A Cachaça Mais Perto do Público Jovem - Mapa da Cachaça
Verallia

A Cachaça Mais Perto do Público Jovem

11 de 05 de 2011

Ao falar de Cachaça, em termos gráficos, de embalagem e de visual, o que costuma vir à mente é um visual mais rústico, do interior e não muito sofisticado. De fato, milhares de rótulos antigos tem uma riqueza gráfica – uma imensidão de histórias que se pode contar a partir deles próprios. Parte dessas histórias foram reunidas na exposição Rótulos de Cachaça, que aconteceu no início desse ano de 2011 no Instituto Thomie Ohtake, em São Paulo . Como disseram os palestrantes na ocasião de lançamento da expo, “há muita coisa nova que nem se compara – em termos de riqueza gráfica – ao que vem sendo feito atualmente no ramo da Cachaça”. De fato. Os rótulos empobreceram, não contam mais com ilustração e o trabalho tipográfico se limitou a “escolher a fonte mais bonita do computador”. Uma pena.

No entanto, há uma “nova vertente” do trabalho gráfico com a Cachaça que vem sendo criticada por alguns publicitários (a maioria dos meus amigos, inclusive!), mas que merece nossa atenção. Estou falando das Cachaças que começaram a ter uma linguagem mais próxima do público jovem e conectada com o mercado.

Embalagem da Sagatiba mais perto do público jovem

Para muitos dos meus amigos, algumas dessas Cachaças começaram a copiar a “linguagem” da vodka. Garrafa transparente, alongada; ausência de alguns ícones mais rurais e interioranos, esses tão comuns à Cachaça. Mas eu, para infortúnio de nossa amizade, discordo um pouco.

cachaça mais perto do público jovem com designs modernos

Apesar de estar numa profissão que, por convenção, tem profissionais que “não vão para o céu” (brincadeira), já que é o ápice do consumismo capitalista (mas não necessariamente, né?), tenho a felicidade de conviver com publicitários que acreditam que um trabalho bem feito deve respeitar a essência das coisas, da cultura e das pessoas, acima das imposições de mercado. É nessa esteira que, para meus amigos, negar a essência da Cachaça para ficar mais parecido com a categoria que vende mais – a vodka -, seria uma estratégia pouco louvável. Mas vamos com calma, pessoal.

A vodka é uma categoria cuja maior parte dos ícones gráficos remete a universos bem distantes do da Cachaça. São as insígnias “russas”, de “nobreza”, do gelo, do frio. Águias, dragões. Seres que não tem nada a ver com Brasil. E copiar isso – “ainda” – ninguém fez. Acontece que a vodka, por ser uma bebida que se diferencia menos em “sabor” do que em “qualidade” e “pureza” do álcool– é mais difícil de ser posicionada no mercado. Portanto ela precisa investir forte em publicidade para poder fazer a sua marca. Temos aí vários exemplos de publicidade/design no mundo da vodka: Skyy e sua garrafa azul, Absolut, Grey Goose, Cîroc e outras. Cada uma tem seu claim e reason to believe (a Cîroc é boa pois vem de uva, a Grey Goose é ultra Premium e engarrafada em Cognac, e por aí vai), mas todas seriam marcas muito menores sem a publicidade e o design para se vender. E Publicidade e Design são, QUASE por natureza, jovens e modernos.

Por isso, quando a Cachaça utiliza as mesmas estratégias publicitárias para se vender, sim, ela fica parecida com a vodka, ou com qualquer outra categoria que se utilize desses artifícios de maneiras nobres para enriquecer seu produto, e se apresentarem com o valor e cuidado que realmente merecem. Nas marcas que citei aqui, eu, pessoalmente, vejo interessantíssimos trabalhos de marca, e que foram capazes de começar a reverter aquele cenário de preconceito tão atrelado à Cachaça. Pedir uma caipirinha com alguma dessas marcas passou a ser uma coisa diferente, principalmente para o público mais jovem. E, na minha opinião, os novos “ícones gráficos” que elas vem trazendo em suas campanhas são muito interessantes, e podem ser o início de uma nova “cara” para a Cachaça.

Assim como elas, há também belos e menos conhecidos trabalhos de publicidade/Design e que podem ser elencados como trabalhos que conseguiram inserir bastante o vernacular e o cultural. Dêem uma olhada no rótulo da Maria Izabel, feita pelo ilustrador Jeff Fisher:

design do rótulo da Maria Izabel atrai o público jovem

… da Cachaça Moleca:

Cachaça Moleca tem design que atrai o público jovem

E da CanaRio:

Garrafa de cachaça Canaria - design para o público jovem

Bacanas, não? Todos jovens, modernos, que respeitam o consumidor e que, sim, falam a língua de quem mais consome caipirinha por aí. A pena – e teria que haver uma “pena” – é que a maior parte desses produtos e de outros que também apresentam bons trabalhos de design só são vendidos lá fora. Quando é que, aqui no Brasil, vamos ter um bom trabalho de design disponível no mercado também? É hora de olharmos para a nossa Cachaça com novos olhos.

 

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