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Copos de “shot” são os melhores para tomar se tomar cachaça?

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Consultora em cachaça, Isadora Fornari explica a importância de outros copos na hora de uma experiência completa com a marvada

Isadora Belo Fornari

Isadora Belo Fornari, especialista em cachaça. Foto: Gabi Porter

Especialista em cachaça e fundadora da Rosário Consultoria, Isadora Bello Fornari vai surpreender os participantes do workshop “Os caminhos da cachaça: profissional e sensorial”, que ministrará no Empório Sagarana, zona oeste de São Paulo, durante a Cachaça Week. No evento, marcado para as 19h30 dessa terça-feira (22), ela prova por A+B os motivos que tornam o copo de shot inapropriado para uma experiência completa com a bebida. “Não tem problema tomar cachaça de uma golada só, mas com outros copos ou taças, a experiência é muito mais completa”, afirma.

Abaixo, Isadora explica a afirmação que para muitos pode soar polêmica. Confira:

Qual o problema dos copinhos de shot?

Entre os principais problemas que eu encontro em todas as casas que presto consultoria, além dos de armazenamento e temperatura correta de serviço, está o copo de shot. Copinho é erro. É falta de respeito com a cachaça. Eu adoraria tomar a marvada em taça flute, como uma forma de contrapor a identidade do pinguço virando copinhos e do respeito com os espumantes, por exemplo. Mas se o cliente puder tomar em um copo americano, ou de requeijão que seja, a experiência já aumenta. Naquele copinho, a capacidade de a cachaça desenvolver buquê é quase zero. Você não tem qualidade sensorial para apreciar coisa nenhuma em copo de shot, é um gole só, praticamente. É claro que, se a intenção é a de virar a bebida numa golada, não tem problema nenhum. Entretanto, se o cliente pede uma dose medida no copinho e depois vira em outro copo mais longo, ele já vai ter uma experiência muito maior. A cachaça é muito sedutora, ela não se revela de uma vez. Os aromas e sabores vão evoluindo aos poucos, são muitas camadas. Eu não quero acabar com nenhuma cultura nem com tradições, mas propor uma experiência muito mais completa e complexa. Por isso que eu brinco que o copo de shot devia ser quebrado em todos os lugares que querem levar a bebida a sério e entendê-la com mais profundidade.

Copinhos de Cachaça

“Quebrem os copos de shot!”

Como propor isso aos restaurantes?

O processo é de formiguinha, não tenha dúvida. E é um dos assuntos que vou propor na aula. Existe uma demanda muito grande por informação a respeito do serviço de cachaça, mas ainda existe pouca demanda por parte dos restaurantes. Em primeiro lugar, acho que a gente precisa começar a fazer um trabalho de equiparação entre a cachaça e o vinho, além de capacitar profissionais para trabalhar vendendo melhor a cachaça. Existe toda uma cadeia entre a produção de uma bebida de qualidade até o serviço de excelência. Se os restaurantes se propuserem a isso, vão vender mais cachaça, tenha certeza. As experiências sensoriais que podem ser criadas são muitas e a maioria é inédita, mas as pessoas não tem noção disso. Como eu gosto muito do serviço de salão, de conversar com as pessoas, eu entendo o poder de mudar a vida de um cliente. Basta uma conversa individual e um tratamento adequado para ele sair maravilhado: “Poxa vida, você transformou completamente minha experiência com a cachaça”. Tem muita coisa ainda para explorar.

Essas experiências sensoriais vão ser abordadas durante a aula?

Eu quero falar o básico sobre serviço. Do contrário, seriam dias para explicar esse universo complexo que vai do serviço do valet até a conta sendo paga e o comentário positivo nas redes sociais. Minha intenção, mais do que isso, é propor uma experiência divertida para que as pessoas criem bagagem e entendam elementos que podem ajudar ou prejudicar a experiência. Então, eu vou propor algumas experimentações como a de comer amêndoa junto com a cachaça, para aumentar a acidez da bebida. Na interação das duas coisas, a gente acaba com a untuosidade da branquinha, vai ficar horrível, eles vão me odiar (risos). Daí, eu apresento o almeirão, para eles buscarem o doce da caninha, e espero ser redimida. São essas as brincadeiras que eu quero levar para os apreciadores. É importantíssimo entender que a cachaça é tão complexa, que quebrar os copinhos de shot é o mínimo a se fazer para aumentar o respeito à ela.

Os caminhos da cachaça: profissional e sensorial

22/11 – 19h30 – Workshop com Isadora Bello Fornari
Empório Sagarana, Rua Aspicuelta, 268, São Paulo (SP)
https://www.facebook.com/events/1221998344533372/

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Comentários

2 comentários

  1. Boa noite. Pode-se servir cachaça em uma taça flute de 180ml em um restaurante? Obrigado. Espero resposta.