Gilberto Godinho ex-produtor da cachaça mineira Tucaninha de São João Batista do Glória

Em 2003 ou 2004, logo no início de seu mandato, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva se dirigiu a Passos para visita política. Em sua recepção, os habitantes da cidade do sudoeste do estado de Minas decidiram agradar Lula com uma cachaça artesanal da região, de São João Batista do Glória: a Tucaninha. Na ocasião, o presidente experimentou o produto e, em tom de brincadeira, interrogou.

– Poxa, pessoal. A cachaça é ótima. Mas precisava ser bem um tucano?

A brincadeira ainda é motivo de risos na boca de Gilberto Godinho, ex-produtor da cachaça Tucaninha e da pinga (ou aguardente) Tucana. Ex, porque pararam de produzí-la em 2009. Estamos na casa de Gilberto, no andar subsolo, sentados à mesa de grossa madeira, cercados de garrafas de cachaças e pingas de todos os cantos do país. Ao nosso lado, um barzinho de madeira com bancos altos, receptivos. À minha frente, uma grande janela que escancara uma paisagem de enormes terrenos verdes, onde antes eram as plantações de cana-de-açúcar da família Godinho. Ex-prefeito do Glória, produtor leiteiro, artista plástico e amante da cachacinha brasileira, Gilberto é homem multimídia, mesmo antes dessa palavra ser tão utilizada. Nas horas vagas, ele cria móveis – como fizera para sua casa atual, toda trabalhada em madeira de uma antiga fazenda. Gilberto conta que até peças de carros de boi foram usados para construir bancos, sofás, baús e outros móveis. Além disso, pinta quadros, hobby que ultimamente anda parado. A “alma de artista” está em todos os cantos de sua casa, especialmente nessa área “da cachaça”. Por toda a parede da escadaria, até a sala onde estamos, há mensagens de giz e caneta de vários amigos que passaram por lá. São centenas delas. Gilberto sorri.

– É, isso daqui é arte e amor dos amigos que vêm me visitar. Quando inaugurei minha casa, fiz uma festa… A maioria das assinaturas foi deixada naquela ocasião. Mas sempre tem gente vindo bater um papinho, comer uma coisinha e tomar uma dosinha.

A história da cachaça tem início com a história do Brasil, com as primeiras plantações de cana-de-açúcar feita pelos portugueses. Durante os séculos XV e XVI, o açúcar era produto precioso, na época diziam que era “caro como jóia e raro como justiça”. A cana teve importância no país com Martin Afonso de Souza que, em 1530, construiu o primeiro engenho brasileiro no Rio da Prata. Depois disso, a produção se espalhou pelo país, especialmente no Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Nesses engenhos – não se sabe se em São Vicente (SP) ou na Bahia –, surgiu a cachaça. Alessandra Garcia Trindade descreve o fato em seu livro Cachaça, um amor brasileiro: “nos engenhos de açúcar, durante a fervura da garapa, surgia uma espuma que era retirada e jogada nos cochos para servir de alimento aos animais. Dentro desses cochos, o produto fermentava e transformava-se num caldo que parecia revigorar os animais. Os escravos, vendo os animais consumirem aquele caldo, decidiram experimentá-lo. Gostaram tanto que passaram a consumi-lo com frequência”.

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  • Orlando Francisco Rodrigues
    fevereiro 27, 2013 at 8:32 am

    Ana Lis,em primeiro lugar “Bom dia”.Parabéns pela matéria,sou pai do Lucas e estou feliz por vê-los amigos.abraço.

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