Cachaça no exterior

Com ousadia e criatividade, empresários cavam espaço para a exportação de cachaça em meio à concorrência com outros tipos de destilados, dificuldades relacionadas à cultura e entraves comerciais.

Você já ouviu falar no termo brazuca? Muito popular para designar jogadores de futebol, praticantes de esportes radicais e de e-sports em competições internacionais, o que pouca gente sabe é que a origem desta adjetivo, que soa tão legal nos dias atuais, tem origem associada a aspectos depreciativos. A palavra era usada em países da Europa, principalmente em nações com grande comunidade brasileira como Portugal, Espanha e Reino Unido, para designar de forma xenofóbica os emigrantes brasileiros nos anos 1990 e começo dos anos 2000.

O que antes era um xingamento, acabou se transformando numa marca de brasilidade. Um sinônimo de sofisticação em algumas áreas. Agora,  é comum um nova-iorquino, por exemplo, ir a um restaurante brazuca saborear um bom rodízio de carnes. Quando crianças irlandesas querem aprender os segredos do futebol, é bastante usual seus pais procurarem escolinhas dos brazucas radicados em Dublin e noutras cidades. Mas, o que isso tem a ver com a exportação de cachaça?

As marcas de cachaça lançadas primeiro fora do Brasil

Aos poucos, o mundo vem se apaixonando por um outro artigo legitimamente brazuca: a nossa Cachaça, um produto exportado para 77 países nos quatro continentes. O desenvolvimento desta nova rota comercial se deve, entre outros motivos, à promoção das cachaças artesanais e ao esforço de empresários desta área para apresentar ao público estrangeiro uma bebida que ainda não é tão conhecida como a vodka, o whisky, o rum e outros destilados mais internacionalizados.

“No exterior temos que educar o povo a respeito da bebida, apresentá-la como algo novo, diferente do que os estrangeiros já tinham provado. No entanto, quando passamos essa barreira inicial com um público consumidor sofisticado e interessado em bebidas de qualidade”,

Milton Lima, embaixador da cachaça Pindorama

A Pindorama, assim como a Yaguara e a Leblon, faz parte de um seleto grupo de marcas de Cachaças fabricadas por produtores que se aventuraram no concorrido mercado internacional. Quem decide exportar cachaça ainda precisa vencer o considerável desconhecimento sobre a bebida. A receita para introdução em novos mercados tem sido apresentar a bartenders, mixologistas e ao público em geral o quanto a nossa Cachaça é eclética, um produto que vai além de uma palavra exótica.

A cachaça no exterior: O destilado brasileiro marcando espaço no mercado internacional

Thyrso Camargo, produtor da Yaguara, bebida exportada para 33 países distintos, explica que a apresentação da Cachaça para o público estrangeiro requer cuidado e criatividade do cachaceiro. Em geral, a estratégia consiste em exibir os inúmeros sabores ocasionados pelo envelhecimento em diferentes madeiras e a rica possibilidade de combinações para drinques em eventos, feiras e encontros.

“No exterior, precisamos sempre estar inovando e pensando em formatos criativos de como atrair o consumidor estrangeiro para uma categoria que é somente conhecida no Brasil ou tem como referência a Caipirinha. Tentar mostrar a versatilidade do produto é um dos maiores desafios”.

Thyrso Camargo, produtor da cachaça Yaguara

As Cachaças brazucas convivem com outras exigências. Produtores ouvidos pelo Mapa da Cachaça explicam que é comum mercados, restaurantes, bares e pubs principalmente europeus se preocuparem em como são produzidas as bebidas. Diligências sobre os impactos ambientais da produção estão sempre presentes e uma resposta mal formulada pode afastar possíveis compradores que não querem compactuar com desmatamento e outras práticas maléficas. 

Para Milton Lima, a consolidação de um nicho mercado internacional das Cachaças artesanais é algo irreversível, mas que é preciso refletir e buscar soluções a respeito de alguns entraves que prejudicam o produtor que decide concorrer num mercado com opções variadas como o rum e tequila. “Barreiras burocráticas, impostos altos, faltas de incentivos ao exportador. Sem contar que como um produto unicamente brasileiro, deveríamos ter uma organização que levasse em conta território de origem como vemos nos vinhos e produtos europeus.”

5 cachaças primeiro lançadas no exterior que você precisa conhecer

Você ama Cachaça e vai ao exterior? Certamente então em alguma balada, evento ou restaurante você vai encontrar essas marcas. Apresentamos o suprassumo das Cachaças brazucas, aquelas que estão entre as preferidas do público que não fala português. A lista é variada em relação a aromas e sabores. Um verdadeiro deleite para um bom cachaceiro de qualquer nacionalidade.

1. Cachaça Pindorama

dose da cachaça Pindorama

Apresentada em 2021 ao público nacional, esta bendita produzida no Vale do Café, região sul do Rio de Janeiro, é uma das cachaças prata que chegou antes no outro lado do Atlântico. Ela iniciou sua trajetória em Portugal, onde mora um dos sócios da marca. Por lá, os bartenders europeus que exploram os diferenciais da aguardente brasileira, usaram a bebida para a elaboração de novas receitas de drinques e coquetéis de frutas. Todo seu processo de fabricação é realizado de forma 100% artesanal em instalações do século XIX e a cana moída no alambique é produzida de forma orgânica pela própria marca que, além de Portugal, vem exportando para Espanha, Inglaterra e Uruguai.

2. Cachaça Yaguara

yaguara branca

Lançada simultaneamente no Brasil e no exterior, Yaguara é fruto da experiência de 5 gerações da família Meneghel. A marca produz três linhas de cachaça comercializada de 33 países. A Branca – muito apreciada para a elaboração de coquetéis e drinques; a Ouro – Um blend envelhecido em barris de carvalho americano, cabreúva e amburana; e por último, a Blue – uma das cachaças mais reconhecida pelos bartenders no exterior com envelhecimento realizado por 6 anos em barris de carvalho europeu.

3. Cachaça Leblon

Não é à toa que esta legítima cachaça mineira recebeu o nome de um dos bairros mais boêmios e sofisticados do planeta. Uma das pioneiras a se aventurar em terras americanas e também conhecida por liderar o movimento para legitimação no comércio internacional da cachaça enquanto produto de fabricação exclusiva no Brasil, Leblon chama atenção por seu irresistível aroma com notas de baunilha. Envelhecida de quatro a seis meses em barris de carvalho francês, esta cachaça branca de alambique tem na supervisão de sua produção o francês Gilles Merlet, um dos master distillers mais reconhecidos mundialmente, e Carlos Oliveira, diretor da Maison Leblon.

4. Cachaça Avuá

garrafas de cachaça da avuá

Fruto da paixão pela cachaça de três empreendedores americanos, Nate Whitehouse, Pete Nevenglosky e Mark Christou, Avuá tem apostado no refinamento para a consolidação de uma série que já conta com oito produtos. Desta forma, a marca vem apresentando boas surpresas com bebidas  envelhecidas em diferentes madeiras como a Amburana, o Bálsamo, Jequitibá Rosa e a Tapinhoã. Recentemente, a marca lançou a  limitada Edição Avuá Copan, bebida com notas de coco queimado e que teve em sua concepção a colaboração do famoso mixologista Craig Schoettler, diretor-executivo de bebidas da MGM Resorts.

5. Cachaça Novo Fogo

cinco garrafas de cachaça novo fogo em fundo branco

Muito elogiada pelo sabor e pela forma sustentável que produz seus produtos, a cachaça Novo Fogo é um empreendimento do romeno Dragos Axinte, um empresário apaixonado pela Cachaça e pelo Brasil. Exportada para os Estados Unidos há quase uma década, Novo Fogo é uma das marcas mais consumidas entre os americanos apreciadores da aguardente de cana O terroir de Mata Atlântica típico de Morretes, local onde é produzida a bebida, e uma das tradicionais regiões produtoras de cachaça, garante um processo orgânica, de fermentação natural e com condições propícias para o envelhecimento em diferentes madeiras como a Amburana, a Castanheira do Pará e o Carvalho Americano. A cachaça Novo Fogo Bar Strenght também tem sido bastante elogiada pelos bartenders norte-americanos por ter teor alcoólico mais elevado e favorecer o preparo de coquetéis.

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