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CACHAÇA DISCOVERED POR AVUÁ – EP. 1: DAVID WONDRICH

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No nosso primeiro episódio, Felipe Jannuzzi e Nate Whitehouse entrevistam David Wondrich, autor e especialista em bebidas. Dave fala sobre suas viagens pelos alambiques brasileiros com Nate, as diferenças entre cachaça industrial e artesanal e a importância de reconhecer um terroir para cachaça.

Nate:

Oi pessoal. Obrigado por participar desta primeira edição do CACHAÇA DISCOVERED. Hoje nosso convidado é David Wondrich, expert em história dos cocktails e destilados. Felipe Jannuzzi do Mapa da Cachaça também está por aqui . Primeiramente gostaria de agradece-los por participar deste podcast.

Dave:

O prazer é meu, contente de estar aqui.

Felipe:

Obrigado Nate.

Nate:

Ótimo. Dave, você esteve no Brasil recentemente e creio que foi sua primeira vez. Viajamos juntos o que foi pra mim uma experiência muito interessante. Durante a viagem você mencionou que isso parecia muito com sua infância na Sicilia. Mas diga. Qual foi a sua impressão do pais?

Dave:

O Brasil é um pais maravilhoso. E um pais jovem e caloroso, dinâmico e misterioso. Quando você se dirige para fora do centro você se encontra diante de estradas que te levam para o interior deste pais que não tem fim. Eu acho impressionante que podemos se aventurar no coração do Brasil e ter a possibilidade de encontrar terras ainda não conhecidas que nunca terminam. Eu achei isso impressionante.

Nate:

Claro, isso eu também sempre achei intrigante. Felipe você já nos contou como foi suas visitas em diferentes regiões e alambiques viajando pela cultura da cachaça, eu tenho certeza que você presenciou paisagens magníficas.

Felipe:

Ah sim, estou já seis anos viajando pelo Brasil. Eu me surpreendi muitas vezes viajando, conhecendo diferentes tipos de produção de cachaça, paisagens, assim como milhares de pessoas com diferentes métodos de produção em diferentes climas. Existe também sempre uma estória por trás de cada pessoa e alambique, frequentemente relacionada com a história do país. Eu já estive em cidades que produzem cachaças há 200, 300 até mesmo 400 anos. Isso é muito motivante e o que me encoraja a continuar minhas viagens. Como o Brasil é um país muito extenso, eu creio que posso continuar viajando durante mais dez anos e sempre encontrar algo novo.

Dave:

Eu também acho que sempre existirá algo para descobrir nesse país.

Felipe:

Ah também acho. Eu entendo perfeitamente o que Dave estava dizendo. E muito fácil de se impressionar quando viajamos pelo Brasil. Presenciamos grandes mudanças, como um clima e paisagem que muda ao pegarmos apenas 1 hora de estrada, como também pequenas mudanças como as pessoas, os sotaques e a gastronomia. Isso sim é o que eu gosto de escrever a respeito: não é somente sobre um destilado, mas sobre a cultura e história brasileira.

Nate:

Dave, eu me lembro quando passamos um ótimo momento caminhando em Copacabana e Ipanema. Nós paramos para provar diferentes cachaças na Academia da Cachaça no Leblon. O que foi que te marcou mais durante essas degustações?

David Wondrich - Cachaça Discoved

David Wondrich é nosso primeiro convidado na série Cachaça Discovered

Dave:

Bom, existe uma variação enorme de diferentes tipos de cachaças. A cachaça e essencialmente um simples destilado. O tratamento pós-destilação que é muito variado. Existem muitos tipos de madeira em quais se podem envelhecer cachaça e muitos tipos de destilação, todos eles partindo de uma mesma matéria prima. Se pode facilmente notar a diferença no paladar. A cana de açucar é diferente em cada região, isso permite muitas variações no produto final.

Nate:

Sim, absolutamente. E exatamente isso que eu acho interessante sobre cachaças. Provar os diferentes tipos de envelhecimentos e madeiras.

Felipe:

Quando falamos de cachaça, o mundo inteiro sabe que o rum é realizado a partir da cana de açúcar (melaço) e a cachaça é preparada a partir do suco da cana. Sabemos também que em Paraty, por exemplo, ela é preparada através da garapa e no Nordeste, no século XVI, ela era preparada através do melaço, como o rum. As pessoas entendem o que é o rum mas ainda não compreendem muito bem cachaça, e o mais interessante é podermos discutir sobre a história. Dave, Nate foi muito gentil quando gravou a última palestra que você realizou em Nova York. Eu achei muito interessante a história sobre os destilados da cana de açúcar e como foi originário da India. Uma pergunta: qual seria o destilado mais antigo da América, o destilado produzido no Brasil ou o que foi produzido no Caribe?

Dave:

Eu não acho que existe um meio para provar isto. Pessoalmente eu acho que a cachaça é mais antiga que o destilado caribenho. Cachaça foi documentada em 1530 o que é praticamente o principio da história das Américas mas também sabemos que a cana de açúcar foi plantada em 1490 no Caribe então é delicado saber quem veio primeiro. Provavelmente é um problema de registro e de falta de discussão sobre o assunto. Se nós pegarmos aos registros atuais, diríamos que a cachaça é mais antiga, mas sinceramente isso não é tão importante. Quando comparamos com os registros na India, o destilado de cana de açúcar datam de 1200. Nós não sabemos realmente se o destilado na América feito pelos portugueses foram destilados pela primeira vez no Brasil ou em alguma outra ilha da Metrópole.

Nate:

E interessante como esse comércio funciona, aparentemente é bem complicado traçar as origens precisamente. Claramente é um ponto de discussão interessante, mas não tão útil. Acho mais interessante, por exemplo, saber como essas tecnologias se evoluíram, particularmente nesse novo mundo e como como o tambem o impacto na cultura naquele tempo.

Dave:

Eu nunca estive tão interessado em saber quem foi o absolutamente primeiro. Eu prefiro saber quem foi o primeiro quem criou um mercado, sabe, quem criou o primeiro impacto comercial. É o mesmo com os cocktails. Eu acho menos interessante saber quem foi o primeiro que misturou os ingredientes mas sim quem foi que conseguiu fazer disto algo famoso, uma instituição. O mesmo com esses destilados, quem foi que criou uma indústria a partir desse produto? O Brazil foi absolutamente o primeiro. Já existia uma industria de destilado a base de cana de açúcar por volta dos anos 1530, antes de qualquer documento registrado no Caribe. Quando finalmente a industria foi criada no Caribe elas foram provavelmente criadas por destiladores brasileiros ou holandês-brasileiros, então claramente foi uma rede de comércio bem complicada.

Nate:

Nós falamos frequentemente sobre a diferença entre cachaça artesanal e industrial. Eu vejo esse tema como um meio conveniente para explicar quais são os diferentes tipos de cachaça e, como Felipe, eu também acho um fator importante para esclarescer para as pessoas. Mas, qual é o seu ponto de vista nesta relação entre os tipos de cachaças? Você veria isto como uma analogia com a noção de tequila e a tequila de agave azul? Você acha isso uma diferença útil tendo visitado o Brasil?

Dave:

Pessoalmente, sim. Eu vejo como dois destilados completamente diferentes. As cachaças industriais eu tenho notado algumas boas e outras muito ruins. Todas elas possuem esse aspecto de cana queimada, o mesmo aspecto que podemos notar nos rums agrícolas. Quando se prova uma cachaça artisanal, pessoalmente, acho que é um dos destilados mais suaves que já provei: delicado, subtil, limpo, brilhante, sem nenhuma nota de cana queimada. Eles são cuidadosamente tratados – os mais complexos e até mesmo os poucos complexos.

Felipe:

O meu trabalho inteiro está baseado em aprender e divulgar sobre a cachaça artesanal. O que vemos no mercado ultimamente, devido o uso de madeiras para envelhecimento, são as cachaças industriais se promovendo como um  produto premium. Pela legislação é permitido, mas isso confunde muito o consumidor.

Dave:

[Risadas]

Felipe:

Está se tornando ainda mais difícil de explicar a diferença das duas maneiras de produção, através fermentação natural e colheita manual e claro, alambiques de cobre. A cachaça tem muito preconceito porque as pessoas tiveram uma experiência negativa provando cachaça industrial. Então nos queremos ver como podemos ser mais efetivos, explicando para as pessoas na Europa, nos Estados Unidos e aqui no Brasil, a evolução da historia cultural e tecnológica da cachaça de alambique. Eu sempre quis escutar a opinião de especialistas como você. Como você explicaria esses dois universos que pela legislação são a mesma coisa?

Dave:

Eles são dois produtos completamente diferentes [Risadas]. Não existe quase nada em comum quando você os prova. Você prova as artesanais e estes são sútis, com uma fragrância única e você sabe que são melhores para bebericar. Como seria um brandy de cana, e não uma tequila barata para misturar em um cocktail. Eu acho que esse momento com a tequila é interessante, as pessoas estão apreciando cada vez mais as tequilas mais complexas e especialmente o mezcal. Mezcal se trabalha um pouco menos em cocktails e um pouco mais em degustações ou até mesmo puros. Isto é o que esta acontecendo hoje no Brasil, as pessoas pedem uma cerveja gelada e ao lado dela uma dose de uma excelente clara e brilhante cachaça artesanal para degustar. O que eu acho muito melhor do que afoga-la dentro de uma caipirinha. Eu mesmo gosto de uma boa Capirinha, mas me parece um desperdício.

Felipe:

Você disse uma palavra interessante mais cedo: terroir. Eu gostaria muito de entender se nós podemos definir e promover os diferentes tipos de terroir. Isso poderia ser as banderias para as cachaças artesanais.

Dave:

Sabe, eu acho que se pode sim. Eu acho que o você deve fazer é mostrar para as pessoas. Quando estive na Fazenda da Quinta [onde a Cachaça Avuá é destilada] e também a Pedra Branca elas eram ambas incríveis e você sabe, a Fazendo da Quinta é um outro mundo. Eles destilam desde os anos 1700, é muito, muito velho. Tudo é feito a mão. Os campos foram cortados a mão em vez de serem queimados. A cana é moída com um moinho de Água. É tudo muito antigo. Eles realmente dão foco em “o que é cachaça artesanal, o que é destilação tradicional”; na verdade é isso, é muito mais que artesanal, é tradicional, é profundamente tradicional. E muito raro de ver isto. Se vê algo assim em Cognac, por exemplo, mas não se vê em muitos lugares.  O que transforma esse produto em algo realmente humano. E cada alambique faz do seu próprio jeito, é uma propaganda do produto, você poderia mostrar isso como bandeira para as pessoas.

Nate:

Apenas um adendo para aqueles interessados. A Fazenda da Quinta é onde a cachaça Avuá é produzida.

Felipe:

O que eu estive aprendendo nas minhas viagens é que nós temos  diversidade natural, como a paisagem e o clima, mas nós temos também uma grande diversidade nos contextos culturais. Quando se viaja para o norte de Minas Gerais, lugares como Salinas (no Cerrado, muito seco e altas temperaturas ), a cana se torna muito doce. E o que eu achei interessante é que durante muitos anos ele envelhecem cachaça em barris de bálsamo. Existem entre 8 a 10 cachaças que sao envelhecidas em balsamo o que as rendem com um sabor bem pronunciado e único. Quando se viaja para o sul, as pessoas já tem uma outra mentalidade a respeito de produção de cachaça, como pouco teor de álcool, envelhecida no carvalho e eles estão tostando madeiras, como a umburana. Isso é interessante pois podemos encontrar cachaças muito diferentes viajando 300 ou 400 quilomêtros.

Dave:

Eu creio que existe um mercado para isto. Esse é o tipo de coisa que as pessoas se interessam muito ultimamente, elas estão lendo e se informando cada vez mais nesse assunto. Eu estou vendo muitas cachaças artesanais envelhecidas em carvalho. Eu não acho que o carvalho seria a melhor maneira de produzir hoje porque isso acaba desfazendo o aspecto que torna o destilado unico. De preferencia eu gostaria de ver mais destes tanques de balsamo, esses tipos de desenvolvimento como com as madeira tradicionais enfim, coisas que são diferentes. Nós chamaríamos isto de uma proposição de venda. Se você tiver algo que ninguém mais produz, isso sim é delicioso.

Felipe:

Eu estou curioso também para saber como o mundo do cocktail vai reagir com a cachaça envelhecida em amburana, balsamo, arirabá, misturada com diferentes frutas e ingredientes. Nós já temos o mercado para as degustacões e agora eu gostaria de ver como a industria de cocktails vai reagir e trabalhar com as diferentes cachaças artesanais.

Dave:

Isso vai levar algum tempo para educar as pessoas, porque agora a industria de cocktails é muito jovem. Os bartenders estão muito interessados em trabalhar com novos produtos com sabores pronunciados. Enormes quantidades de Mezcal and Amaros. Cachaças já são mais suaves e subtis ao paladar. Eles teriam entao que aprender a usar a cachaça com produtos compatíveis. Não é um simple destilado de terceiro mundo que se pode malabarisar sem atenção ou um destes runs fortemente aromatizados. Estamos falando de um produto muito delicado e pra mim é a parte mais interessante, mas claramente isso toma tempo para educar a indústria.

Nate:

Sobre a sua opinião em educar a industria, pelo menos do meu ponto de vista, quando estivemos pregando sobre nossa cachaça Avuá nos constatamos um reaparecimento da imagem da cachaça fora do Brasil. Eu creio que isso é devido a disposição de novas cachaças como Avua, Novo Fogo e outras cachaças de qualidade e também o movimento da industria do cocktail para contribuir com essa evolução. Você acha que o mercado da cachaça começará a se destacar mais nos Estados Unidos e  Europa? Você acha que o mercado se desenvolverá na direção das marcas artesanais e consumidores mais exigentes fora do Brasil?

Dave:

Pessoalmente, eu creio que Avuá, Novo Fogo e algumas outras são as únicas marcas artesanais bem distribuídas hoje. Eu acho que precisamos de mais cachaças no mercado para as pessoas perceberem que esse movimento está acontecendo, que existe trabalho duro e variedade. Vocês são pioneiros, eu sei que em volta do ano 2000, um homem chamado Ollie Berlic tentou trazer um certo numero de cachaças artesanais, muito boas. Mas, era somente uma pessoa e ele não pode fazer todo o trabalho sozinho. Eu acho que se precisa de um certo número de pessoas trabalhando com o mesmo intuito e vocês, como pioneiros. Talvez se devemos trazer mais pessoas dentro da categoria. Senão vamos acabar por esquecer tudo isso, as pessoas não terão a oportunidade de sabe que isso faz parte da imensa cultura artesanal do Brasil. Senão a única coisa que será divulgada são suco de caipirinha e produções industriais. Algumas marcas são muito boas para fazer caipirinha e eu não tenho nada contra isso, mas não é a mesma coisa. Nós precisamos de pessoas lembrando e propagando a imagem da cachaça sem parar, isso é o que eu penso.

Nate:

Isso é um ponto interessante, isso me lembra de um comentário que uma amiga bartender aqui do Brooklyn fez faz a um mês. Ela disse que existe um tremendo suporte para Avuá feito pela comunidade de bartenders. Eu disse, obrigado, isso é otimo, mas você vê igualmente um movimento sobre cachaças? E ela disse, bom, nós não estamos nesse nível ainda, não existe ainda uma categoria. Mas ela queria ver isso acontecer, ela gostaria de ver outras marcas e diferentes tipo de cachaças disponiveis. Eu acho que já começamos a ver este movimento, mas está apenas no começo.

Dave:

Até agora a maioria de imagens divulgadas que tenho visto estão ligadas com o estilo de vida como festas em Ipanema. Quando se trata de cachaças industriais e baratas isso acontece. Mas as pessoas que fabricam os destilados artesanais no Brasil não são essas mesmas pessoas. Elas não compram produtos somente por um estilo de vida mas sim por conhecimento, elas compram porque elas querem conhecer a história, o trabalho feito e não porque é uma simples festa. E isso precisa que isso seja trabalhado e divulgado. Precisamos divulgar a historia da origem da produção, aonde foi produzida e quem as produziu. Essa é a melhor história que podemos dizer a respeito da cachaça artesanal.

Felipe:

Eu estou de acordo. Isso é muito interessante porque é algo que acontece já faz gerações, somente agora estamos contado essas histórias. E os produtores também estão percebendo que isso é ótimo para as vendas. Nós queremos cachaças autênticas como Avuá, Novo Fogo e muitas outras. São marcas que estão preocupadas com a evolução da categoria e a comunicação da sua historia, principalmente da região e de quem as produz. De onde elas vem, quais técnicas elas utilizam. Umas da coisas que me chamou atenção foi quando você, na sua palestra no ano passado, disse ter ficado surpreso com o formato do alambique brasileiro para produzir cachaça.

Dave:

Ah não se vê esses tipos de alambique em outro lugar além do Brasil, talvez em Portugal.

Felipe:

Então por que que os produtores não falam mais sobre as formas de alambiques? Isto é muito interessante para mim e para todo o mercado. Temos que falar mais sobre o método de produção e como são diferentes dos outros destilados.

Dave:

Eu concordo. Isto é único e também uma super história. Quando você vai para a Fazenda da Quinta e caminha através do processo, não existe nada no mundo parecido, ou talvez muito pouco, sendo feito com aquele nível de conhecimento. A qualidade manual e a facilidade que é realizada. Definitivamente muito inspirador. O processo exige conhecimento, ele é caro e também muito bonito. O resultado é um destilado único que vibra com suas origens e terroir. Eu acho que as pessoas precisam entender mais sobre isso e saberem que não se é algo que se vê em um biquini para jogar volleyball na praia, o que não é ruim mas estamos perdendo uma boa parte da historia.

Nate:

Eu sei que Dave não pode ficar muito por aqui mas tenho somente mais algumas perguntas. A primeira é que Sasha Petraske sempre disse que achava a Capirinha um cocktail do povo, o que é também uma maneira interessante de abordar o tema. Basicamente temos o limão, o açúcar e a cachaça. Entra provavelmente na catergoria do mojito e do  Ti’ punch e outros do gênero. Eu gostaria de saber o que você poderia dizer a respeito. A segunda parte e que tivemos alguns experts em cachaça discutindo sobre o registro de um dos primeiros drinks feito com aguardente, chamado El Drake, e que foi mais tarde preparado com cachaça em Recife (Brasil), eles discutiam para saber qual era o cocktail mais antigo.

Dave:

Pessoalmente, a capirinha pra mim é uma das minhas bebidas preferidas. Eu concordo com Sasha, eu nunca estaria em desacordo com Sasha! E uma bebida simples, melhor realizada simples e deixar o destilado falar por ele mesmo. E a mesma classe que Daiquiri, Ti’ punch, mojito e outras variações de punch. No entanto, a história de El Drake é confusa e sem detalhes precisos. Não exista nada que prove a existência desta bebida como ela é descrita. Existiu alguém algumas centenas de anos atrás comentando uma variante do punch.

O Punch apareceu por volta dos anos 1630 e provocou uma revolução. O mundo inteiro começou a copiar o mesmo estilo, e eles copiaram dos ingleses na India e não do novo mundo. Creio que isso apareceu no novo mundo somente em 1640, o que se passa antes de Francis Drake. Eu sou normalmente muito duvidoso dessa história, mas gostaria que alguém me convencesse.

Nate:

Eu sempre achei que existem mil historias interessantes, mas fundamentalmente duvidosas na industria de destilados.

Dave:

[Risadas] Eu estou sempre lutando contra isso.

Felipe:

Quando estive em Nova York, tive a oportunidade de encontrar Sasha e ele estava surpreso em saber que a Capirinha é um cocktail preparado no Brasil na colher e não no shaker.

Dave:

E exatamente como eu aprendi a faze-la. Uma das minhas primeiras ocasiões como escritor de cocktails, eu trabalhava por uma nova revista, isto era por volta de 2000, 2001, e eu participava de uma sessão de fotos de um artigo que estava escrevendo e la estava uma garota brasileira de 17 anos modelando. Ela mostrou que tudo o que eu estava fazendo estava errado. Ela me ensinou a cortar o limão apropriadamente, ela me ensinou tudo. Eu estou sempre disposto a aprender algo com um expert, [risadas] principalmente uma expert como ela. Mas saiba que eu nunca utilizei um shaker para prepara-la e não sei por que alguem faria tal coisa. E como um old falshioned, você prepara ele diretamente em um copo então você não precisa de shaker, você não precisa de uma peneira, você precisa de uma colher, limão, cachaça, gelo e açúcar. E isso o que prefiro.

Felipe:

[Risadas] Nós temos muitas coisas em comum, eu também prefiro minhas caipirinhas misturadas na colher e você, claro, também é um fã de cachaça. Eu também ouvi dizer que você é grande fã de musica e que toca baixo!

Dave:

Não toco muito recentemente, parei de tocar com um grupo já faz 10 anos.

Felipe:
Eu tocava baixo em São Paulo e acabei de te enviar um CD na semana passada, espero que chegue ai em breve.

Dave:

Obrigado!

Felipe:

Nós o chamamos “Bebida Nacional”. É um mapa musical da cachaça, nós encontramos os melhores e mais importantes lugares de produção de cachaça e mapeamos seus principais estilos musicais:  samba, milonga, forro e chorinho.

Dave:
Isso é ótimo! Bom, vou me servir um pouco de Avua Amburana e escutar isso com calma!

Nate:

Eu agradeço vocês pela oportunidade de estarem aqui. Dave é sempre um prazer e sempre aprendemos mais com suas perspectivas, conhecimentos e pontos de vista e a você também Felipe!

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Mapa da Cachaça

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Comentários

9 comentários

  1. Excelente entrevista. Parabens, Felipe.Ficou muito claro que,apesar de tudo, o aspecto artesanal e até manual , incorpora um grande e valioso atrativo para a nossa cachaça. Eu tambem adoro esta caracteristica da nossa bebida.

  2. Parabens ao CACHAÇA DISCOVERED , adorei essa reportagem , foi de grande passeio .

  3. Parabenizo a todos vocês do “Mapa da Cachaça” pela brilhante iniciativa de envolvimento de todos nós apreciadores da “BOA-MARVADA”, nosso patrimônio nacional, que vem ganhando o mundo!!! Abraços.

  4. Olá pessoal, em primeiro lugar gostaria de louvar o trabalho de vocês no que diz respeito à divulgação da “marvada”. Entendo os propósitos que vocês se dispõem, mas sinceramente, em meu estágio de vida pessoal, tenho algumas ressalvas…e preferências.
    No que refere_se à entrevista propriamente dita permitam_me algumas ponderações: Com todo respeito ao entrevistado e reconhecimento da humildade dele no que diz respeito ao distinto universo cultural dele em relação ao nosso. Queria dizer que a entrevista dele agregou pouca coisa na construção do conhecimento acerca da cachaça. Evidentemente que isso deve_se a um relativo distanciamento cultural, o que em última instância nos informa o quão complexa, diversificada, humanizada e cultural é a nossa produção de pinga.
    A experiências etílicas conjugadas com as experiências de vida do entrevistado não foram as combinações mais adequadas. Ele foi ” infeliz ” na forma como referiu_se à menina que a ensinou à fazer caipirinha (mais isso é outra discussão).
    A produção de cachaça remete à tempos específicos de nossa história; tempos em que a produção, o consumo e a comercialização da mesma implicavam numa teia relacional muito mais profunda do que uma simples dinâmica mercantil. Parte da dinâmica cultural da pinga no Brasil confunde_se com aspectos relacionados à sobrevivência de um povo, com a luta e reinvenção de um complexo universo cultural escravista de negros e índios, com a transformação dessa prática etílica em um canal de contato com esferas que estão para além do racional.
    São por essas e outras que opto por viver o universo da cachaça na praticidade da degustação do que dispender tempo na tentativa de sua estéril teorização.
    A vida urge, o tempo esvai_se velozmente, há que se colocar no exercício da experimentação da cachaça o quanto antes.
    Sugiro uma boa dose de “parati”…e sugiro também que promovam eventos com representantes legítimos do povo, afinal de contas, essa é uma marca registrada desse patrimônio cultural… A cachaça é do povo!!
    Saúde e paz à todos!

  5. Parabéns a todos os envolvidos,nesta,excelente reportagem e viagem no tempo.grato a todos os que fazem o “MAPA DA CACHAÇA”

  6. Parabéns pela iniciativa e boa intenção em conduzir a entrevista. Creio que, no frigir dos ovos, o mais importante é
    divulgar métodos padrão de produção de cachaça artesanal de qualidade, agregar cooperativas nos Rincões desse imenso País com o fito de divulgar a cachaça em horário nobre na TV, como é feito com a cerveja, separar a cachaça industrial da artesanal, quebrar um certo tabu que realmente ainda existe como fator discriminativo e por fim, incentivar o consumo como uma bebida legítima, autêntica, coisa nossa, brasileira, ótima e que deve nos encher de orgulho.

    • Reitero os comentários do “cachaceiro brasileiro” Ronaldo Pimentel assim como eu “cachaceiro mineiro” também amante etílico do “produto” genuinamente nacional . Parar se inteirar completamente e profundamente sobre a cachaça brasileira (artesanal e aguardente industrial) sugiro ler o fantástico trabalho de Renato Figueiredo contido no magistral livro “De marvada a bendita”. Esta obra apresenta a história da cachaça no Brasil: fatos como a diferença entre a cachaça artesanal e aguardente; formas de apreciar a cachaça; dicas para combiná-la com petiscos, pratos, frutas e especiarias; o jeito adequado de escolhê-la e muitos outros detalhes interessantes. Salve a cachaça tupiniquim. Brindemos!

  7. Eu aprecio muito uma boa cachaça, prefiro as frescas, brancas, transparente, descançada em tonéis de amendoim, que altera muito pouco a cor é o sabor não, aprecio mais com 43 a 44° de teor, mantém o cheiro da cana, o paladar inigualável, mas… não é muito fácil encontrar, conheço a Coqueiro de Paraty, Chora Menina de Itatiba e Canarinho de Salinas, está descansada em carvalho. Continuo à procurar boas cachaças, gostaria de ter umas dicas. Obrigado.

    • Excelente dica do livro Francisco Louzimar…
      Atendendo ao Jognes, sugiro a Maria Isabel, já que falastes da região de Parati, uma cachaça top produzida lá, e como dissestes que parecia cachaças com teor alcoólico alto, sugiro também a “Curisco” de Parati tbm…
      Entretanto, gosto é de fórum íntimo… Espero que consiga obte_las…e aprecies!!