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Diferenças entre Cachaça Artesanal X Cachaça Industrial

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Os modos de produção diferentes resultam em bebidas diferentes. Saiba mais sobre os méritos da cachaça artesanal e da cachaça industrial.

Há entre os especialistas aqueles que afirmam que não há diferença entre a bebida nacional feita de maneira artesanal e a industrial, e aqueles (a maioria) que dizem existir sim, diferenças cruciais entre umas e outras. Também há os que indicam o uso da cachaça de menor qualidade no preparo de sua caipirinha, e aqueles que dizem que Cachaça, de verdade, não pode ser envelhecida. Vamos aos mitos, à realidade e, principalmente, aos fatos.

Abaixo as diferenças entre Cachaça Artesanal X Cachaça Industrial.

Bagaço de Cana na Ypióca

Parque industrial da cachaça Ypióca em Maranguape no Ceará.

1. ARTESANAL X INDUSTRIAL

Como tudo o que é feito a mão, a Cachaça Artesanal geralmente tem maiores possibilidades de ser – falando de uma maneira bem mais simples – bem mais gostosa. Só que, da mesma forma, também corre o risco de ser menos elaborada por alguém que não saiba manusear corretamente um alambique. Assim, se a precisão de uma máquina pode não garantir a você um produto “mais gostoso”, ela pode trazer algo talvez mais seguro.O que acontece é que pouca gente conhece as potencialidades de sabor e suavidade que tem a Cachaça Artesanal bem feita. As pessoas tem na cabeça a imagem da Cachaça como um produto forte, e de gosto não tão “agradável” quanto de um bom whisky. Pouca gente sabe que a Cachaça de grande qualidade já chegou a ser equiparada aos melhores deles. E que ela pode sim, ser uma bebida de excelente sabor. Portanto, frisar esta diferença SENSORIAL entre uma e outra, é crucial se queremos valorizar nosso produto, ou melhor: fazer as pessoas perceberem seu real valor e potencial. O que seriam, por exemplo, do vinho sem seu terroir, a especificidade de cada região, cada produtor? O mesmo acontece com a Cachaça. Temos que valorizar a bebida gourmet e culturalmente rica produzida de forma artesanal e de qualidade.

2. PÚBLICOS DIFERENTES

Mesmo com estas diferenças, a Aguardente Industrial tem seus grandes méritos. Já falamos algumas vezes deles aqui, mas uma coisa sobre a qual devemos prestar atenção é que cada bebida têm seu público. Se queremos falar numa valorização gourmet da Cachaça, como eu disse acima (e nisso eu acredito bastante), acho que não há como não falar sobre a bebida artesanal e suas diferenças. No entanto, a bebida industrial, se feita dentro de controlados padrões, pode ser também uma interessante pedida para alguns públicos especiais – e bem grandes.Eu não costumo defender seu uso na caipirinha, e indico a artesanal pois, pessoalmente, prefiro seu sabor. Mas uma coisa interessante da bebida industrial é que seu custo é, com certeza, muito mais baixo do que o da artesanal (de qualidade). Isso pode trazer uma nada desprezível relação de custo-benefício para um público que também procura sabor, mas não tão “gourmet” quanto o público da artesanal. Estou falando, por exemplo, dos jovens universitários ou que estão começando a trabalhar agora. É um público para o qual a bebida industrial pode, sim, ser uma boa pedida – desde que se consumida de forma “moderada”. Essa relação, no entanto, é um pouco perigosa, como eu já escrevi aqui. Acho que tem hoje já algumas marcas bacanas,que, embora ainda não sejam um produto tão premium quanto algumas afirmam, tem já um cuidado a mais na embalagem e na comunicação, o que sugere um consumo mais especial do que simplesmente exagerado. Afinal, quem aprecia, não exagera, não é mesmo?!

3. COBRE: UM “INGREDIENTE” A MAIS

Além de ser feita de maneira artesanal, a Cachaça de Alambique não Contínuo, tem um outro grande “ingrediente” em sua composição: o alambique de cobre. Feita por um bom alambiqueiro, a Cachaça Artesanal feita neste equipamento é, segundo vários estudos, capaz de resultar em uma bebida mais fina e mais rica em sabores, aromas e cores: componentes sensoriais que fazem da Cachaça uma bebida com mais sabor.

Alambique de cobre

Cachaça artesanal é feita no alambique de cobre

As cachaças destiladas em alambiques de cobre apresentaram teores de aldeídos e metanol superiores às cachaças destiladas em aço inox. Estudos acadêmicos comprovaram que os teores de dimetilsulfeto, alcoóis superiores e ésteres são maiores quando a destilação é feita em alambiques de aço inox. A utilização de aço inoxidável na construção de alambiques afeta as características sensoriais da aguardente, reduzindo a qualidade sensorial e produzindo um odor de enxofre desagradável no produto final. As reações químicas catalizadas pelo cobre nos alambiques, são capazes de reduzir significativamente os teores de dimetilsulfeto, o principal composto responsável pelo defeito sensorial das aguardentes de cana destiladas no inox.

4. CABEÇA, CORAÇÃO E CAUDA

O importante, já que aqui não há o rigor de um processo industrial, é que nem tudo que sai do alambique é Cachaça de qualidade: o grande segredo é saber fazer a separação entre o que os entendidos chamam de Cabeça, Coração e Cauda da destilação.

Cachaça artesanal - Vale Verde em Betim - Minas Gerais

Quando o coração pinga pode beber que é cachaça boa!

A Cachaça artesanal de qualidade que falamos aqui deve ser composta 100% pelo produto do meio do processo: o Coração da Cachaça. Na cauda e especialmente na cabeça (os líquidos que saem ao fim e ao início da destilação, respectivamente) podem haver elementos bastante perfumados, mas perigosos à saúde. Portanto, a correta separação deles é fundamental para resultar num produto de qualidade. No processo industrial, essa separação é feita na própria Coluna de destilação – o equipamento usado pela indústria. Aqui, diferentemente do alambique artesanal, a separação ocorre através dos “pratos” da coluna de uma forma contínua: não há “início”, “meio” e “fim”. Poderia-se dizer que os produtos saem todos ao mesmo tempo, mas já separados. Desta forma, garante-se a separação do álcool etílico dos demais componentes de uma forma bastante eficiente. No entanto, apesar de talvez mais “acurado”, ele pode resultar numa bebida mais simplória – sensorialmente falando.

5. A SEGURANÇA DA CACHAÇA ARTESANAL: O COBRE PODE SER VILÃO NA DESTILAÇÃO

Impurezas na cachaça do alambique de cobre

A cor é bonita, mas são impurezas encontradas numa destilação em alambique de cobre.

Agora, quando o assunto é artesanal, uma das primeiras coisas que se fala é o fato de ela ser feita em alambiques de cobre. Esse metal, utilizado na maior parte dos alambiques de qualidade, de fato pode formar compostos que são perigosos para a saúde. No entanto, se bem utilizado, pode melhorar muito a qualidade da bebida. Tanto é que os melhores whiskies são produzidos também em alambiques de cobre – semelhantes aos da cachaça. O segredo é saber limpá-lo corretamente. O que eu posso contar para você é cada vez mais temos alambiqueiros de qualidade e que sabem lidar com o cobre. Tanto é que muitos vem sendo premiados Brasil e mundo a fora – ou seja, há produtos gostosos e seguros circulando por aí. Conforme li em importantes livros escritos por químicos e/ou especialistas no assunto, se o alambiqueiro cuida de seu equipamento corretamente, não há por que temer a bebida feita ali.

6. TERMOS: Aguardente e Cachaça

Aguardente e Cachaça não são as mesmas bebidas. Para começar, se você é um bom apreciador de café por exemplo, ou de outras iguarias, sabe que colocar açúcar ou outros edulcorantes na bebida (ex: adoçante), muda completamente todo seu sabor. Torna-o mais agradável se a bebida pura não é tão rica, mas esconde outros milhares de sabores se ela é. A lei mesmo diz isto: se a bebida é adoçada com mais de 6 g de açúcar por litro – ou adicionada de qualquer outro ingrediente – não pode se chamar simplesmente de cachaça (decretos 3.062/01 e 3.072/02). Acima de 6g/L e até o limite de 30g/L elas devem ter no rótulo a denominação de cachaça adoçada” e “aguardente adoçada” (Instrução Normativa nº13 de 29/06/2005).

E muitos dos produtos industriais sofrem adição de açúcar acima da quantidade limitada por lei. Portanto: Artesanal é, quase sempre, Cachaça, e Industrial, salvo exceções, é Aguardente Adoçada ou Cachaça Adoçada. Mas ambas vêm do álcool da cana-de-açúcar: um produto muito interessante sobre o qual continuaremos falando na semana que vem. E fiquem espertos, tem alguns produtos no mercado que se dizem cachaça, mas na verdade não o são!

Para reforçar as ideias, pegamos um registro da pesquisadora Alessandra Trindade falando sobre as diferenças entre cachaça artesanal e cachaça industrial:

Rotulos de Cachaça
receitas com cachaça - Banner Mapa da Cachaça
Mapa da Cachaça

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Comentários

38 comentários

  1. Bom dia Renato.
    Concordo com a sua colocação. Existe um público para cada tipo de Cachaça.
    Na verdade, isto é uma realidade para todos os tipos de bebidas.
    O importante é a valorização da Cachaça, como um produto nosso, brasileiro, que não deve nada a qualquer um do mundo, seja industrial ou artesanal.
    Porque se pode consumir uma bebida industrial importada e achá-la boa e uma nacional não, só porque é cachaça?
    Um belo exemplo disto é a Tequila Sauza e José Cuervo! Industriais, mas muito bem vistas pelos brasileiros, principalmente porque são importadas.

    Um grande abraço!

    Glener A. Barros
    Diretor Geral da Règis Armmont

  2. Pingback: As Diferenças entre Cachaça e Aguardente parte II | Mapa da Cachaça

  3. Olá, Glener!
    Você falou muito bem: há espaço e valor para todos, e isso que é interessante.
    E também o assunto em relação à “valorização do que vem de fora”: realmente, é uma pena que ainda não conseguimos enxergar esse produto que está tão perto de nós! Os gringos já tem valorizado mais do que nós próprios – vê se pode?

    Abraços e obrigado pelo comentário!

  4. Pingback: As Diferenças entre Cachaças Artesanais e Aguardentes Industriais. E o marketing. (PARTE III) | Mapa da Cachaça

  5. Pingback: A Cachaça e as Outras Bebidas (parte I) | Mapa da Cachaça

  6. Me espelho numa frase de um amigo, excelente degustador de cachaça. Eis a frase.
    ” Eles não sabem ” Talvez seja o momento de dar nomes aos bois. Ou o brasileiro demonstre a verdadeira vergonha na cara ou a palavra mais indicada é chega!
    Se sua preferencia é vódca ou qualquer outro destilado não interessa, precisamos é de brasileiros para colocar nossa história, nossa musica, floclore e até nossa religiosidade como fator de respeito de uma nação ou de povo, frente aos povos de hoje.
    Vamos assim sem medos, brigando mesmo, mas sem perder o horizonte que teremos que atingir.
    Saúde e sucesso é o que teremos pela frente com nossa bebida, vista assim como indiferente para a maioria; mas até o Chico até hoje ainda não é bem escutado.
    Mel na boca para todos,
    Parabéns pelo blog, pela ideia, pelo assunto pela provocação e muito mais pela brasilidade que tem. Sou amigo sem contar precedentes.
    Abraços
    Blanco

    • Oi Blanco, obrigado pelas suas palavras. Bom ter amigos por ai que tem essa mesma visão que a gente. Vamos trabalhar bastante por aqui para continuar valorizando tudo de bom que temos nesse país – q nao é pouco. abraços

  7. Pingback: REDESCOBRINDO O BRASIL E A CACHAÇA: O lado Premium do destilado nacional | Mapa da Cachaça

  8. Pingback: A Cachaça no Exterior | Mapa da Cachaça

  9. Pingback: A venda da Ypióca e o futuro da Cachaça | Mapa da Cachaça

  10. Que legal a informação sobre as difrenças de uma cachaça industrial para a artezanal em uma linguagem simples, com certeza irei enviar para os alunos do curso de bartender. valeu mesmo.

  11. Você precisa provar minha cachaça. Acho que vai mudar de opinião quanto a destilação e tipo de alambique ( cobre)

  12. O vídeo do nosso amigo e grande colaborador Julio Martins é um equívoco. Discordo completamente quando diz que as diferenças entre cachaças produzidas em alambique e as produzidas em coluna ficam apenas no método de produção; a diferença existiria apenas na parte sensorial.
    Sabemos que no processo de coluna, o industrializado, não há o corte dos componentes nocivos ao organismo e tudo é engarrafado. Quimicamente são destilados completamente diferentes e o consumidor para não beber veneno , ainda que dentro dos padrões de tolerância permitidos, só pode optar pelo cachaça de alambique por batelada, daqueles produtores que primam pela qualidade do seu destilado em todas as etapas de produção. Cachaça de alambique por batelada e cachaça produzida no sistema de coluna são bebidas completamente diferentes.

    Abçs.
    Paulo Machado
    Confraria de Cachaça do Copo Furado

  13. Discordo completamente do nosso amigo colaborador, Jairo Martins. Ele diz no vídeo que a diferença entre cachaça produzida em alambique e a produzida em coluna fica apenas no aspecto sensorial. Sambemos que no processo de coluna, o industrializado, não há o corte dos componentes nocivos ao organismo e tudo é engarrafado. Quimicamente são destilados completamente diferentes e o consumidor para não beber veneno só pode optar pelo cachaça de alambique por batelada, daqueles produtores que primam pela qualidade do seu destilado em todas as etapas de produção. Cachaça de alambique por batelada e cachaça produzida no sistema de coluna são bebidas completamente diferentes.
    Att,
    Paulo Machado

  14. Boa tarde Renato. Em primeiro lugar quero parabeniza-lo pela página. Muito boa, fácil de navegar e com informações muito boas para quem gosta de consumir uma boa cachaça. Tenho uma dúvida quanto a % da cachaça. Sou do interior de São Paulo e na nossa região existem alguns alambiques. Uns bons, outros nem tanto. A dúvida é a seguinte: muitos alambiqueiros dizem que a cachaça dele tem ” 18 graus” (ou 19, ou 20). Qual a diferença ou equivalência entre o “grau” do alambiqueiro e o “grau” (%GL) das cachaças com rótulo ? Esclarecendo, embora acredito que você saiba, que o alambiqueiro vende o garrafão, sem rótulo e com a tradicional rolha. Muito obrigado.

      • O Helio Abdalla com certeza se referiu ao Grau Cartier, que já foi usado para definir o grau alcoólica da cachaça.

    • Boa noite ,respondendo a dúvida em relação a medida do teor alcoólico da cachaça,temos a escala criada por um
      químico francês de nome Cartier,que criou a escala “cartier”onde observamos as leituras ,18°,19°,20°…e temos ou-
      tro químico francês de nome Gay Lussac , que criou outra escala ” GL ” que corresponde ao %de alcool / volume. Por ser mais simples a compreensão da leitura do teor alcoólico em % / vol.,esta universalizou-se.(acredito eu )
      Se compararmos as duas veremos que perto dos 50% teremos para cada grau GL , 4° Cartier (ex:19°Cartier equivalem a 50° GL e 20° Cartier equivalem a 54° GL) Já no início e no final de ambas escalas teremos as leituras praticamente iguais (ex:10° Cartier = 10° GL e 100° Cartier = 100° GL ).?????
      Por isto no interior de Minas Gerais e do Brasil a verdadeira Cachça(ou Aquardente de cana de açúcar) teve sempre
      agraduação alcoólica entre 50° e 55° GL (correspondem a 19° e 20,5° Cartier ) Falo de cachaça de Alambique,produzida num processo Artesanal,respeitando-se o ciclo fisiológico da planta da cana-de-açúcar.
      Sou apreciador de cachaça pura(branquinha)e Alambiqueiro,abraço a todos,
      Nando Chaves.

  15. Boa noite Renato.
    Parabéns pela matéria e pelo Blog. Enaltecer as qualidades da cachaça artesanal num comparativo feito às cachaças industriais é essencial. Poucas matérias tem esse objetivo e a sua ficou completa.
    Parabéns. A matéria foi publicada há muito tempo mas é muito atual.

    Estou adentrando no mercado de cachaça e convido-te a conhecer a cachaça REDENTOR.
    Ela é artesanal, ótimo sabor.
    http://www.bebaredentor.com.br

    Att,
    Jonas Mello
    Sócio na empresa REDENTOR

  16. Passei em alambiques na cidade de lencois paulista e verifiquei que usam fermento de padaria para fermentar a cachaça. É certo conheci alambiques artezanais que fermentam a cachaça com milho, e outras hortalisas.Qual é o certo?

    • Oi Helio, tudo bom? Não tem uma maneira certa, mas distinções que ajudam na definição de um terroir e características próprias de cada cachaça. Tem produtores que usam leveduras selecionadas, outros selvagens. Alguns usam pé-de-cuba com fubá de milho ou farelo de arroz. Outros, apenas caldo de cana e água. O importante é a produção formalizada, pensando em higiene e respeito ao meio ambiente e aos consumidores.

  17. O texto tem algumas inverdades que devem ser corrigidas.

    2. PÚBLICOS DIFERENTES
    “Mas uma coisa interessante da bebida industrial é que seu custo é, com certeza, muito mais baixo do que o da artesanal (de qualidade). Isso pode trazer uma nada desprezível relação de custo-benefício para um público que também procura sabor, mas não tão “gourmet” quanto o público da artesanal. Estou falando, por exemplo, dos jovens universitários ou que estão começando a trabalhar agora. É um público para o qual a bebida industrial pode, sim, ser uma boa pedida – desde que se consumida de forma moderada”

    É claro que as Cachaças industriais possuem “controle de qualidade” para fabricar o que interessa aos produtores – produto muito barato com baixíssimo custo para ser vendido a preços muito barato para consumidores de baixa renda. Normalmente os índices dos componentes prejudiciais à saúde são muito próximos dos índices que são controlados pelo Min. da Agricultura (por exemplo : aldeidos).
    Os problemas sociais provenientes do consumo de cachaça no Brasil (agressões às mulheres, falta ao trabalho, aposentadoria precoce, etc) se referem quase totalmente ao consumo de Cachaças industriais (existem Cachaças industriais sendo vendidas em supermercados a menos de R$4,00 o LITRO).
    Os jovens universitários deveriam ser incentivados a beber produtos de qualidade e não o inverso.

    4. CABEÇA, CORAÇÃO E CAUDA
    “No processo industrial, essa separação é feita na própria Coluna de destilação – o equipamento usado pela indústria. Aqui, diferentemente do alambique artesanal, a separação ocorre através dos “pratos” da coluna de uma forma contínua: não há “início”, “meio” e “fim”. Poderia-se dizer que os produtos saem todos ao mesmo tempo, mas já separados”

    – As cachaças industriais tentam vender a ideia de que retiram alguns componentes , principalmente os aldeidos (possuem ponto de ebulição abaixo do ponto de ebulição do álcool etílico- abaixo de 90 graus centígrados), o que não é verdade. Por ter altos índices de aldeidos (próximos do limite estabelecido pelo Min. da Agricultura), as cachaças industriais provocam as famosas ressacas do dia seguinte. Por isso, tanto para ser bebida pura ou como caipirinhas as cachaças industriais devem ser evitadas.

    6. TERMOS: Aguardente e Cachaça
    “Portanto: Artesanal é, quase sempre, Cachaça, e Industrial, salvo exceções, é Aguardente Adoçada ou Cachaça Adoçada”

    – Este texto está totalmente equivocado.
    O decreto define a diferença entre Cachaça e Aguardente APENAS com relação ao grau alcoólico. Cachaça fica entre 38 grau (por volume ou Gay Lussac) e 48 graus e Aguardente entre 38 graus e 54 graus. Então, hoje, toda Cachaça pode ser denominada de aguardente , mas nem toda aguardente pode ser denominada de Cachaça. Qualquer das duas pode ser adicionada com açúcar até o limite de 30 gr por litro de álcool etílico, desde que informado no rótulo. Normalmente somente as industriais (Cachaças ou Aguardentes) colocam açúcar para disfarçar o gosta ruim.

    Já enviei outro comentário tirando a dúvida do Hélio Abdalla (“muitos alambiqueiros dizem que a cachaça dele tem ” 18 graus” (ou 19, ou 20). Qual a diferença ou equivalência entre o “grau” do alambiqueiro e o “grau” (%GL) das cachaças com rótulo”) e que ainda não foi publicado.
    Estes alambiqueiro utilizam a escala Carier (era mais comum algum tempo atrás) e atualmente é utilizado a escala Gay Lussac ou Por Volume (VV) que foram padronizados no Decreto sobre Cachaça.. Os valores citados correspondem aos valores em torno de 40 graus VV.

    Estou à disposição para trocar idéias sobre Cachaças

    Paulo Tapinuã

    • Oi Paulo, obrigado pelo seus comentários. A única questão é sobre cachaça e aguardente. O que o Renato quis dizer é que a indústria coloca açúcar, portanto, deve ser chamada de cachaça adoçada, e não apenas cachaça. Essa distinção é importante, pois, como vc bem sabe, o açúcar é colocado para mascarar erros. Contamos com seus comentários e ideias para avançarmos nesse debate. abração

  18. Muito lindo. Apreciei o altar-natureza da Maria Isabel de Paraty. O trabalho artesanal tão saboroso nos lembra os louvores de São Francisco; com ele cantemos Bendita seja nossa irmã Terra e bendito o fruto do labor humano

  19. Em Jequitibá, MG, sou produtor de cachaça de alambique que vendo para engarrafadores. Portanto, preciso de muita qualidade. Essa qualidade eu tenho divulgado como “CACHAÇA SAUDAVEL”. Cachaça saldável porque, seus componentes precisam ser de fácil digestão pelos consumidores. Ressaca ZERO, desde que sem exagero e com hidratação – bebendo agua paralelamente, como para qualquer outra boa bebida alcoólica.
    Para conseguir uma cachaça SALDAVEL – (FACIL DE SALDAR, DIGERIR) é importante a higiene na moagem, decantação e filtragem do caldo, rigoroso controle da fermentação (ficar de olho na contaminação por bactérias para mantermos a produtividade e da acidez do mosto para evitar excesso de cobre) e também na separação das partes da alambicação para estocar e comercializar apenas a parte chamada coração = CACHAÇA.
    A cabeça e a cauda viram álcool combustível em um alambique apropriado.
    O interessante é que, com um bom controle da fermentação, aumentamos a PRODUTIVIDADE e QUALIDADE e assim ficamos mais EFICIENTES e competitivos.
    Para exercer estes controles precisamos de materiais e utensílios baratos e de fácil aprendizado, apesar de pouco difundido entre os produtores de cachaça de alambique.
    Assim, uma cachaça SALDAVEL passa a ser a mais econômica e de ótima qualidade sensorial.

  20. Acredito que tudo que é realmente produzido em larga escala,perde seu proposito onde quero chegar referente a cachaça artesanal,seu aroma,seu sabor sua limpidez deixa o reforço que uma produção em pequena escala cuidada dentro dos parametros basicos da produção é algo bem diferente de se tomar. Quando abaixamos o PH,quando cuidamos do fogo para não turvar a cachaça ela fica de excelente qualidade.Uma boa fermentação de 22 horas ela alambicada bem devagar é tudo que o consumidor precisa em termos de qualidade.
    Mas para isso o cliente o consumidor final tem que estar atento a preço pois não se consegue fazer cachaça com valor insignificante e dizer que é de boa procedencia sem cortar cabeça e desprezar o final.Hoje o custo da tonelada de cana está 210,00 na região do Vale do Paraiba. Venha experimentar a Cachaça Portal da Baracéia estamos apreendendo mas já conquistamos Menção Honrosa 2012 pela Fac. USP São Carlos SP,sabemos que temos um caminho para percorrer duro e espinhoso mas não vamos parar pois nossos clientes sempre irão tomar o melhor tenho certeza que sempre produzir com qualidade é o certo e nossa meta. Abraço Carlão 12 36214111 Taubaté SP.

  21. Olá, bom dia!
    Estamos pretendendo entrar no segmento de produção de cachaça.
    Estamos localizados no sudoeste da Bahia, na cidade de Itapetinga.
    Onde posso encontrar e quais as melhores marcas de equipamentos?
    Desde já, agradeço.
    Atenciosamente.
    Jadson Ramos da Silva
    (77) 8811-0360

    • Bom dia Jadson.
      Você que vai se iniciar como Produtor de cachaça, vou lhe dar algumas sugestões.

      a) Faça opção entre qualidade ou quantidade.É preferivel optar pela qualidade.
      b) Se optar pela qualidade, faça a bebida que atenda ao seu gôsto. Os gostos dos consumidores são diversos. Uns apreciam mais forte,outros,mais fracas. Não mude. Ou gostam ou não gostam.
      c) Use os equipamentos certos e bem dimensionados.
      d) A Higiene é fundamental
      e) Controle a temperatura e o fluxo do destilado.
      f) Eu,particularmente, só uso o fermento de fubá de milho.
      g) lave o fermento de 15 em 15 dias.
      h) Faça a moagem somente no periodo em que a cana estiver madura, e com o brix alto. A cana verde tem um índice de coloides alto que iterfere no sabor da bebida..
      i)não venda ou beba com menos de 90 dias de descanso.
      j)Armazene a bebida em toneis de aço inox
      k) Se possivel utilize o vinhoto para alimentação de gado ou adubação de pastagens
      l) Use a cabeça e a cauda para produção de etanol.
      m) Leia bastante sobre o assunto

      Bôa Sorte e bons negocios

  22. Pingback: Cachaça artesanal x cachaça industrial | Vô Milano Cachaçaria

  23. Bom dia, fala-se muito de tudo. Mas o que quero saber é se a cachaça deixa o sangue mais fino.
    abraço
    no aguardo,

    LUZARDO

  24. facil de distinquir ,a cachaça iindustrializada ao beber digamos 3 doses o alcool fica notorio em seu halito,
    ao passo que a Artesanal vc pode beber varias doses que ninquem nota que vc ingeriu a caçhaça ,fui claro ?
    at jose o almeida

  25. Pessoal qual é o tipo de açucar que posso colocar na cachaça para que nao se forme flocos alcoolicos

  26. Boa tarde:
    Gostaria de saber como se faz a separação da boa cachaça? O Coracão

    O coracao é o meio da deslilação?

    Agradeço

    Rubens Pinto

  27. Parabéns pela matéria, excelente explicação
    Mas tenho uma duvida e gostaria de esclarecer
    Comprei um alambique de inox(panela e coluna) e a serpentina de cobre
    Gostaria de saber, si produzir a cachaça de maneira artesanal separando cabeça, coração e cauda,nesse caso o coração vai sair com cheiro de enxofre e gosto de cachaça industrializada?
    Ou si fazer a troca da coluna e colocar uma de cobre resolveria essa questão do cheiro e gosto
    Obrigado