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Campeonato Arte da Cachaça Leblon – eu fui!

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Graziele Shimizu acompanhou o Campeonato Arte da Cachaça 2015 da Leblon e conta como foi experimentar alguns dos melhores drinques com cachaça do mundo.

“Coragem, hoje é segunda-feira!”, diria o Chico Pinheiro. Mas nesta segunda, 21 de setembro, não foi preciso muita coragem, afinal, o evento prometia ser um daqueles inesquecíveis. E foi mesmo!

Americanos e Europeus vieram prestigiar a coquetelaria brasileira

Americanos e Europeus vieram prestigiar a coquetelaria brasileira

A Leblon, cachaça premium de alambique produzida em Patos de Minas (MG), achou um jeito incrível de comemorar seus 10 anos de história: um campeonato de coquetéis que teve como objetivo exaltar a arte da boa cachaça. Bartenders de todo o Brasil foram convocados a se desafiar e mostrar paixão, técnica e criatividade neste campeonato. A primeira fase, totalmente online, teve 168 coquetéis inscritos, dos quais apenas 10 foram escolhidos para as fases finais. A seleção foi realizada por uma banca de jurados internacionais, composta por 4 bartenders conhecedores da marca Leblon.

A semifinal e a final, o evento de segunda-feira mais bacana de todos os tempos, aconteceram no Empório Sagarana, na Vila Madalena, em São Paulo. Por ser uma segunda à tarde, cheguei a pensar que estaria vazio. Ledo engano, o universo cachaceiro compareceu em peso, mais de 100 pessoas lotaram a esquina da Rua Aspicuelta com a Rua Girassol, todos muito bem recebidos pela equipe Leblon e um time de bartenders fazendo coquetéis e nos divertindo com suas demonstrações de flair acrobático – garrafas e coqueteleiras voando, girando e sempre voltando às mãos dos caras.

A Arte da Cachaça fez nossa segunda ser muito mais legal!

A Arte da Cachaça fez nossa segunda ser muito mais legal!

Show atrás do bar - flare

Show atrás do bar

Marco De La Roche, mixologista global da Leblon, apresentou o que seria uma das experiências mais bacanas que já tive no mundo da cachaça, com tradução simultânea para os muitos gringos (muitos deles verdadeiros feras da coquetelaria mundial) do CEO global da marca, Steve Luttmann. Mas o show mesmo ficou por conta do narrador da competição, Elvis Campello, bartender e um verdadeiro showman, transformando tudo em poesia e animando o público, já ansioso pelo começo da competição.

O bartender e showman Elvis Campello

O bartender e showman Elvis Campello

Arte da Cachaça Leblon

Lá atrás da pra ver o placar com o nome dos competidores

Atrás de um balcão totalmente personalizado pela Leblon, os 10 semifinalistas prepararam e apresentaram seus coquetéis, novas e criativas propostas do drinque mais brasileiro de todos, a caipirinha, a fim de impressionar os jurados, 4 dos maiores nomes da coquetelaria e da cachaça: Alex Mesquita, do Paris Bar (RJ); Maurício Maia, O Cachacier em pessoa; Spencer Jr., do Frank; e Felipe Jannuzzi, nosso cachaceiro idealizador do Mapa da Cachaça. Para aumentar a emoção (e tensão de todos), as notas eras somadas, anunciadas ao vivo e o placar atualizado após cada apresentação.

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Marco De La Roche fazendo os últimos preparos no balcão

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Os jurados feras

Patrick Jakobovitsch, do D.O.M., foi o primeiro a apresentar sua criação, a Caipirinha Colonial. Segundo ele, é uma releitura dos ingredientes clássicos do coquetel, tendo, entre três tipos de limão, gengibre, uma pitada de noz moscada e caldo de cana fresco. Definitivamente muito refrescante.

Patrick Jakobovitsch, do D.O.M.

Patrick Jakobovitsch, do D.O.M.

Do bar Gourmet Burguer Market, de Florianópolis, Airton Souza apresentou o Lebloom, uma mistura de culturas, representadas por frutas como a pitaia, o caqui e a toranja, resultando em um drinque colorido e refrescante, com sabor alcoólico ressaltado.

Airton Souza apresentou o Lebloom

Airton Souza apresentou o Lebloom

O paraibano Marquinhos Felix, que agora comanda o balcão do Bar., em São Paulo, fez até os copos da sua Mineirinha, com garrafas de Leblon cortadas. Cana de açucar cortada, mel do Goiás, limão selvagem e um toque da Leblon Signature Merlet compuseram o drinque – o sabor do mel foi minha parte preferida.

Marquinhos Felix, do Bar.

Marquinhos Felix, do Bar.

Caio Bonneau, do Essência Sabores da Ásia, de Ubatuba (SP), se classificou para a final com sua Caipirinha de Arlindo, inspirada na aplicação do coquetel para fins medicinais, no século 19. Folhas de mexerica e óleo saccharum de limão siciliano, limão cravo, cana de açúcar e um trecho do Samba do Arlindo, de João Nogueira, completaram o drinque refrescante, cítrico e muito equilibrado.

Caio Bonneau, do Essência Sabores da Ásia

Caio Bonneau, do Essência Sabores da Ásia

Fernando Spolaor, do bar Riviera, de São Paulo, foi o quinto a apresentar sua criação, a Canana – cachaça com banana. Apesar do estranhamento ao saber da mistura, foi só dar o primeiro gole para entender que os ingredientes combinam, e muito. Canela defumada, anis estrelado e um xarope de banana com canela foram a base do drinque, que, na minha opinião caipira, estava surpreendentemente delicioso.

Fernando Spolaor, do bar Riviera

Fernando Spolaor, do bar Riviera

O gaúcho Jeferson Reimann também garantiu sua vaga na final com um coquetel inusitado, a Caipirinha Nativa. Além dos tradicionais ingredientes, Jeferson acrescentou folhas de mexerica (ou bergamota, como em sua região é chamada) e xarope de erva mate, conferindo um amargor saboroso e refrescante ao drinque.

Jeferson Reimann fez um coquetel com erva mate

Jeferson Reimann fez um coquetel com erva mate

Felipe Leite, também do Riviera, ousou na composição apresentando o Jaca na Veia, uma homenagem ao seu pai, conhecido como Tyson. No lugar do açúcar, Felipe usou purê de jaca, e completou sua criação com laranja, cachaça e pimentas salpicadas por cima, além de pedaços deliciosos de jaca caramelizada por cima.

Felipe Leite, do Riviera, fez seu coquetel com jaca!

Felipe Leite, do Riviera, fez seu coquetel com jaca!

Maíra Marques, do Creative (RJ), começou sua apresentação expressando sua felicidade em ver a valorização da cachaça – nós concordamos, Maíra! Seu drinque batizado de Engenhoca era, segundo ela, uma forma de ressaltar o que a caipirinha tem de melhor. Xarope de gengibre, redução de abacaxi, limão e um ramo de alecrim da horta fizeram da receita um coquetel perfeito para qualquer momento.

Maíra Marques, do Creative

Maíra Marques, do Creative

A outra mulher arrasando atrás do balcão foi Karin Kaudy, do Paradis Club, de Curitiba. Com o drinque Brasilidade, ela citou Oswald de Andrade e seu conceito de antropofagia como inspiração, criando sua própria versão de falernum (um xarope de amêndoas típico da região do Caribe), a base de cachaça, que deu um toque especial à receita clássica da caipirinha.

Karin Kaudy, do Paradis Club

Karin Kaudy, do Paradis Club

O último a se apresentar foi Thiago Ceccotti, mineirinho de Belo Horizonte, que mostrou que sua criação, o Trem Bão, era bão demais mesmo. Seu coquetel, feito com casca de mexerica macerada, xarope da fruta, um xarope de amêndoas com passas e a Merlet, foi o preferido dos jurados nessa fase, garantindo a última vaga na grande final, que aconteceu logo depois, do outro lado da rua, na outra unidade do Sagarana.

Thiago Ceccotti do DUB de BH

Thiago Ceccotti do DUB de BH

O corredor da cachacá

O corredor da cachaça

 

A grande final do Arte da Cachaça 2015

Com a proposta de criar um novo clássico da coquetelaria brasileira, Caio Bonneau, Jeferson Reimann e Thiago Ceccotti finalizaram o evento em grande estilo, misturando referências, tendências e muita personalidade em seus drinques deliciosos.

Jeferson, medalha de bronze, inspirou-se na coquetelaria contemporânea e apresentou o Pereirinha, um coquetel a base de pera e cachaça, mas que também levava gengibre, vodca e clara de ovo em sua composição. Pura elegância.

Jeferson ficou em terceiro lugar no Arte da Cachaça 2015

Jeferson ficou em terceiro lugar no Arte da Cachaça 2015

Thiago foi premiado com a prata com um drinque que já nasceu clássico, o Apotekose. Cachaça, Martini e mais alguns segredos compuseram essa receita deliciosamente equilibrada. Já quero em todos os cardápios!

Thiago, Arte da Cachaça 2015

A medalha de Prata ficou com Thiago

E o grande campeão da noite foi Caio Bonneau, com o Caiçara, drinque inspirado nas raízes e na história caiçara, do Litoral Norte de São Paulo. Maracujá, cará e pitanga se misturaram à Leblon para criar um coquetel simples, frutado, refrescante e muito saboroso. Além do troféu de ouro, Caio ganhou uma viagem de 6 dias por Nova Iorque, um jantar com lendas da coquetelaria americana, um jogo da NBA, entre outros prêmios incríveis!

Caio Bonneau, com o Caiçara, foi o grande vencedor.

Caio Bonneau, com o Caiçara, foi o grande vencedor.

Um dos premios é uma viagem até Nova Iorque

Um dos premios é uma viagem até Nova Iorque

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Da esq. para a dir.: Anderson Cruz, gerente de marketing da Leblon; Steve Luttmann, CEO global da marca; Jerferson Reimann, bronze; Caio Bonneau, campeão; Thiago Ceccotti, prata; Marco De La Roche, mixologista global da Leblon.

Além de ter me divertido muito nessa experiência, posso dizer que o evento foi sim um daqueles dias inesquecíveis para mim. Primeiro, por que eu nunca havia ido a uma competição de coquetéis, e estrear em um campeonato com cachaça é um sonho realizado. Segundo, por que, por estar lá para fazer a cobertura do evento pelo Mapa da Cachaça, tive a oportunidade de experimentar todos os coquetéis, os 10 semifinalistas e 3 finalistas, simplesmente deliciosos. Um pouco de coragem é sempre bom, mas o que nossas segundas, terças e todas as nossas semanas precisam mesmo é de mais eventos bacanas como este, que valorizem nossa bebida genuína e que nos encha de orgulho por ver nossa história sendo contada, homenageada e recriada bem diante dos nossos olhos.

(Fotos: Carlos Roberto/Leblon)

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Graziele Shimizu

Graziele Shimizu

Jornalista, escritora, autora do livro Parte Eu Parte Outro (Ed. Dobra) e sócio-fundadora da Agência Camélia. Caipira de nascimento e coração, anda a procurar e a encontrar bons bares, cachaças e conversas pelo mundo e pela bela Paulicéia Desvairada.

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Comentários

1 comentários

  1. Obrigado pelas palavras Grazi,

    O Apotekose é feito com
    70mL Leblon
    25mL Martini Dry
    15mL Cynar
    5mL Benedictine (ou outro licor herbal)
    Casca de siciliano

    Montado no copo com cubos de gelo e misturado ali mesmo.

    Passando em BH só vir ao Dub Maletta que faço um para você!