Cachaça radioativa? Cientistas elaboram técnica para envelhecer cachaça mais rapidamente utilizando radioatividade.

adega de envelhecimento
Os tradicionais barris para envelhecer bebidas ainda são insubstituíveis, mas prática é lenta, cara e ainda pouco ecologicamente sustentável.

Uma prática comum no mercado de rum, uísque e vinho é infusionar chips e lascas de carvalho às bebidas para agilizar o processo de envelhecimento e agregar cor, aromas e sabores típicos da madeira de forma mais rápida. A técnica é chamada de envelhecimento acelerado e contribuí para a padronização das bebidas, além de tornar mais ágil e sustentável a produção de bebidas envelhecidas em um mercado mais consciente com o desmatamento de árvores para a produção de novos barris e dornas. Em algumas regioes do Brasil, alguns produtores também usam essa técnica para envelhecer cachaça.

No entanto, a legislação brasileira ainda não permite utilizar essas técnicas de envelhecimento acelerado para agregar cor, aroma e sabor à cachaça. Quem usa esses recursos para forjar o envelhecimento da cachaça e agregar valor ao seu produto está enganando o consumidor e sendo desleal com produtores que investem em adegas com dezenas ou centenas de barris para envelhecer cachaça por muitos anos. Mudanças na lei seriam bem-vindas para regular esse tipo de prática e tornar mais sustentável o uso das madeiras, principalmente as nacionais ameaçadas de extinção.

Madeiras usada para armazenagem de cachaça em extinção
As principais madeiras utilizadas no processo de produção da cachaça estão ameaçadas de extinção

Enquanto nossa legislação não muda, cientistas da Universidade de São Paulo trabalham em novas alternativas para contribuir com o envelhecimento acelerado do destilado nacional utilizando radioatividade.

Cachaça radioativa?

Outra maneira de acelerar o processo de envelhecimento da cachaça é pela radioatividade. Cientistas da Universidade de São Paulo encontraram uma forma de acelerar o processo de envelhecimento da cachaça com a ajuda de radiação gama. A cachaça contida no tonel de madeira é irradiada por uma máquina que ioniza os átomos e desencadeia reações químicas que aceleram o processo de envelhecimento.

De acordo com a pesquisa, houve correlação entre as doses de radiação gama aplicadas e os teores de compostos voláteis (acetaldeído, esteres e álcoois superiores) das amostras de aguardente de cana-de-açúcar recém-destiladas contidas em tonéis de madeira e em todas as amostras usadas no experimento. Após 45 minutos, a cachaça radioativa não teve diferença significativa entre as amostras, irradiadas ou não, em relação ao aroma, sabor e impressão global. Em relação a cor, no entanto, houve diferença significativa entre elas. Embora tenha ocorrido um aumento dos teores de metanol em todas as amostras de aguardente, por ação da radiação, estes foram muito inferiores ao limite estabelecido pela Legislação Brasileira. Houve também diminuição da graduação alcoólica e do pH quando as amostras foram irradiadas. A quantidade de radiação é considerada baixa pelos físicos, portanto, não há risco de contaminação.

Mapa da Cachaça

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