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Nariz eletrônico é capaz de identificar madeiras

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Dispositivo criado pelo IQ-USP pode ajudar a identificar em qual madeira a cachaça foi envelhecida.

Nariz eletronico

Nariz eletrônico é mais potente que o nariz humano

 

Uma nova criação do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) pode mudar o cenário do combate à extração ilegal de madeira no Brasil, das plantações de cítricos, da reciclagem de plástico e da diferenciação das cachaças envelhecidas brasileiras. Pesquisadores do IQ-USP construíram “narizes eletrônicos” capazes de identificar e classificar – pelo odor – diferentes tipos de madeira e de plásticos e de detectar precocemente a contaminação de laranja por fungos. Segundo o professor do IQ-USP e coordenador do projeto, Jonas Gruber, “a tecnologia é muito simples, barata e tem diversas aplicações”.

Com apoio da FAPESP, alguns dos dispositivos foram desenvolvidos no projeto “Novos polímeros conjugados para células solares e narizes eletrônicos”. Um desses, por exemplo, identifica e classifica diferentes tipos de madeira. A ideia é que ele seja utilizado na fiscalização e combate à extração ilegal de madeira de espécies de árvores ameaçadas de extinção nas florestas tropicais brasileiras. Outros dispositivos criados são capazes de identificar diferentes tipos de plástico e até mesmo para a detecção precoce da contaminação de laranjas por um tipo de fungo.

E a cachaça?

O dispositivo utilizado para a identificação de madeira chamou a atenção de pesquisadores do Laboratório para o Desenvolvimento da Química da Aguardente (LDQA), do Instituto de Química de São Carlos da USP. O objetivo seria usá-lo para diferenciar cachaças envelhecidas em tonéis de carvalho ou de madeiras menos nobres.

A comercialização de carvalho é feita por meio de importação controlada do Canadá. Tonéis de madeira nacional são normalmente feitos com outras madeiras, como imbuia, jatobá, jacarandá ou jequitibá. O dispositivo serviria para detectar marcas que, apesar de colocarem no rótulo o envelhecimento como feito no carvalho, utilizam outras madeiras para o processo. “Há destilarias que declaram no rótulo que a cachaça foi envelhecida em jatobá e a vendem a um preço mais baixo do que a de carvalho (…) Mas também podem existir no mercado cachaças envelhecidas em madeira nacional, com a declaração no rótulo de que foram em carvalho, com preço de até R$ 200 a garrafa”, afirma Gruber, e completa dizendo que “o dispositivo consegue ‘cheirar’ uma cachaça e identificar em que tipo de madeira a bebida foi envelhecida”.

Esse nariz eletrônico em especial foi desenvolvido durante o projeto de pós-doutorado “Distinção de extratos hidroalcoólicos de madeiras e acompanhamento dos estágios de envelhecimento empregando sensores de gases, cromatografia em fase gasosa (GC-MS) e análise multivariada”. Leia a matéria completa na Agência FAPESP.

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