A Caipirinha para se valorizar a Cachaça - Mapa da Cachaça
Verallia

A Caipirinha para se valorizar a Cachaça

20 de 04 de 2011

Save the caipirinha cachaca leblon

Grande parte dos consumidores de bebidas alcoólicas em ocasiões sociais e de lazer não o faz em sua forma mais pura. Ou seja, as pessoas preferem misturar a Tequila, a vodka, a Cachaça e até o Whisky a outros ingredientes. Energético, refrigerante, frutas, especiarias e até outras bebidas: para muitos o consumo dos chamados drinks é bem mais interessante do que o do destilado puro.

O jornalista especializado no mercado de bebidas alcoólicas, Noah Rothbaum, afirma em seu livro “The Business of Spirits”, ainda sem tradução para o português, que o aumento do consumo de destilados nos EUA se deu justamente através dos drinks. Nessa esteira, aqui no Brasil, ao falarmos da valorização da Cachaça precisamos falar de uma das suas principais formas de consumo: a caipirinha. Receita tradicionalmente feita com Cachaça de qualidade, a caipirinha no entanto hoje foi substituída por versões correlatas feitas com vodka e até saquê. Fruto principalmente da “falta de glamour” em se beber Cachaça e, lógico, do preconceito atrelado a nossa bebida, muita gente ainda prefere as versões ‘modernosas’ do drink.

No entanto, e essa é nossa luta aqui, a caipirinha genuína de Cachaça de qualidade merece voltar para seu posto. E é interessante notar que algumas das marcas cujas atividades de Propaganda são bastante importantes para o mundo da Cachaça também estão indo por esse caminho. Vamos a elas:

  • Sagatiba:

    A nacional Sagatiba acaba de colocar no ar o filme “Academia Sagatiba de Cachaça”, em que sugere um professor ensinando que caipirinha se faz com Sagatiba, e, que saber fazer isso é um dever cívico.

    Trazendo uma ambientação séria, e utilizando as palavras “cívico”, colocando pessoas aparentemente notáveis consumindo a Cachaça (como quando mostra o “comitê” de gringos avaliando caipirinhas), a campanha criada pela agência MOMA, não resvala no lugar comum da cultura brasileira como Samba, Carnaval e mulheres semi nuas. Mesmo que esses elementos sejam parte inegável e interessantes de nossa cultura, não é só por esse caminho que temos que ir para se valorizar a Cachaça. Por esse motivo, a campanha de Sagatiba que utiliza outros campos persuasivos para se vender aguardente, é louvável – mesmo que o produto em si ainda possa ser melhorado.

  • Leblon:

    caipirinha Cachaça leblon

    Já a Cachaça Leblon, que têm começado a intensificar seus esforços de marketing e ampliado sua distribuição em território nacional (originalmente a marca começou a ser vendida no exterior), tem investido em sua campanha “Salve a Caipirinha”, onde propõe que caipirinha deva ser feita com KA-SHA-SA, como eles mesmos escrevem. Legal ressaltar que em termos de linguagem, a campanha, que ao invés de dizer “Caipirinha de verdade leva Leblon”, diz “Caipirinha de verdade leva Cachaça”, têm muito mais possibilidades de persuasão por ser mais orgânica e sincera: tem menos “publicitês” e mais conteúdo expressivo na comunicação (veja o site do manifesto). A marca Leblon, no entanto, não corre o risco de ser substituída pois é muito bem trabalhada pela sua inserção num cuidadosos e atraente trabalho de direção de arte (a campanha trabalha imagens em PB com apenas o ressalto para os drinks e a Cachaça num bonito e apetitoso verde limão ou outras cores brilhantes).

  • Aguardente 51:

    Outra marca que também tem feito esforços para a valorização da Caipirinha de Cachaça é, claro, a aguardente 51. Com a campanha “Caipirinha de Verdade” (no hotsite criado pela Fess’Kobbi), na qual aposta no humor como estratégia para angariar atenção principalmente nas mídias sociais. Com o slogan “Caipirinha de Verdade dá Humor de Verdade”, a campanha busca trabalhar com vídeos engraçados e postagens no twitter com a hashtag #51humor para atrair atenção para a marca. Em termos de estratégia publicitária, vale se perguntar se o consumidor é tão empolgado assim para engajar numa causa de marca, e não de categoria, seja ela qual for. Mas o vídeo com o comediante Diogo Portugal ficou muito interessante e bem feito:

Salvas estas pequenas considerações sobre a estratégia e a linguagem publicitária, todas as campanhas de valorização da caipirinha de verdade feita com álcool da cana têm seus grandes méritos, e é por aí mesmo que temos que ir se queremos valorizar nosso produto nacional. É uma pena apenas que as pequenas marcas de Cachaça Artesanal de qualidade não consigam ser também grandes anunciantes, mas nem por isso deixam de ser grandes produtos! A caipirinha de Cachaça de QUALIDADE pode ser muito mais saborosa do que as outras. Você já tentou experimentá-la com novos olhos?

RENATO FIGUEIREDO trocou sua caipiroska há muito tempo pela caipirinha e descobriu uma vastidão de sabores, cores e aromas que “Estava No Seu Nariz”, mas ele não tinha visto. Descubra você também no livro dele – e acompanhe aqui nesta coluna todas as quartas-feiras mais discussões e notícias a respeito de tudo o que envolve MARKETING E CACHAÇA. O autor também é mestrando pela Universidade de São Paulo e trabalha justamente analisando o quanto o “publicitês” excessivo nas propagandas pode atrapalhar sua eficácia.

Foto de Destaque por clisenberg

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