Aprendendo com o Vinho Verde - Mapa da Cachaça
Verallia

Aprendendo com o Vinho Verde

30 de 03 de 2012

Outro dia ouvi no rádio uma campanha apresentando as qualidades do vinho verde, um produto português feito a partir de variedades especiais de uva cultivadas no noroeste de Portugal. Chego em casa e fico sabendo que o Senac oferecerá cursos gratuitos a respeito dos mesmos vinhos ainda neste mês. Achei muita coincidência ouvir tanto sobre um produto tão específico. Resolvi pesquisar um pouco mais e descobri que desde o ano passado estão sendo investidos 4,5 milhões de euros na divulgação da bebida no Brasil e nos Estados Unidos.

O vinho verde
Capitaneados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), a estratégia de divulgação inclui jornalistas, campanhas de marketing, e rigoroso controle da denominação de origem. Único, o vinho produzido na pequena região do Entre-Douro-e-Minho, é um bom exemplo do valor da geografia conjugada a práticas tradicionais do cultivo da uva. Esta combinação cria um vinho branco mais leve, e com características peculiares. Antigamente, era feito efetivamente com uvas verdes; embora hoje o nome perdure, as uvas utilizadas já são colhidas em seu ponto ideal de maturação.

O que me chamou atenção durante esta breve pesquisa foi o fato de achar várias ações promovidas pela CVRVV no intuito de se valorizar seu produto. O esforço têm suas justificativas e frutos: no primeiro semestre do ano passado foi registrado um aumento de 33% em volume nas exportações do vinho verde apenas para o Brasil, o que resulta em 1,2 milhões de euros (valor bem razoável para um produto bastante específico).

Apostando nas qualidades únicas do vinho, as campanhas, além de divulgarem o produto em si, também tentam agregar a ele as qualidades de “frescor, juventude e leveza”.

Propaganda do Vinho Verde
Organizados, os produtores desta pequena região estão conseguindo levar seu produto para o mundo, e agregando-lhe cada vez mais valor. Gastonomia, Enoturismo, Marketing e Qualidade de Produção: a CVRVV parece atuar em todas as áreas importantes para a valorização do produto. Também impressiona a quantidade de informações e qualidade do site da associação, no qual se encontram todos os detalhes sobre o vinho, suas regiões, a produção e também a certificação de qualidade. É claro que eles não têm vídeos tão bacanas quanto os do MdC (hehehe), mas enquanto um site de associação fiquei bastante interessado pela organização das informações. É, com certeza um bom exemplo para a Cachaça.

Seria muito fácil culpar o Brasil de ainda não ter se organizado de tal forma, mas se compararmos o volume de produção anual da caninha (1,5bi litros/ano) versus os 80mi de litros anuais do vinho, e também a vastidão de nosso território com a micro região na qual é feito vinho verde, percebemos que a coisa complica bastante. Mas as esperanças ainda são muitas: se a Cachaça tivesse sua “comissão de valorização”, com apoio de produtores de qualidade principalmente, teríamos talvez, outros resultados em nossa bebida. Aqui no Brasil já temos associações até certo ponto expressivas em suas regiões; mas falta [retomar] um programa nacional de valorização da caninha, unindo quem sabe todos estes pequenos esforços. Deixo o link do site para quem quiser explorar um pouquinho também: www.vinhoverde.pt

 

Fontes:

Site oficial do Vinho Verde

Expresso Sapo

Revista de Vinhos

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