Colecionar cachaças: uma necessidade, um hobby, uma paixão

Eduardo posa para foto atrás de uma mesa de madeira repleta de miniaturas de cachaça

Giovani Moser, um dos colecionadores mais importantes do Brasil, repassa sua trajetória de 21 anos de atuação, conta seus projetos e oferece preciosas dicas para iniciantes montarem a própria coleção

Você está buscando um novo entretenimento e gosta de surpresas, viagens e boas histórias? Que tal se tornar um colecionador de itens relacionados à cachaça? Iniciar uma coleção deste tipo, além de um delicioso passatempo, é uma maneira prazerosa de conhecer peculiaridades regionais, fazer muitos amigos, caçar tesouros escondidos em alambiques de todo Brasil e, num futuro próximo, até mesmo ter a possibilidade de abrir um museu.

Não foi com estas perspectivas que o catarinense Giovani Moser começou a colecionar itens sobre cachaça, mas depois de reunir aproximadamente 4500 garrafas diferentes, mais de 500 latas e a maior coleção de miniaturas do Brasil, com mais de 8.500 peças coletadas, o funcionário público catarinense se tornou uma espécie de embaixador da cachaça, descobrindo curiosidades acerca da bebida símbolo do país e se tornando então uma confiável fonte para pesquisadores e jornalistas.

O colecionador Giovani Moser posa para foto em frente a parede com nichos onde estão centenas de miniaturas de cachaças.
O colecionador catarinense Giovani Moser no começo da garimpagem nos anos 2000.

Atualmente com mais de 12.500 peças catalogadas, Giovani possui uma espécie de Louvre particular da cachaça, com itens importantes e raríssimos, como uma miniatura da caninha Pelé, a peculiar Pinga da Bica envasada em embalagem Tetra Pak (aquelas de sucos e de leite longa vida),  a preciosa lata de alumínio da aguardente paraibana Gostosa Limão, a exclusivíssima lata da centenária caninha paulista Oncinha e a garrafa da edição limitada de três litros da cachaça pernambucana Pitú, lançada exclusivamente para o mercado europeu.

Esta rica trajetória, que fez este colecionador conhecer engenhos, alambiques, museus e personagens ilustres do universo da cachaça, se iniciou em 2000 quando Giovani começou a colecionar garrafas de destilados como uma maneira de substituir uma outra paixão: o hobby de juntar moedas, iniciado aos sete anos, que teve que ser encerrado pela dificuldade em obter novas peças pelo alto preço dos itens. 

“Você consegue tirar a coleção do colecionador, mas não sua paixão em colecionar. Aos 18 anos, fiz um curso de barman e comecei a adquirir bebidas diversas para fazer coquetéis e outros drinques e assim iniciei a coleção. Depois de conversar com outros colecionadores em eventos internacionais no Peru em anos seguintes, resolvi focar a coleção de destilados no produto mais brasileiro de minha lista que é a cachaça. Comecei com miniaturas e em 2013, consegui homologar a maior coleção deste tipo de item no país”.

Giovani Moser, colecionador de cachaças

Colecionar e compartilhar cachaças: o projeto “De volta às origens”

A coleção que começou com miniaturas gradualmente foi se expandido para outros itens como latas, garrafas e engradados, assim como as histórias, viagens, amizades com produtores, colecionadores e participações em eventos ligados à cachaça em todo o país. A atuação de Giovani neste período proporcionou frutos importantes para toda a comunidade da cachaça como a criação do projeto ‘De volta às origens’ em que o catarinense presenteia alambiques com importantes edições de aguardentes, que estavam em posse do colecionador.

“Há certos itens que contam uma história melhor em outras mãos. A ideia deste projeto é fazer com que os próprios produtores possam contar sua história. Proporcionar este resgate me emociona tanto quanto adquirir um item raro, pois percebo a história sendo escrita naquele momento”, conta o colecionador que entre suas doações cedeu uma das primeiras produções da histórica cachaça paraibana Volúpia para o proprietário da cachaçaria. “A família acabou perdendo produtos históricos por conta de um rompimento de uma barragem que inundou a cidade de Alagoa Grande onde fica o alambique. Ajudar a recontar esta história de várias gerações é um grande orgulho que carrego”, finaliza.

O colecionador de cachaças, Giovani Moser, entrega uma garrafa histórica cor de âmbar para o produtor da cachaça Volúpia. Ao fundo estantes de madeira com garrafas de cachaça.
O projeto “De volta às origens” cedeu exemplar histórico para a cachaçaria paraibana Volúpia.

Confira a versão virtual do projeto Museu da Cachaça montado por Giovani aqui.

Além de realizar o projeto ‘De volta às origens’, Giovani vem se preparando para num futuro próximo realizar um sonho: transformar o acervo particular localizado em Bombinhas, cidade conhecida pelas belíssimas paisagens litorâneas e a terra da Consertada -bebida típica de cachaça com café-, no primeiro museu físico dedicado à cachaça em Santa Catarina. Para realizar esta ação, o colecionador já visitou todos os museus brasileiros sobre a bebida para obter a expertise necessária para lançar o empreendimento. 

“Todo colecionador é um tanto egoísta porque cada produto guarda consigo uma história única que precisa um dia ser exposta. Meu desejo é que o maior número de pessoas conheça a história das cachaças do Brasil e a ideia do museu surge com este propósito”.

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