Cachaça e Alcoolismo - Mapa da Cachaça
Verallia

Cachaça e Alcoolismo

04 de 05 de 2011

Cachaça e Alcoolismo

Tenho R$10,00, estou desempregado, com problemas em casa. Passei no supermercado. O que, de melhor, eu posso comprar com esse dinheiro?

Veja esta nota fiscal acima. Compare os valores da água mineral, leite longa vida, leite em pó e fresco, e, claro, aguardente. A garrafinha pet de aguardente de 500ml custou apenas r$0,16 centavos a mais do que a mesma quantidade de água mineral, e r$0,26 centavos a MENOS do que 1 litro de leite longa vida. Não é difícil imaginar que os preços praticados por muitas aguardentes são, hoje, perigosamente acessíveis. Algumas pesquisas e esforços mostram que, no combate ao vício, seja ele o tabaco ou o álcool, a elevação dos preços parece ser uma grande aliada. Tais preços extremamente baixos facilitam muito o consumo em excesso destes produtos. No entanto, é claro que a questão não é tão simplória, e também não acaba aí.

Para começar, o simples aumento de preços pode gerar um mercado paralelo que vem junto também com uma rede organizada de práticas ilegais – seja visto o caso dos cigarros contrabandeados. Depois, segundo a legislação brasileira, tanto o produto comercializado por grandes conglomerados industriais quanto por minúsculos alambiqueiros artesanais de qualidade pode receber a mesma tributação – já que a lei não diferencia um de outro. Desconheço a existência de medidas de incentivo que possa haver para pequenos produtores de Cachaça (pode ser que elas existam), mas devemos ponderar que um aumento imediato na carga tributária sobre o setor tem grande possibilidade de prejudicá-los mais ainda – e, claro, mais do que aos fortalecidos produtores industriais. Por outro lado, também não é mentira que alguns produtores artesanais – geralmente de menor qualidade – vendem a bebida a granel a preços também bastante baixos. Portanto, a escalada de preços é necessária, mas a maneira como ela deve ser feita também é crucial. O primeiro passo, é claro, é tomar ciência do que vem acontecendo.

Depois, se observarmos, o problema do alcoolismo de um modo geral também tem razões comportamentais que carecem de mudança. Isso para não citar ainda os problemas sócio econômicos e psicológicos individuais, estes que são de mais complicada abordagem e eu deixo para os especialistas. Mas falo, por exemplo, de uma cultura ainda atual que espera ansiosamente seus 18 anos para poder “encher a cara”. É o jovem, que na formatura do colégio ganha uma garrafa de bebida alcoólica e, com isso, o aval dos pais para ter seu primeiro “porre” – o primeiro na frente deles, é claro. Parece ser mais permitido esse exagero dentro desse interlúdio chamado juventude (entre a “liberação” com os 18 anos, e o período de não-compromisso antes do primeiro emprego e das contas a pagar). E essa “permissão tácita”, ou esse “achar normal”, não vem só por parte da sociedade, mas, principalmente pelo próprio jovem de classe média que consome o álcool em excesso, e não vê aquilo como errado. A embriaguez, ao nos desprover de nossos próprios sentidos e consciência, traz a nós efeitos extremamente contrários ao papel do álcool consumido da maneira a que se serve: a de despertar nosso consciente para novas sensações.

E nesse cenário de excessos a Cachaça não é a única responsável, mas, por fatores como principalmente seu baixo preço, acaba infelizmente sendo grande protagonista. No entanto, nossa bebida tem tudo para ser um produto mais apreciado e apreciável, e cada vez mais distante desse universo do alcoolismo. Novas maneiras de consumo que valorizem suas qualidades sensoriais (e não meramente etílicas) devem ser discutidas e conhecidas e novas políticas de preço também podem ser elaboradas. Incentivar o conhecimento e a difusão de informação sobre a Cachaça Brasileira não é de maneira alguma incentivar seu aumento de consumo de forma indiscriminada, mas sim, mostrar às pessoas formas mais proveitosas e inteligentes de se saborear a bebida. Afinal, como diz sabiamente uma amiga minha, “Quem Aprecia, Não Exagera”.

P.S: As marcas dos produtos foram apagadas da NF original pois o intuito de sua presença aqui é apenas ilustrativo, e não queremos causar complicações para apenas algumas marcas em específico já que o exemplo é universal.

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TAGS: alcoolismo.

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