrafa e esperar o chamado Rosário subir para o topo da garrafa. Esse processo das bolinhas subirem não é sinal de qualidade; o que acontece é que, se você chacoalhar uma boa cachaça, bem encorpada, as bolhinhas sobem mais lentamente; o tempo da subida dessas bolhas é que faz alguma diferença. Outra opção é colocar uma dose de cachaça num copo e rodá-lo na vertical, como se você estivesse rodando uma xícara de café, para esfriá-lo. Depois que você volta o copo para a posição normal, a bebida deve criar uma gordura… Deve deixar um rastro com essa aparência de gordura que significará que é uma bebida encorpada. Agora, se a bebida descer rapidamente, o volume de álcool é acentuado.

Gilberto afirma que suas cachaças são encorpadas e que, um grande amigo, especialista em uísque e água, em certa ocasião, comparou a Tucaninha a um uísque de 15 a 18 anos.

– A cachaça, desde a época dos escravos, quando foi descoberta pelos negros africanos no país nos cochos das fazendas, vem carregando um título de algo negativo, de bebida das pessoas preguiçosas e que não querem trabalhar. Mas toda essa imagem foi criada inicialmente pelos senhores de engenho, que, aliás, eram também consumidores do produto. Eles diziam que os seus escravos estavam bêbados, que não queriam saber de trabalhar. A associação com esse tipo de personalidade começa já aí. Esse retrato do cara que bebe pinga, do “pinguço”, rondou a história da cachaça desde o século XIX. Ainda hoje, é sempre ligada à ideia do viciado, morador de rua. É o retrato da diferença social, dos problemas sociais que temos. Mas acho que essa imagem está sendo desmistificada. O brasileiro tem de conhecer a história da cachaça, tem que saber valorizar um produto tão nosso, tão importante para nossa cultura.

Ele pensa que a cachaça vem sendo mais consumida nos últimos anos, por causa da valorização do produto tipicamente nacional. E acredita que, aos poucos, o brasileiro está perdendo a vergonha de assumir a cachaça como um produto enraizado na tradição do país. Gilberto lembra que a cachaça é sempre um bom pedido para acompanhamento de um delicioso prato à moda de Minas.

– Na década de 80 existiu um movimento feito por governadores de Minas Gerais para a mobilização organizada de valorização dos produtos estaduais. Fizeram um trabalho forte em cima disso. Hoje, valorizam-se mais o artesanato e o turismo. Não se fala muito na comida e na cachaça. Mas muitas pessoas aprenderam a apreciar esses produtos. Os adoradores de cachaça tomam-na para curtir uma roda de papo, a companhia dos amigos, a reunião daqueles que quer bem… Apreciam a cachaça pelo seu sabor, e não para ficarem bêbados.

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  • Orlando Francisco Rodrigues
    fevereiro 27, 2013 at 8:32 am

    Ana Lis,em primeiro lugar “Bom dia”.Parabéns pela matéria,sou pai do Lucas e estou feliz por vê-los amigos.abraço.

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