Receitas

Mafufo ou Charuto de Repolho

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Aprenda com a Elisa Teixeira como fazer uma deliciosa receita de charuto de repolho com carne moída ou mafufo, como é conhecido em Guaranésia - Minas Gerais

Acho que uma das coisas que mais me fascinou no mafufo quando ouvi falar dele pela primeira vez foi exatamente esse nome. Do árabe, malfouf, ele é todo sonoridade, e enche a boca da gente que nem comida boa. Pelo menos era assim que o charuto de repolho era conhecido lá em Guaranésia, Minas Gerais, cidade onde passei a maior parte da minha infância e adolescência. Acho que comi o charuto de repolho pela primeira vez na casa da minha amiga Aninha, feito pela mãe dela, a D. Isabel “da farmácia”. É uma receita deliciosa!

Havia (e ainda há) várias famílias de origem árabe vivendo na cidade e por toda aquela região. Guaxupé, a cidade vizinha, é famosa por seu chancliche – versão brasileira do labneh, queijo tradicional da culinária árabe. Assim, pratos típicos árabes como o quibe, o arroz com lentilha e a esfiha foram incorporados ao repertório culinário de muitas famílias, árabes ou não. Já os pratos de preparo mais complexo, ou que exigiam ingredientes mais especializados – como o tahine e o zaatar – ficavam mais restritos às casas dos imigrantes e seus descendentes.

O mafufo ou charuto de repolho é uma preparação razoavelmente trabalhosa, mas não exige nenhum ingrediente fora do comum. Por isso, acredito, era mais difundido na minha cidade que o charuto de folha de uva, mais tradicional. Ainda que seja um pouco demorado, uma vez enrolados os charutos, a refeição está completa: cada garfada traz seu tanto de carne moída, amido, legume e verdura.

Mafufo ou Charuto de Repolho para o Mapa da Cachaça

Além de ser um prato lindo, o mafufo pode ser comido frio ou quente. E não sofre em nada ao ser requentado. Pelo contrário: parece que vai ficando cada vez mais gostoso, como uma lasanha ou feijoada. Se bem que raramente eles sobrevivem tanto tempo, pois são realmente irresistíveis, você vai ver!

Autor(a) Elisa D. Teixeira
Ingredientes
  1. 600g de carne moída
  2. 3/4 de xícara (chá) de arroz branco
  3. 1 tomate maduro, sem pele e sem sementes, em cubinhos
  4. 1/2 xícara (chá) de cenoura em cubinhos bem miúdos
  5. 1/3 de xícara (chá) de cebola ralada
  6. 1 colher (chá) de alho picadinho
  7. 1/4 de xícara (chá) de salsinha picada
  8. 1 ramo de cebolinha picadinha
  9. 1/4 de colher (chá) de molho inglês
  10. 1 colher (sopa) de sal
  11. 1 colher (chá) de azeite
  12. pimenta-do-reino preta moída na hora a gosto
  13. 1 xícara (chá) de molho de tomate de sabor neutro, misturado com água suficiente para cobrir os charutos
Instruções de preparo
  1. Leve ao fogo um caldeirão com bastante água e um pouco de sal. Retire o miolo do repolho usando uma faca pequena para recortá-lo em forma de cone. Separe as folhas com cuidado para não rasgá-las. Lave e reserve as folhas mais externas e machucadas do repolho, e as muito rasgadas também, para forrar a panela.
  2. Assim que a água ferver, junte as folhas de repolho, em duas ou três levas, e cozinhe por 2 a 3 minutos, até que fiquem ligeiramente flexíveis. Retire com uma escumadeira e deixe escorrer até esfriarem. Coloque sobre uma tábua de cortar e descarte os talos duros centrais, recortando-os com uma faca afiada. As folhas maiores podem ser separadas em duas.
  3. Coloque numa bacia a carne, o arroz, o tomate, a cenoura, a cebola, o alho, a salsinha, a cebolinha, o sal, o molho inglês, o azeite e pimenta-do-reino a gosto. Misture bem, mas sem amassar demais a carne, para que não fique dura.
  4. Coloque uma folha ou metade de folha de repolho sobre uma superfície de trabalho e arrume cerca de duas colheres de sopa cheias de recheio no centro, em forma de croquete. Dobre as laterais sobre o recheio e enrole, sem apertar muito, formando um charuto. Repita o procedimento até usar toda a carne.
  5. Forre uma panela grossa com as folhas de repolho mais duras e/ou rasgadas reservadas. Arrume os charutos em camadas, deixando-os bem juntos uns dos outros.
  6. Misture o molho de tomate com água suficiente apenas para cobrir os charutos (isso vai depender do tamanho da sua panela). Despeje sobre os charutos, tampe e leve ao fogo brando até estarem cozidos. Prove um charuto de cima para saber se estão prontos – o arroz deve estar macio, mas não mole. O tempo de cozimento vai depender da panela usada e da chama do fogão, mas pode levar de 30 minutos a 1 hora.
  7. Sirva quente ou frio.
Dicas Use a água quente do repolho para pelar o tomate. Corte um x raso na base arredondada e mergulhe-o na água por uns 30 segundos (quanto mais maduro, mais rápido). Esfrie sob água corrente e puxe a pele, que deve sair com facilidade.

Troque o repolho por folhas de couve, acelga ou repolho crespo.

Faça uma versão vegetariana trocando a carne por proteína de soja ou glúten.

Você conhecia esse outro nome para o charuto de repolho, mafufo? Como ficou a sua receita? Conte pra gente nos comentários abaixo e se gostou da receita dê a sua nota.

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Elisa Duarte Teixeira

Elisa Duarte Teixeira

Elisa Duarte Teixeira é culinarista: adora tudo que tem a ver com cozinha. Fez dessa paixão seu tema de estudo, seu ofício, e sua arte. É tradutora especializada em culinária e autora do blog Authentic Brazilian Cuisine.(http://authenticbraziliancuisine.blogspot.com/)

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Comentários

11 comentários

  1. O Charutinho ficou uma delícia, só que fiz algumas adaptações: 1,500 grs de carne moída(patinho), 2 xícaras de arroz, 2 tomates sem pele e sem sementes, 3 cenouras médias cortadas em cubinhos, 1 cebola grande cortada em cubinhos, uma cabeça de alho(roxo)… muito bom, uma maço de cebolinha e outro de salsinha, 1 colher de sopa de molho inglês, sal a gosto, 3 colheres de sopa de azeite , pimenta síria a gosto, e pimenta do reino preta a gosto,e 2 sachês de molho de tomate neutro e pós ter feito os charutinhos, coloquei-os na panela de pressão (2) e água suficientes para cobrir os charutinhos, e o toque final foi meia colher de chá de CANELA EM PÓ prá cada panela. Forrei a panela com as sobras do repolho, inclusive os talos e fiz uma panela com repolho e a outra com couve manteiga com o fundo da panela forrado com repolho, Não sobrou prá ninguém (12 pessoas) e já repeti a receita. Acompanhamento foi arroz branco, salada de folhas diversas(alface, rúcula, escarola) e tomates com bastante cebola, e para os adultos uma taça de vinho(marca o que você mais gosta).

    • Oi Roberto, tudo bem?

      Que bom que gostou do charutinho! É um prato ótimo pra fazer para várias pessoas. Qualquer dia testo suas sugestões ;o)
      Grande abraço,

      Elisa

  2. Elisa,
    Parabéns por divulgar esta delícia. Sou natural de Guaxupé e filho de portugueses. Entretanto a amizade de meus familiares com famílias de origem árabe levou-me a gostar mais de comidas árabes/libanesas do que as de origem portuguesa. Entretanto, nesta receita o uso de tomate, cenoura e molho inglês não é original mas não tira a qualidade e a parte pessoal de quem elaborou. Dentes de alho inteiros e folhas de hortelã junto com os talos,
    ficam uma delícia. Faltou também canela em pó que eu não gosto, mas muitos adoram. Obrigado.

    • Obrigada por seus comentários, Alberto!
      Eu sei que meu charuto não é muito autêntico (eu procuro seguir a receita à risca quando faço os de folha de uva, que amo de paixão), mas acredito que é um prato versátil, que foi abraçado pela cultura brasileira com carinho (e gula)!
      Você falando de Guaxupé, me deu uma vontade de comer um Chanclich (nem sei se é assim que se escreve…).Outro dia, pesquisando na internet a origem da iguaria, descobri que é uma invenção dos árabes do Brasil – na cultura de origem, existe o labneh
      Grande abraço,

    • Ooops, faltou um pedaço da mensagem…
      Então, o labneh, que na verdade é a coalhada seca. Mas esse requinte das bolinhas cobertas de zathar é coisa nossa (acho!). Assim como a “pimenta síria” (o tempero mais parecido que chama-se baharat, mas comprei aqui nos EUA e o sabor é bem diferente – a nossa é mais gostosa!)
      Abraço,

      Elisa

  3. eu ia ligar para minha,mãe , a dona Maura Vecchi ,mas como eu não apareci nem paro o natal nem pro ano novo achei melhor procurar uma receita na rede , a que mais se pareceu com a receita de minha mãe foi a sua . quando li que você era de Guaranésia me senti como o critico gastronômico do desenho animado do Ratatui, quando ele experimenta o prato tipico da sua infância, e se lembra da mãe cozinhando, poi e eu também tive algo parecido me lembrei da igreja de santa barbara,que pode ser vista de longe na estrada. ,
    a entrada da cidade do lado direito , a subida daquele ladeirão que leva a praça. parar na casa de tia Elsa ,para tomar um cafe e saber das novidades, olhar para aquele ladeirão e lembrar ,do meu irmão descendo aquela ladeira no carrinho de rolema junto com uma penca de primos.ler a sua receita me fez lembrar,o quanto Guaranésia e bonita e gostosa ,cheia de pessoas hospitaleiras como todo bom mineiro,e embora eu tenha achado sua receita perfeita e ela tenha me tirado as duvidas ,resolvi enfrentar fera e pegar a receita original da família que foi , ,presente de um tio libanês dai das Guaranesia também,meu saudoso tio Semi Faha .de qualquer forma muito obrigada mesmo.
    ps ; a minha mãe falou para, não usar tomate e sim por uma latinha de estrato de tomate aquela do elefantinho, também mandou dizer que meu irmão nasceu na casa ao lado da farmácia do Edisom Vilas boas , ali perto do Toninho heluani ,ela disse ,que conhece sua família toda,inte ti mando um abraço uai e trem bao

    • Oi Maria Consuelo,
      Tinha deixado uma mensagem pra você, mas esqueci de usar o botão “Responder”, entãonão sei se você vai ver.
      Abraço,

  4. Olá, Maria Consuelo, tudo bem?

    Que linda a sua mensagem – fico muito feliz de esta receita ter te trazido tão boas lembranças, de Guaranésia e da sua família. Ler seu post também me transportou para aquela ladeira que leva à praça da igreja, bonita e arborizada, com seus ipês amarelos, tão lindos quando floridos.
    Minha mãe certamente conhece sua família também. Eu saí de Guaranésia muito nova, e volto pra lá uma vez por ano, mais ou menos, pra visitar minha mãe e a família do lado dela, que ainda vivem lá.
    E você, não quer dividir a receita do seu tio Semi comigo??? :oP
    Grande abraço,

  5. Que bom ver uma Guaranesiana, brilhando na arte da culinária. Mas, refletindo bem…, era de se esperar, pois desde jovenzinha tinha um apreço por guloseimas. Parabéns.

  6. Obrigado pela receita, adoramos
    apenas argumentando, temos sobrenomes invertido
    minha família era de Pinhui – MG
    meu sobrenome é Teixeira Duarte

  7. Desculpe-me, esqueci de dizer que no charuto que fiz, coloquei no recheio praticamente metade de um limão em gotas, isto para o arroz ficar mais soltinho, esta dica foi da minha avó materna, que também era portuguesa que tinha sobrenome Mendes Roseiro.