Cultura

A cana-de-açúcar em poesia

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Dona Lucinha, dona do restaurante mineiro Dona Lucinha, escreve um poema sobre a cana-de-açúcar e a cachaça para o Contos e Crônicas do Mapa da Cachaça.

Cana-de-açúcar - poema de Dona Lucinha para o Crônicas e Contos

É planta indígena de fácil manejo
No Brasil muito cultivada e valorizada
Dela retiramos os produtos e sub-produtos
Se, cada um deles for sabiamente manejados

A primeira etapa é analisar a terra
Para então plantar os canaviais
Respeitando o passo-a-passo e as exigências
Que serão seguidas pelos bons profissionais

A terra deve ser bem preparada
Com mudas de boa qualidade
Com orientação de agricultores especializados
Para a produção ser uma realidade

As valas são feitas enfileiradas
Respeitando um metro de largura
Quando adultas as folhagens se entrelaçam
Surgindo lindas canas, que doçura …

Durante os três meses de brotagem
Nas distâncias que ficam entre as valas
A terra é aproveitada com plantas rasteiras
Couve, alface, feijão, salsa e cebolas

Ao cuidar dos canteiros, afofando e molhando
A terra vai ficando bem preparada
Enquanto os canaviais soltam as folhas
As caninhas vem surgindo amareladas

As hortaliças já prontas para colher
Deixando espaço para a cana crescer
Ocupando assim todas as fileiras
Para que, ensolaradas, possam amadurecer

Ao chegar a hora de serem cortadas
Desfolhadas produzem saudável ração
Que são oferecidas ao animais
Surgindo uma rica alimentação

A cana lavada é levada a engenhoca
Um pequeno e rústico engenho artesanal
Colocado pertinho da cozinha da casa,
Para facilitar a moagem manual

Aparece então o saboroso caldo de cana
Que será a base de boas criações
Ele é também chamado de garapa
Apreciado pelas grandes populações

Surge o famoso melado de cana
Se levado ao fogo para engrossar
Servido com mandioca, mangarito ou cará
Que são deliciosos pratos para se saborear

Criam o possante engenho d água
Depois da engenhoca artesanal
Com condições de atender a demanda
Do gigante e bem planejado canavial

A cana vai para o engenho
Depois de desfolhada e limpa
Começa o processo da moagem
E o caldo vai pela bica

Das bicas vai para as grandes tachas
Já polida e pronta para recebê-lo
Tendo por baixo uma fogueira
Onde o caldo vai ser engrossado

Nesta hora, chega o rapadureiro
Que passa a controlar a fervura
Com a pá o caldo é mexido
Para acompanhar a textura

A meninada já vem chegando
Formando uma grande fileira
Todos querem a deliciosa pucha
Servida ao lado do fogueira

Logo o rapadureiro ordena:
Agora saiam todos de perto
Tenho que espalhar o fogo
E eu preciso ser bem esperto

Para tudo tem a hora certa
E se atrasar, perde o ponto
Com a ajuda de uma cuia
Vai para o cocho que está pronto

Com a pá em vai e vem
O melado vai logo engrossando
E quando chega o ponto
Ele já vai ser enformado

Surge a famosa rapadura
Que depois de bem fria
O rapadureiro então desenforma
Mais um produto famoso, quem diria…

A rapadura ralada bem fina
Recebe o nome de açúcar mascavo
Para adoçar o café e outros alimentos
Como nos tempos dos escravos

Outro produto muito apreciado
É produzido a partir da isca
Preparada com garapa e fubá
A fermentação é concluída

Este era o jeito mais primitivo
Nas fazendas dos nossos avós
Que da cana se fazia a cachaça
Bebida aplaudida por todos nós

Do primeiro fermento alambicado
Surge um líquido forte e transparente
De “cachaça de cabeça” foi batizado
Antes mesmo de ser analizado

Armazenado em tonel de madeira
Para depois ser classificado
Recebendo afinal o nome de álcool
Podendo assim ser comercializado

Surge  um novo produto
Saído do cocho já fementado
Chamado de pinga ou cachaça
E por todos muito apreciado

Surge então o ultimo caldo
De água fraca é chamado
É usado para o preparo de conservas
Engarrafado com brotos e ervas

O processo foi então evoluindo
Passando por modernas adaptações
E hoje nossa bebida se transformou
Em produto apreciado por várias nações

A cachaça Mineira, o torresmo e o pão-de-queijo
Fizeram então uma combinação
Vamos ver qual de nós
Vai ter mais aprovação

Fizemos então vários testes
E juntos passamos a freqüentar
As reuniões mais famosas
E sempre servidos em primeiro lugar

Como se não bastasse a grande aceitação
Produtos e sub produtos da cana-de-açúcar
Surgiu como uma enorme explosão
O etanol para enriquecer mais a nossa nação

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Dona Lucinha

Dona Lucinha

Nascida em 1932, na cidade do Serro, MG, em uma família de quituteiras, Dona Maria Lúcia Clementino Nunes foi professora por 30 anos. Aposentada, seguiu sua vocação. Passou a divulgar a fantástica tradição culinária que faz parte da história de seu estado. E mostrou a que veio: faz hoje uma das mais saborosas comidas típicas do Brasil.

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